Em ambientes corporativos, o conforto acústico tornou-se fundamental para garantir produtividade, concentração e bem-estar dos colaboradores
Por Andrea Destefani*
Escritórios com layouts abertos, alta densidade de ocupação e presença de sistemas prediais demandam soluções de projeto que controlem o ruído e favoreçam a comunicação entre equipes.
Nesse contexto, o layout é um dos fatores mais determinantes para o sucesso do desempenho acústico. Sempre que possível, recomenda-se realizar estudos de zoneamento para separar ambientes ruidosos — como áreas colaborativas, circulação e copas — de áreas que exigem maior concentração, como salas de reunião.
Entre as principais fontes de ruído estão os sistemas de climatização, conversas e a transmissão sonora entre salas. O ruído gerado por este sistema pode comprometer significativamente o conforto acústico quando não há adequado controle de ruído em áreas técnicas, equipamentos e dutos.
Vedações, divisórias e portas também desempenham papel importante. O isolamento acústico entre salas de reunião, áreas de trabalho e espaços de concentração depende diretamente do desempenho desses elementos. Pequenas frestas, passagens de instalações ou encontros mal vedados podem reduzir significativamente o isolamento previsto em projeto.
Detalhes construtivos frequentemente negligenciados também influenciam esse desempenho. A ausência de septos acústicos no plenum de forros ou sob pisos elevados pode permitir a transmissão de ruído entre ambientes adjacentes, reduzindo a privacidade sonora. Da mesma forma, o transpasse de instalações por vedações deve receber tratamento adequado para evitar pontes acústicas.


O condicionamento acústico interno também é essencial para controlar a reverberação. A especificação de materiais com propriedades de absorção sonora, como forros acústicos, painéis e revestimentos, contribui para melhorar a inteligibilidade da fala e reduzir distrações.
Certificações internacionais de sustentabilidade e bem-estar reforçam a importância desses aspectos, como LEED v4.1 e WELL Building Standard. As diretrizes mais recentes do LEED v5, especialmente na tipologia Interior Design and Construction (ID+C), ampliam essa abordagem ao integrar o desempenho acústico à experiência do ocupante.
Nesse cenário, o conforto acústico deixa de ser um elemento complementar para se tornar parte essencial da qualidade dos ambientes de trabalho. Projetos que integram arquitetura, sistemas prediais e estratégias acústicas desde as fases iniciais contribuem para escritórios mais produtivos, saudáveis e alinhados às novas demandas de desempenho e bem-estar.
*Andrea Destefani é arquiteta e urbanista graduada pela Universidade Estadual de Campinas- UNICAMP, com formação complementar pela Goldsmiths College – University of London e MBA em gestão de negócios pela Universidade de São Paulo-USP. Mestre em acústica pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo –IPT. Consultora em acústica no Centro de Tecnologia de Edificações – CTE, com mais de 13 anos de experiência nas áreas de acústica e conforto ambiental. Ampla atuação na consultoria em centenas de projetos no Brasil e no exterior, como salas de concertos, teatros, laboratórios farmacêuticos, complexos corporativos, shopping centers, centros educacionais e empreendimentos hospitalares e residenciais.
*Andrea Destefani é arquiteta e urbanista graduada pela Universidade Estadual de Campinas- UNICAMP, com formação complementar pela Goldsmiths College – University of London e MBA em gestão de negócios pela Universidade de São Paulo-USP. Mestre em acústica pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo –IPT. Consultora em acústica no Centro de Tecnologia de Edificações – CTE, com mais de 13 anos de experiência nas áreas de acústica e conforto ambiental. Ampla atuação na consultoria em centenas de projetos no Brasil e no exterior, como salas de concertos, teatros, laboratórios farmacêuticos, complexos corporativos, shopping centers, centros educacionais e empreendimentos hospitalares e residenciais.
