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Artesanato alagoano pelo mundo!

Exposição Alagoas Plural, que recentemente chegou à Milão no Fuorisalone, levou para a Europa e para os EUA uma dose dos saberes tradicionais do nordeste brasileiro

 

O trabalho dos artesãos tem sido cada vez mais reconhecido pelo design brasileiro. Por meio do uso de materiais naturais e referenciando a cultura e as tradições de cada região, tem-se compreendido que é pelo artesanato que o design se apresenta para as mais amplas camadas sociais. E muito dessa força criativa vem de regiões afastadas dos grandes centros urbanos, como o sertão nordestino.

É nesse contexto que a exposição Alagoas Plural chegou à edição de 2026 da Milano Design Week, apresentada na Fuorisalone. Em uma das maiores vitrines internacionais do design contemporâneo, foram expostas mais de 100 criações artesanais, assinadas por 46 criadores. E em cada peça, cores, temas afetivos e traços revelam expressões autênticas de memória, identidade e pertencimento do povo alagoano.

A exposição teve curadoria de Marco Aurélio Pulchério, curador e galerista à frente da Marco500, e é fruto do sucesso do Programa Alagoas Feita à Mão, criado em 2015 para estruturar, fortalecer e projetar a produção artesanal popular do estado para o mundo. A exposição Alagoas Plural já passou por Nova Iorque, Miami, Paris e Lisboa.

Entre os criadores estão 26 artesãos individuais e 20 artesãs bordadeiras da Associação Mimos de Dona Peró, da cidade de Capela. Os mestres e artesãos foram criteriosamente selecionados em processo que abrangeu 11 localidades de 5 regiões do estado, do Sertão (Ilha do Ferro) à Zona da Mata e Litoral. Veja alguns destaques!

 

As cadeiras do Mestre Valmir Lessa, adornadas com esculturas de anjos, pássaros e outros símbolos culturais alagoanos, é um dos grandes destaques da mostra Alagoas Plural. Natural da Ilha do Ferro, o artesão cria peças com madeira de árvores variadas, como craibeira, pereiro e imburana. O requinte de cada trabalho é o que fez Mestre Valmir ser reconhecido em feiras pelo país.

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A ecoarte ou arte ambiental, arte consciente e sustentável está na base das criações de Adriana Siqueira. Com o uso do barro vermelho, abundante em Capela, sua cidade natal, a artesão cria jarros em forma de jaca, fruta de origem indiana que se adaptou tão bem ao clima brasileiro que se tornou símbolo cultural da região.

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Às margens do Rio São Francisco, o Boró Sandes no pequeno povoado de Assentamento Riacho Grande, cria peças em madeira de Craibeira, árvore nativa da caatinga brasileira. Os grandes troncos e galhos caídos, resistentes e de cor clara, ganham formas variadas, de bancos a mesas e objetos decorativos.

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Da cidade de Boqueirão, Cicero Alves dos Santos, o Cicinho, retrata figuras humanas formas variadas. Os troncos e galhos utilizados na produção do artista são “madeira morta”, em respeito a natureza. Cicinho é da nova geração de artistas do povoado da Ilha do Ferro.

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As histórias peculiares que Cláudio Henrique Freire da Silva, alagoano de Capela, viveu na infância são agora traduzidas em obras artesanais. Sobrinho do mestre João das Alagoas, o artesão modela suas miniaturas em barro vermelho. Como um cronista visual, Claudio da Capela, como também é conhecido, leva suas histórias para lojas, museus e estantes de colecionadores.

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Pai e filha, Jaílton e Jamile Rodrigues são artesãos da Ilha do Ferro. Por meio de técnicas de entalhe em madeira de mulungu, Jaílton dá forma a pássaros e outras figuras do cotidiano da Ilha, enquanto Jamile pinta as peças com cores vivas que conferem identidade ao trabalho.

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Irinéia Nunes Silva, também conhecida como Mestra Irinéia, é de Muquem, região descendente do famoso Quilombo dos Palmares. Sua arte de moldar cabeças com os olhos vazados a fez se destacar em exposições ao redor do mundo, e em 2005 foi declarada Patrimônio Vivo do Estado do Alagoas.

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O “boi vazado”, que emoldura situações do cotidiano, é a principal marca do trabalho de Maria Eroneide Laurentino, a Mestra Nena da Capela. A sala de aula, as brincadeiras de criança, a banda de forró, as reuniões familiares, tudo é inspiração para o trabalho da artesão. Natural do povoado de João de Deus, Mestra Nena da Capela, modela peças em cerâmica no barro vermelho.

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Por Victor Hugo Felix
Imagens: Divulgação

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