Conforto térmico, lumínico e acústico são indispensáveis para a saúde, qualidade do sono e privacidade
Por Andrea Destefani*
Em empreendimentos residenciais e na hotelaria, conforto térmico, lumínico e acústico deixaram de ser apenas atributos desejáveis para se tornarem fatores diretamente associados à saúde, à qualidade do sono e à privacidade. Além disso, influenciam a experiência dos usuários, a reputação das bandeiras hoteleiras e a valorização dos ativos imobiliários. Em um contexto de crescente preocupação com desempenho, sustentabilidade e eficiência energética, o projeto arquitetônico assume papel central na integração dessas disciplinas.
Portanto, é essencial adotar uma abordagem integrada desde as fases iniciais de concepção. Estratégias passivas, como orientação solar adequada, proteção de fachadas contra radiação excessiva e ruído, ventilação natural, envoltórias com bom desempenho térmico e aproveitamento da iluminação natural, contribuem para reduzir a demanda energética da edificação e melhorar as condições de conforto.
Além dessas soluções, a eficiência energética também depende da escolha de equipamentos, como sistemas de climatização de alto desempenho, automação predial, iluminação planejada e sensores de presença. Estes são alguns exemplos de soluções ativas que contribuem para reduzir o consumo de energia e melhorar o desempenho operacional.
O isolamento acústico entre apartamentos ou suítes é um dos fatores mais críticos para garantir privacidade sonora e qualidade do descanso. A transmissão sonora pode ocorrer por paredes, pisos ou elementos construtivos mal detalhados, comprometendo a experiência dos usuários. Por isso, o projeto deve considerar soluções construtivas capazes de minimizar a propagação sonora entre ambientes.


Outro ponto de atenção é a relação entre áreas comuns e unidades habitacionais. Espaços de lazer, academias, restaurantes ou áreas técnicas próximos a apartamentos ou suítes podem gerar ruídos que impactam o conforto dos ocupantes, exigindo planejamento adequado da implantação e soluções acústicas específicas.
Na hotelaria, muitas redes internacionais adotam guidelines técnicos próprios que estabelecem requisitos mínimos de conforto ambiental e eficiência energética, garantindo padrões consistentes de qualidade e experiência do hóspede.
No Brasil, a ABNT NBR 15575 – Edificações Habitacionais – Desempenho estabelece requisitos mínimos relacionados ao isolamento acústico e ao desempenho térmico e lumínico das edificações residenciais. Além disso, certificações internacionais de sustentabilidade e bem-estar incentivam soluções de projeto que promovam conforto ambiental, eficiência energética e melhor qualidade de uso dos espaços. Integrar tais estratégias desde as fases iniciais do projeto é essencial para criar edifícios mais sustentáveis, eficientes e alinhados às expectativas de moradores e hóspedes.
*Andrea Destefani é arquiteta e urbanista graduada pela Universidade Estadual de Campinas- UNICAMP, com formação complementar pela Goldsmiths College – University of London e MBA em gestão de negócios pela Universidade de São Paulo-USP. Mestre em acústica pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo –IPT. Consultora em acústica no Centro de Tecnologia de Edificações – CTE, com mais de 13 anos de experiência nas áreas de acústica e conforto ambiental. Ampla atuação na consultoria em centenas de projetos no Brasil e no exterior, como salas de concertos, teatros, laboratórios farmacêuticos, complexos corporativos, shopping centers, centros educacionais e empreendimentos hospitalares e residenciais.
