Dois quilômetros de resíduos têxteis: completando dois anos, o instituto baiano ensina mulheres a criar produtos com sobras de tecido e corda
Famílias do bairro Morada das Lagoas, em Salvador, mudaram de vida há dois anos, após a criação do Instituto Tidelli. Uma porta para novas oportunidades em uma das áreas mais afetadas pela pobreza no país, a instituição visa capacitar mulheres para criar produtos a partir de resíduos têxteis.
Segundo Tatiana Mandelli, fundadora do instituto, o parque fabril da região tem grande peso socioeconômico, já que muitos moradores trabalham por ali. No entanto, ainda há carência de oportunidades. “O Instituto Tidelli é uma ferramenta para criar novas oportunidades. Nosso sonho é que mulheres conquistem sua independência financeira por meio do empreendedorismo social”, diz ela.
Dois quilômetros de resíduos de tecido ocupavam um galpão da fábrica da Tidelli antes da criação do instituto. Confrontada com essa realidade, Tatiana se sentiu impelida a mudar o curso de desperdício da indústria. O projeto nasceu da união entre responsabilidade social e ambiental, com oficinas que permitem às artesãs locais desenvolverem coleções de acessórios e objetos decorativos com as sobras de cordas e outros materiais, que antes eram descartados e hoje viram arte.

“Hoje atuamos com duas oficinas fixas, uma de costura e outra de artesanato. Algumas das mulheres que já passaram pelo Instituto Tidelli foram contratadas em empresas e outras tocam seus próprios negócios, com sua própria confecção”, conta Carlos Eduardo Guimarães, diretor do Instituto Tidelli.
Os projetos são viabilizados por meio da parceria com a Associação Amolla, que coordena a produção. Quatro máquinas de costura foram doadas, triplicando o número de ferramentas disponíveis anteriormente na associação.
Vidas transformadas
Atualmente, vinte e duas mulheres produzem peças das coleções do instituto, cuja renda é completamente revertida para financiar as atividades. Nos últimos dois anos, o Instituto Tidelli vendeu mais de seis mil peças por todo o Brasil e repassou cerca de 460 mil reais para as artesãs. “Mal o Instituto Tidelli chegou aqui e mudou muita coisa. Trouxe para a Associação o artesanato, a costura. Chegou na hora certa”, conta Mestre Pituba, diretor da Amolla.
Além das capacitações, a parceria entre o Instituto Tidelli e a Amolla oferece atividades educativas e culturais, como aulas de reforço escolar e capoeira. Guimarães diz que a expansão abre espaço para as famílias e promove um senso de comunidade.
“Foi um projeto que praticamente me salvou. Devolveu a dignidade a muitas mulheres que às vezes têm um filho, mas o pai não ajuda. Com certeza, mudou a minha vida e a de toda a minha família”, diz Mariana Costa, costureira formada pelo instituto.
No futuro, o desejo é expandir a capilaridade. “Queremos abrir espaço para outras indústrias doarem resíduos, ampliar essa corrente com mais parceiros e atender mais pessoas. No curto prazo, queremos estruturar a captação de recursos para expandir o projeto em outras comunidades”, finaliza Guimarães.

Texto e imagens: Divulgação Instituto Tidelli