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Livro apresenta a obra múltipla de Jean Gillon

Arte em diversos suportes marcam a trajetória profissional do imigrante naturalizado registrada no livro Jean Gillon: artista-designer, e também exposta em mostra no MCB

 

A apresentação em conjunto dos móveis e objetos em jacarandá do período moderno e das tapeçarias artísticas de temáticas tropicais – facetas mais conhecidas da produção de Jean Gillon – seria suficiente para surpreender o leitor. Nas artes, entretanto, ele produziu desde cedo e até o fim da vida, nos mais diversos suportes. E teve uma atuação que marcou época na arquitetura de interiores e na cenografia, mesmo antes de chegar ao Brasil.

São retratos entrelaçados desse “artista-designer” múltiplo, agora reunidos em um grande livro que conta seu percurso criativo. Publicado pela Editora Olhares, o livro tem organização de Graça Bueno, galerista da Passado Composto Século XX, que tem a guarda do acervo de Gillon e se debruçou sobre ele nos últimos anos para ligar os pontos de sua história.

O lançamento marcará também a abertura de uma mostra paralela de Jean Gillon, incluindo móveis, tapeçarias, objetos, obras de arte, fotos e documentos dos acervos da família e da galeria. Ela complementa a exposição homônima do livro no MCB, também curada por Graça Bueno em parceria com a equipe do museu, aberta ao público até dezembro.

 

Capa Jean Gillon Easy Resize com

 

O livro conta também, entre as mais de 400 imagens apresentadas, com ensaio fotográfico de Ruy Teixeira, que registrou móveis e tapeçarias em coleções particulares e fotografou a icônica poltrona jangada à beira mar para a capa. Apesar de Gillon ser um nome sempre lembrado quando se apresenta o design nacional de móveis do período moderno, ainda não havia um trabalho de fôlego sobre sua contribuição naquele cenário. Além de reunir o principal de suas criações, o livro traz novas informações sobre o desenvolvimento deste importante patrimônio material brasileiro, desde a relação direta com as encomendas dos clientes de projetos de interiores – atividade pela qual Gillon ingressou no mercado de design – nos anos 1950 até o ciclo de exportações com valorização de aspectos da identidade brasileira nos anos 1960.
Gillon nasceu na Romênia, se iniciou nas artes ainda adolescente e deixou o país por causa da presença nazista na Segunda Guerra Mundial. Se estabeleceu em Israel, onde teve uma atuação relevante como artista, cenógrafo e arquiteto de interiores de meados dos anos 1940 a meados dos anos 1950, preservando muitos registros dessa época em seu acervo. Como muitos arquitetos e designers imigrantes, foi atraído pelos ecos da pioneira arquitetura moderna brasileira.
GILLON PINTANDO HOEM x

Desde o início no Brasil, teve uma carreira de destaque em projetos de interiores, como demonstra sua grande colaboração com a revista Casa e Jardim, com artigos, respostas a dúvidas de leitores e diversos projetos publicados. Em sua loja Adorno, com filiais abertas em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, passou a vender móveis, objetos decorativos e utilitários e obras suas e de outros artistas. Em paralelo desenvolvia projetos de cenografia e figurinos para peças do Teatro Cacilda Becker, parceria que teve seu ápice na peça A Visita da Velha Senhora, uma grande produção em que teve seu trabalho premiado como cenógrafo- revelação pela ABCT.

A transformação da Adorno em WoodArt, em 1965, e o novo foco nas vendas para o exterior, com participação em inúmeras feiras internacionais e negócios com mais de vinte países, marca uma grande mudança em sua produção. As linhas passam a ser apresentadas com nomes bem brasileiros. Nesse período, monta também um ateliê para desenvolver tapeçarias bordadas, peça únicas que vieram a ser a mais impactante e reconhecida expressão artística em sua carreira, com dezenas de exposições em galerias, museus e outros espaços.

Jean Gillon: artista-designer
Autores: Enock Sacramento, Giancarlo Latorraca, Graça Bueno [org.]

 

Poltrona Jangada
Poltrona Jangada

 

Serviço exposição Jean Gillon: artista designer
Museu da Casa Brasileira | Av. Brig. Faria Lima, 2705 – Jardim Paulistano

Visitação até 12 de dezembro de 2021 De terça a domingo, das 10h às 18h.
Ingressos: R$ 15 e R$ 7,50 (meia-entrada) Entrada gratuita às terças-feiras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por: Olhares
Imagens: Divulgação

 

 

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