Levantamento indica que arquitetura assinada com soluções ousadas de criação de identidade visual contribuem para a experiência dos hóspedes
O mercado hoteleiro tem uma relação histórica com a arquitetura por reconhecer que edifícios bem construídos podem ser um diferencial na conquista de clientes. Agora, a pesquisa elaborada pela ALL Accor confirma o impacto da inovação arquitetônica no turismo. De acordo com o relatório Experiential Travel Trends 2026, 31,5% dos entrevistados procuram por hotéis que tenham um design lúdico e imersivo, proporcionando uma experiência para além da funcionalidade.
A pesquisa foi realizada pela Dynata com 4,3 mil viajantes de nove países, incluindo o Brasil, e associa esse resultado à crescente tendência dos “Hyper Playgrounds”, projetos imersivos e sensoriais que lançam mão de soluções como texturas, sons, itens que possam ser manuseados e cores que estimulam a interação. Para os hóspedes, essa é uma forma de fugir da constante busca por produtividade, encontrando na arquitetura espaços de descompressão.
De acordo com o levantamento, 25% dos turistas preferem iniciar a busca por hotéis a partir do “humor”. Para 43% dos participantes, ter restaurantes renomados é um fator prioritário. A grande maioria, mais de 84%, busca criar conexões humanas ao viajar, e 59% entendem o bem-estar como algo ligado a momentos de socialização. Além disso, 69% procuram atividades ao ar livre, enquanto 53% têm o desejo de se aproximar da natureza, dos animais e de seus ciclos durante a estadia.
Amazon Parques & Resorts
Um dos projetos no Brasil que acompanham essa busca do público por uma arquitetura lúdica é o complexo turístico Amazon Parques & Resorts. Localizado em Penha (SC), o projeto assinado pelo escritório suíço NotToScale, em colaboração com arquitetos brasileiros, integrou arquitetura e paisagismo, tendo a Amazônia como principal referência. O empreendimento, ainda em construção, terá diferentes elementos que remetem ao bioma amazônico e propiciam essa imersão na flora regional, como vitórias-régias, palmeiras-triângulo e açaizeiros. As plantas estarão integradas às áreas de circulação e convivência.


Hotel Ba’ra
Em João Pessoa (PB), o escritório Plan:b arquitectos assina o projeto do Hotel Ba’ra. Com uma planta em “U”, o edifício conta com um espaço central semi-público, disponível para eventos do hotel entre a vida urbana e a praia. Os visitantes, assim, podem acessar o hotel à pé, atravessando um espaço coberto por pergolados metálicos e jardins suspensos. A arquitetura brinca com volumes e linhas retas, formando blocos com arestas que se projetam em várias direções, gerando estímulo visual.


Pousada Maria Flor
Assinada pelos escritórios Priscilla Muller Studio e Solo Arquitetos, a Pousada Maria Flor, em Fernando de Noronha (PE), foi idealizada como um esponja do seu contexto, integrando a construção com a paisagem local. Visualmente, um dos destaques é o ripado de Accoya. uma madeira extremamente seca e resistente à absorção de umidade, garantindo mais estabilidade dimensional e durabilidade. A solução dissolve os limites entre interiores e exteriores, e até mesmo as sombras das brises ao longo do dia constituem elemento lúdico.


Por Victor Hugo Felix.
