Resíduos plásticos: um problema global

pl mar lixo Easy Resize com

Garrafas PET, sacolas, copos, embalagens de plástico são de fato duráveis e resistentes à degradação. Mas seu custo ambiental pode ser avassalador.

 

Dado preocupante: estima-se que mais de 6 milhões de toneladas de lixo são descartados em mares e oceanos a cada ano. Entre estes, milhares de resíduos plásticos, os quais animais marinhos ingerem, confundindo-os com alimentos. Sabe-se que aparelhos digestivos com presença de plásticos têm diminuída sua capacidade de assimilação de nutrientes advindos de alimentos naturais. Nos mares e oceanos, a médio prazo, colapso de determinadas populações: tartarugas marinhas, focas, leões marinhos, golfinhos, peixes-boi, aves marinhas, peixes vários, são algumas das vítimas da poluição plástica.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, voltado à proteção do meio ambiente e à promoção do desenvolvimento sustentável, 90% de todos os detritos dos oceanos são compostos por plástico. Existem em torno de 46 mil fragmentos de plástico em cada 2,5 quilômetros quadrados de superfície. Pesam mais do que as algas marinhas e plâncton existentes, lembrando que esses organismos são os principais responsáveis pela oxigenação do planeta e alimentação de cadeias alimentares no ambiente marinho.

Claro que a poluição plástica é um problema global. Bilhões de toneladas de plástico produzidas no planeta tornam-se resíduos que, além de em mares e oceanos, acabam também em aterros sanitários e lixões. E esse problema não existe isoladamente. Os riscos ambientais, sociais e sanitários provenientes dos resíduos plásticos precisam ser avaliados em conjunto com outros fatores de estresse ambiental, como mudança climática e degradação de ecossistemas.

 

nationalgeographic
Estudos apontam que os plásticos de uso único são os principais poluentes. Se medidas não forem tomadas, a quantidade residual pode dobrar até 2040. Imagem: RANDY OLSON/N ational Geographic

 

“Tanto as pessoas quanto o planeta estão sofrendo profundamente com os efeitos da poluição plástica”, disse Jyoti Mathur-Filipp, Secretária Executiva do Comitê de Negociação Intergovernamental – INC. A quarta sessão do Comitê Intergovernamental de Negociação para desenvolver um instrumento internacional juridicamente vinculativo sobre a poluição plástica, incluindo ambiente marinho (INC-4), ocorreu de 23 a 29 de abril de 2024, no Shaw Centre em Ottawa, Canadá. O texto decorrente encontra-se disponível nas línguas oficiais da ONU. “Esta sessão (INC-4) de negociação é fundamental. É uma oportunidade de fazer progressos significativos para um acordo robusto que permita que as gerações futuras vivam em um mundo livre da poluição plástica”, ressaltou Jyoti.

A meta durante a INC-4 foi avançar com um texto preliminar de instrumento global para que posteriormente possa ser finalizado em Busan, na República da Coreia, em dezembro. Até o momento, as negociações têm se concentrado na redução da poluição durante todo o ciclo de vida dos plásticos, desde seu design até seu descarte.

O processo de negociação foi formalmente lançado em 2022 na quinta sessão da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o principal órgão de tomada de decisões do mundo sobre o meio ambiente.

“A ciência é clara e as soluções estão disponíveis para acabarmos com a poluição plástica”, salienta. “Dado que a humanidade está a caminho de triplicar a quantidade de plástico que produzimos anualmente até 2060, é vital que continuemos a fazer progressos concretos e que cheguemos a um acordo até o final deste ano”.

A ONU declarou, em 2017, o período de 2021 a 2030 como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. Busca-se construir uma estrutura de apoio às ações de gerenciamento sustentável dos oceanos efetuadas por diversos países. No Brasil, o MCTI – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação é o representante científico na Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO e tem como missão promover atividades para o alcance dos resultados propostos.

Vale lembrar que mesmo sendo a poluição por plásticos a mais preocupante, os ambientes marinhos são também impactados por outras fontes poluidoras, como derramamento de petróleo, despejo de rejeitos de mineração e lançamento de esgoto doméstico e industrial sem tratamento.

 

passaro plastico praia
Um pássaro é cercado por plástico oceânico nas ilhas havaianas do noroeste. Imagem: Matthew Chauvin/The Ocean Cleanup.

 

fundacao projeto tamar lista ameacadas ()
O ser humano tem acelerado processos de extinção através da destruição de ecossistemas e da exploração insustentável dos recursos naturais. Imagem: Divulgação Projeto Tamar.

 

 

Funcional e espontâneo

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

Escritório Go Up Arquitetura assina reforma de apartamento atribuindo resoluções funcionais aos espaços, tornando-os leves, organizados e integrados.

 

O projeto, desenvolvido para um casal com dois filhos, um de nove e outro de 12 anos, deveria abarcar uma rotina de trabalho híbrida, com mais de um ambiente para home office em casa. Assim, os moradores, que gostam de ter momentos de lazer, conversar, beber, receber amigos e assistir streamings, podem escolher o lugar para trabalhar, estando ambos ou apenas um deles no imóvel.

O casal, já clientes do escritório Go Up Arquitetura, capitaneado pelas arquitetas Juliana Silva e Amanda Mori, decidiram chamar novamente as profissionais, já que a organização espacial e o estilo do imóvel não condiziam com suas necessidades nem gostos pessoais. O maior desejo era resolver a disposição dos espaços que são distribuídos nos 147m², especialmente as áreas sociais e de acesso, proporcionar uma casa com cara de vida de verdade, com uma decoração funcional e que fizesse parte do dia a dia, num ambiente leve, organizado, integrado, porém sem luxos ou extravagâncias.

Todos os cômodos receberam repaginação, exceto a área de serviço e o banheiro social, que receberam apenas resoluções funcionais, como instalação de novos toalheiros. As soluções apresentadas trataram com muito respeito os produtos e os elementos que ali já existiam, sem necessidade de “quebrar tudo e jogar fora” para conseguir um projeto lindo e adequado aos moradores. A transformação permitiu que um imóvel com estilo complemente industrial e escuro, se transformasse num espaço com soluções relativamente simples, porém criativas.

 

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

 

Seguindo um estilo boho, contemporâneo, com toques modernos e rústicos, as arquitetas utilizaram tons neutros com fundo acinzentado e aplicaram toques de cores em azul, verde e rosa neste projeto, além de materiais naturais, como a bancada de madeira de demolição, paredes de tijolinho e mobiliários com portas de palhinha.

Realizaram um clareamento completo do piso de madeira existente, baixando dois tons da madeira original e trocaram o verniz com brilho por verniz fosco/natural. Optaram por criar o hall social que não existia no layout com uma parede curva e pintura com efeito caiado na cor branca, molduras no elevador em MDF cor cumaru raiz e porta de acesso no ripado feito em marcenaria cor verde. Essa transformação setorizou o acesso e enalteceu a área mais importante da casa.

O quarto reversível, recebeu um painel branco com uma cama / sofá reversível, logo abaixo dos tijolinhos terrosos, foi colocada a mesa de trabalho ou estudo solta no ambiente e uma rede de balanço para relaxar.

 

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

 

A sala de estar também recebeu iluminação técnica através de trilhos eletrificados, e a parede da lareira o mesmo efeito de pintura caiada do hall de acesso, o que destacou sua moldura grafite pré-existente. O layout com sofá azul em ilha no centro e poltrona Costella em couro caramelo compõe o conjunto. Já a sala de jantar ganhou uma mesa Saarinen oval com tampo em mármore Carrara. Paredes com battem board na cor branca e quadros e iluminação que envolvem a decoração.

 

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

 

Na cozinha integrada com península e bancada em madeira orgânica, todos os acabamentos foram trocados, como os móveis em MDF cor verde Mint, MDF Cumaru raiz, tela Guararapes e MDF Corten dando acabamento à coifa. Apenas a bancada em quartzo cinza foi mantida.

 

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

 

O quarto do casal teve sua varanda ampliada para incorporar um home office com uma mesa de madeira que também tem função de apoio de cabeceira. Recebeu pintura nas cores rippie chique e vermelho veneziano na marcenaria. As arquitetas trabalharam com uma prateleira superior na cor freijó puro. Demais móveis soltos como a cômoda, mesinhas de cabeceira e o espelho de piso, foram inseridos no projeto para finalizar o ambiente dando um toque ainda mais “espontâneo” ao apartamento.

 

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

 

As profissionais tiveram dois grandes desafios no projeto. O primeiro foi a realização da parede curva da entrada e da lareira, com a pintura denominada como “efeito caiado”. Esse tipo de pintura e efeito não é daquelas que se vende pronto nas lojas e ainda nunca tinha sido produzida por nenhum fornecedor do escritório. Para incorporar essa pintura, tiveram um processo de trabalho com diversos testes de materiais e aplicação, até chegarem na melhor receita e então produzir à mão em todas as paredes que levaram o efeito.

O segundo desafio foi o tempo de obra. Como tratava-se de uma mudança de um apartamento antigo para um apartamento novo, com data de mudança já pré-estabelecida, muitas das soluções adotadas foram realizadas também em função do prazo, como por exemplo a escolha por preservar parte da caixaria dos móveis planejados existentes trocando todas as portas, acabamentos e iluminação em trilho, para que não fosse necessário rebaixar um forro com gesso para receber spots, os tijolinhos da parede do quarto reversível foram preservados nesse espaço, mas receberam cara nova com o ambiente inteiro transformado, entre outras soluções propostas.

 

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

GOUP NEBRASKA Easy Resize com

GOUP NEBRASKA Easy Resize com ()

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagens: Leo Giantomasi

 

 

CAU RS – Carta à sociedade e aos gestores públicos

porto alegre enchente inundacao x Easy Resize com

Carta aberta reconhece urgência e sugere estratégias para promover a transformação social e a regeneração do espaço urbano e ambiental no Rio Grande do Sul

 

Se na natureza tudo é sistêmico, cada elemento do espaço responde a uma série de pressões e de interações com os demais elementos deste espaço, que não somente busca se adaptar a eles, como também desempenha um papel importante para e, por vezes, sobre eles. O Impacto, portanto, é algo inquestionável: estamos afetando relações ecológicas complexas que buscam um equilíbrio dinâmico natural e sustentam a continuidade de seus processos.

Durante longo período, a estratégia da engenharia fluvial e hidráulica esteve focada em retificar o leito dos rios e córregos para que suas vazões fossem dirigidas pelo caminho mais curto e com a maior velocidade de escoamento possível, visando ganhar novas terras para a agricultura, novas áreas para a urbanização e minimizar os efeitos locais das cheias. E apesar de ser natural o ser humano estabelecer sua morada próximo a cursos d’água, construir cidades sob essa concepção gera consequências negligenciáveis, principalmente à nível de planejamento.

O fato é que em meio à urbanização, é preciso encontrar meios de conviver, seguir leis, fazer compensações e se atentar a impactos que possam ser provocados a curto, médio e longo prazos, e causam prejuízos cada vez maiores, por vezes irreversíveis. O que ocorreu nos 497 municípios afetados no Rio Grande do Sul exige um novo olhar sobre como as cidades são pensadas e planejadas. Atento às questões da moradia e do planejamento urbano e ambiental, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/RS) elaborou a “Carta à sociedade e aos gestores públicos”, explicitando seu posicionamento e sugerindo contribuições para a reconstrução dos municípios gaúchos afetados pelas enchentes.

Leia abaixo na íntegra!

 

Carta à sociedade e aos gestores públicos

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul expressa sua solidariedade à toda a população gaúcha afetada pelas enchentes ocorridas. Estamos solidários e também mobilizados, em todo o Estado e em todo o país, para minimizar o sofrimento dos atingidos, com ações emergenciais humanitárias, com nossa estrutura colocada a serviço de abrigos e colegas voluntários.

Neste momento, o Rio Grande do Sul conta com a imensa maioria de seus 497 municípios afetados e cerca de dois milhões de cidadãos atingidos pelas enchentes, inundações e deslizamentos de terra, eventos extremos que reforçam as mudanças climáticas em curso. As consequências desse desastre foram agravadas pelo despreparo e descaso com os impactos ambientais pelo próprio poder público.

Esta tragédia revela problemas causados pela flexibilização extremada da legislação ambiental nacional e estadual, pela ocupação desordenada do território, sem intervenção dos governos municipais (ou até mesmo com sua aprovação) e pela negação e negligência para com a ciência e a técnica entre outros fatores.

Presenciamos sucessivos governos destruírem órgãos públicos capazes de pensar e executar o planejamento urbano e regional (vide METROPLAN), sucatear os serviços públicos com a diminuição e desvalorização dos quadros técnicos, impedindo assim que novos profissionais se incorporem à atividade pública e a qualifiquem. O que se vislumbra para nossos centros urbanos é a necessidade e urgência de mudarmos as velhas práticas de gestão do território e produção de espaços urbanos para que eventos dessa dimensão nos encontre menos suscetíveis aos eventos climáticos e não se transformem em calamidades como esta.

Precisamos de cidades planejadas, respeitando a sua geografia e o meio ambiente, e regiões metropolitanas que funcionem de modo articulado e eficaz. Para isso, é absolutamente necessário manter um serviço público de qualidade na área do planejamento urbano e regional. Temos que levar em conta que as emergências, em maior escala, e em extensões menores ou maiores, podem acontecer em qualquer lugar, mas que tragédias como as que estamos vivenciando são consequências de má gestão. Acreditamos ser urgente que as diferentes escalas do poder público estejam atentas e preparadas para lidar com a eminência de desastres ambientais desta magnitude em seus territórios.

Além das insubstituíveis perdas humanas e das perdas patrimoniais, ambientais e sociais imensuráveis que se apresentam no presente, o futuro que desponta é de profundos impactos económicos, sociais e políticos no desenvolvimento do Estado. Teremos pela frente muitos anos de trabalho e reconstrução. Nessa linha, para evitar que tragédias de tamanha magnitude se repitam, sugerimos os seguintes pontos como contribuição à reconstrução:

  • Promover amplo debate sobre a legislação ambiental do Estado suspendendo Projetos de alteração e flexibilização;
  • Promover a elaboração e revisão dos planos diretores considerando a urgência e a importância do mapeamento e da revisão das áreas de risco e condicionantes de vulnerabilidade ambiental dos territórios, considerando dispositivos de monitoramento, e sua imediata implantação;
  • Garantir a efetiva implantação da Lei nº 11.888/2008, Lei de Assistência Técnica pública e gratuita para o projeto e construção de habitação de interesse social – ATHIS, como instrumento permanente nos órgãos públicos, não vinculada às gestões;
  • Promover a saúde pública através de planos de qualificação habitacional, ligados às ações de ATHIS;
  • Garantir a participação das instituições de planejamento nos Conselhos Municipais de Planejamento Urbano e da Cidade de forma obrigatória;
  • Promover a participação da população e o debate sobre meio ambiente e urbanização nas Conferências Municipais das Cidades;
  • Promover de forma permanente a capacitação institucional dos gestores municipais e estaduais em planejamento urbano e ambiental e gestão do território;
  • Promover a Inovação e a Tecnologia priorizando o planejamento e desenho urbano das cidades, os espaços livres e as pessoas;
  • Implantar e ampliar políticas públicas de proteção ao Patrimônio Histórico e Ambiental;
  • Garantir o cumprimento e observância à legislação urbana e ambiental existente, a partir de sua real implementação, e baseada em estudos técnicos;
  • Fortalecer os sistemas de Defesa Civil e Gestão de Riscos, a partir do Estado, para os municípios, e que se implemente a criação da(s) agência(s) técnicas que deveriam ser os braços executivos dos comitês de bacia (a exemplo da Lei Estadual do RS nº 10.350/1994);
  • Promover parcerias institucionais com as universidades locais, utilizando o saber científico na produção de dados e apoio à tomada de decisão, a partir do entendimento da importância da ciência e da educação de qualidade;
  • Priorizar a aplicação de recursos no desenvolvimento e execução de projetos com o objetivo de adaptação das cidades à mutação climática em curso.

É imperativo que as gestões municipais adotem uma nova abordagem, em diversas escalas, implementando estratégias que reconheçam a urgência da situação como uma oportunidade para promover a transformação social e a regeneração do espaço urbano e ambiental.

Salientamos que arquitetos e urbanistas são especialistas não só em habitação, mas também em planejamento urbano, e deverão ser responsáveis por coordenar as equipes multidisciplinares que irão atuar no processo de reconstrução das cidades.

Por fim, temos certeza absoluta de que o Rio Grande do Sul possui conhecimento e técnica suficientes para dar resposta à altura das necessidades do momento e do futuro. Nossos profissionais arquitetos e urbanistas, e nossas instituições são reconhecidos internacionalmente. Os profissionais gaúchos possuem conhecimento do território, conhecimento da ciência e compromisso com seu povo, três elementos necessários para reconstruir nossas cidades.

Andréa Hamilton Ilha – Presidente CAU/RS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: CAU RS
Imagem: EFE/ Isaac Fontana

Decoração orgânica: o uso de formas e texturas naturais do design de interiores

iStock Easy Resize com

A integração de elementos naturais na decoração reflete uma mudança de paradigma no design de interiores

 

A decoração orgânica vem ganhando destaque no mundo do design de interiores por sua capacidade de criar ambientes acolhedores e conectados com a natureza. Essa abordagem busca incorporar elementos naturais, como cores, formas e texturas, para promover sensações de conforto e bem-estar, além de proporcionar um visual único e harmonioso aos espaços.

Essa ascensão de decoração reflete uma mudança de paradigma no design de interiores, onde os espaços são concebidos como extensões da natureza, em vez de meros ambientes construídos. A abordagem vai além da estética superficial, buscando uma integração mais profunda com o meio ambiente e uma experiência sensorial enriquecida para os ocupantes dos espaços.

Ao incorporar elementos naturais de maneira cuidadosa e deliberada, como cores extraídas diretamente da paleta da natureza, com conchas, pedras e texturas que evocam a sensação tátil de estar em contato com o mundo natural, a decoração orgânica visa estimular todos os sentidos, criando assim um ambiente verdadeiramente imersivo.

Para aplicar a decoração orgânica em um espaço, é importante seguir algumas dicas simples. Desde a escolha de uma paleta de cores inspirada na natureza até optar por materiais naturais na composição do ambiente, como madeira, pedra e cerâmica; além disso, é essencial considerar alguns outros aspectos-chave.

Cores da natureza

Uma das características marcantes da decoração orgânica é o uso de uma paleta de cores inspirada na natureza. Tons terrosos, verdes, azuis e neutros são frequentemente utilizados para criar ambientes que remetem a paisagens naturais. Essas cores transmitem calma, serenidade e proximidade com a natureza, contribuindo para um ambiente mais relaxante e equilibrado.

Suavidade e harmonia

As formas orgânicas, inspiradas em elementos naturais como folhas, flores e pedras, são fundamentais para esse estilo de decoração. Móveis e acessórios com linhas suaves e curvas ajudam a criar uma atmosfera acolhedora e fluida, que se assemelha aos ambientes naturais. Essas formas também contribuem para a sensação de conforto e relaxamento, tornando o espaço mais convidativo.

Elementos táteis na decoração

Além das cores e formas, as texturas também podem ser exploradas. Materiais naturais, como madeira, pedra, fibras naturais e tecidos orgânicos, são frequentemente utilizados para adicionar camadas de interesse visual e tátil aos espaços. Essas texturas criam uma sensação de conforto e acolhimento, além de trazerem a natureza para dentro de casa.

Aplicação em diversos espaços

Quanto à aplicação prática da decoração orgânica, ela pode ser adaptada e incorporada em uma variedade de espaços, incluindo residências, escritórios e espaços comerciais. Em residências, por exemplo, a decoração orgânica pode ser aplicada através da escolha de móveis com formas curvas e materiais naturais, como sofás com linhas suaves, mesas de madeira e tapetes de fibras naturais.

Em escritórios, pode ser integrada por meio de elementos como divisórias de bambu, luminárias de design orgânico e paredes verdes. Já em espaços comerciais pode ser explorada por meio de fachadas verdes, paredes texturizadas com materiais naturais e móveis ergonômicos e confortáveis para os clientes.

Esses exemplos demonstram como a decoração orgânica pode ser adaptada e aplicada de forma criativa e funcional em diversos tipos de espaços, criando ambientes mais saudáveis, sustentáveis e harmoniosos.

Decoração e sustentabilidade

Trata-se de um estilo de decoração que também se destaca pela sua abordagem sustentável, que valoriza o uso de materiais ecológicos e a prática da sustentabilidade ambiental, dado que a escolha de materiais como madeira de reflorestamento, bambu, cortiça e tecidos orgânicos contribui para a preservação do meio ambiente. Além disso, a reutilização de materiais e o uso de técnicas de baixo impacto ambiental são práticas cada vez mais valorizadas na área.

Intersecção entre arquitetura e arte

Muitos arquitetos têm preferência por linhas curvas, que podem aparecer na decoração orgânica de diversas maneiras. Isso inclui características estruturais e objetos decorativos como almofadas, vasos e quadros, que agregam estilo a um ambiente.

A relação entre arquitetura e arte faz com que uma influencie diretamente a outra, seja em cores, reflexões, texturas ou formas. A arquitetura, como expressão artística, vai além da estética. Ela também serve como meio de comunicação, transmitindo as intenções do profissional de arquitetura e urbanismo, inspirando reações daqueles que interagem com o ambiente.

Nesse sentido, a capacidade das formas orgânicas de se adaptarem facilmente e interagirem com as novidades do mundo da decoração faz delas uma tendência perene. Seja por meio de novas cores, tipos de acabamentos ou formas de aplicação, essas formas continuam a agregar valor à decoração, mantendo-se relevantes em diferentes contextos e estilos.

De maneira geral, trata-se de uma decoração que oferece uma maneira única e inspiradora de integrar a natureza aos espaços interiores, refletindo a busca por uma maior harmonia entre o homem e a natureza, tornando os espaços mais sustentáveis e agradáveis de se viver.

Por fim, é importante compreender que a decoração orgânica vem sendo cada vez mais valorizada por arquitetos. Isso porque se trata de uma abordagem que não apenas cria espaços esteticamente agradáveis, mas também promove uma maior conexão com a natureza, contribuindo para o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas que buscam integrar o ambiente construído com o ambiente natural.

iStock Easy Resize com
Fotografia: Aleksandra Zlatkovic/iStock

Artigo – O Muro da Mauá e a memória das enchentes

Muro da Maua na enchente Flavio Dutra

Artigo da jornalista graduada em Museologia Letícia Turcato Heinzelmann defende que ao lembrarmos do passado podemos viabilizar a prevenção de novas tragédias

 

*por Letícia Turcato Heinzelmann

A enchente histórica que enfrentamos em 2024 abre os olhos de Porto Alegre para a importância de um personagem que vinha sendo constantemente criticado, ameaçado e, mais perigoso, negligenciado. O Muro da Mauá faz parte do sistema de proteção contra cheias da capital gaúcha. Neste ano, completa seu 50.º aniversário, sempre apontado por parte da população como vilão que obstaculiza a fruição do Lago Guaíba. Porém, essa cortina de defesa foi projetada a fim de evitar catástrofes na cidade, que está em posição geográfica vulnerável a enchentes: a apenas três metros acima do nível mar e às margens do desaguadouro de uma bacia hidrográfica que corresponde a um terço do Rio Grande do Sul.

As cheias do Guaíba são observadas pela população desde a fundação da cidade, há mais de 250 anos, como bem registra o escritor Rafael Guimaraens, em A enchente de 41: “Consta que os casais açorianos fundadores de Porto Alegre teriam se encantado com o enorme rio que lhes proporcionaria água abundante e a visão de um pôr-do-sol inigualável. Mas esta beleza toda teria um preço”. Recebendo as águas dos rios Jacuí, Caí, Gravataí e Sinos, além do Taquari, chuvas fortes, mesmo a quilômetros de distância, acabam convergindo ameaçadoramente em direção à capital, que fica suscetível a alagamentos.

Não há recorrência precisa para o registro de cheias, que podem ser mais ou menos graves a depender de uma série de fatores climáticos. Geralmente, altos volumes de chuvas são registrados em anos de El Niño, fenômeno em que o Oceano Pacífico fica mais quente que a média histórica. Foi o caso em 1914, 1926, 19 40, 1967, 1983, 2015 e 2023, anos em que as águas do Guaíba atingiram níveis de atenção na primavera. Em 1941 e agora em 2024, outros fatores climáticos somados contribuíram para a recorrência de fortes chuvas no outono, ocasionando novas e mais severas enchentes em maio: as marcas históricas, respectivamente, de 4,76m e 5,33m.

O Muro da Mauá foi construído para conter uma cota de até seis metros – e tem cumprido sua função. O alagamento da cidade, porém, ocorreu devido a falhas em uma das comportas e em casas de bombas. Isso se deu pela falta de manutenção, uma recorrência ao longo destes 50 anos. Na primeira tentativa de fechamento dos portões, em 1983, eles já estavam enferrujados. No ano passado, a comporta que protege a região do 4.º Distrito e uma bomba já haviam falhado. E tudo indica que não houve reparos desde então, visto o resultado da enchente cidade adentro.

Até há pouco, ainda se falava em derrubar o muro e substituí-lo por alguma alternativa mais “estética”. Falou-se até em instalar acervos de arte nos armazéns do Cais, o que foi combatido por pesquisadores de Conservação e Patrimônio Cultural. Diante da impossibilidade técnica de tal empreendimento, ele não foi nem substituído nem cuidado.

Se já ocorreu em 1941 – a grande enchente que mobilizou o planejamento do Muro da Mauá –, não era possível saber o que estava por vir em 2024? Mas quem lembrava recentemente da enchente de 1941 e da função do muro?

O apagamento de memórias traumáticas após sucessivas gerações é um fenômeno comum, especialmente em catástrofes que podem ter recorrência após longos períodos – Letícia Turcato Heinzelmann

A pesquisadora Myrian Sepúlveda dos Santos utiliza o termo “pós-memória”, cunhado pela americana Marianne Hirsch, que “caracteriza a experiência daqueles que crescem dominados por narrativas que antecedem seu nascimento, moldadas por acontecimentos traumáticos que não podem ser totalmente compreendidos, recriados; caracteriza, portanto, a experiência daqueles que têm suas próprias histórias afastadas pelas histórias de gerações anteriores”.

A dificuldade de expressar o trauma pode levar a um apagamento do alerta para gerações futuras. Conceitos como memória coletiva e memória social remetem a fenômenos associados à relação entre passado e presente. O termo pós-memória surge para denominar um investimento imaginativo, em que não são transmitidas narrativas, mas sensações e emoções. Esse trabalho é importante para compreender as consequências que um passado traumático tem sobre gerações subsequentes. O impacto da enchente de 1941 era indizível, inarrável, como o trauma do soldado que retorna silencioso do campo de batalhas, exemplificado por Walter Benjamin.

Mas apenas ao lembrar do passado pode-se ajudar na prevenção de novas tragédias. Para isso, é necessário que haja lembretes, marcos que nos confrontem com esse sentimento incômodo. O Muro da Mauá foi construído para proteger Porto Alegre das águas. Sua construção entre 1971 e 1974, no contexto de grandes obras executadas pela Ditadura Civil-Militar, se deu, portanto, sem debate popular – o que gera ruídos até hoje.

Com a redemocratização e o crescente engajamento social e ambiental da população de Porto Alegre, ele passou a ser colocado em cheque e questionado enquanto obstáculo entre a cidade e seu lago. Porém, ele cumpre seu papel e poderia incorporar novas funções simbólicas, como a de preservar as memórias das enchentes, tonando-se patrimônio de alerta, um “antimonumento”, na definição de Márcio Seligmann-Silva: o patrimônio que opera dentro dos sentidos filosóficos de lugar, território e rituais, tendo capacidade de advertir sobre situações-limite enfrentadas por uma população.

Essa nova função de antimonumento exerceria um “trabalho de memória”, definido por Paul Ricoeur como uma exigência vital. Para além de lembrar, a memória precisa ser trabalhada de forma recorrente, obsessiva. Manuel Reyes Mate fala sobre “dever de memória”, em perspectiva originada na filosofia apriorística de Kant.

O Muro da Mauá está lá há 50 anos, de prontidão, mas sem nos informar nada. Diante do aquecimento global e da perspectiva de agravamento de eventos climáticos extremos, não devemos deixar de trabalhar essa memória. Só em alerta iminente estaremos nós também de prontidão para cobrar de autoridades que as necessárias manutenções sejam feitas periodicamente a fim de que nosso sistema nos proteja de futuros traumas.

* Letícia Turcato Heinzelmann é jornalista (PUCRS), graduanda em Museologia, aluna especial no Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Urbanismo (PROPUR) e integrante do grupo de pesquisas Gestão de Acervos e Direitos Humanos (GADH) na UFRGS.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Jornal da Universidade do Rio Grande do Sul – Publicado em 29 de maio de 2024.
Imagem: Flávio Dutra

Critérios Acústicos

Imagens SITE T Easy Resize com

Elementos de estudo, controle e planejamento se tornam cada vez mais cruciais à conquista de um desempenho acústico otimizado

 

Segundo a OMS, a poluição sonora é o segundo maior agente poluidor ambiental no mundo e um grande problema da saúde pública ao influenciar os níveis de stress e cansaço mental da população. O som, um fenômeno ondulatório capaz de propagar-se através dos diferentes estados físicos da matéria (sólido, líquido e gasoso), pode ser caracterizado a partir de sua intensidade, altura ou timbre e possui frequência suficiente para ser percebido pelo ser humano.

Além de toda a compreensão sonora das ondas, a Acústica é o estudo que se dedica a explicar os fenômenos que estão relacionados à propagação dessas ondas, como reflexão, refração, difração, absorção e efeito Doppler, utilizando fórmulas e conceitos que possibilitam melhor investigação do fenômeno ondulatório a partir da avaliação de objetos que causam e propagam os diferentes sons.

A poluição sonora e outros temas importantes da acústica já fazem parte de grande debate no Brasil. A exigência cada vez maior da sociedade por desempenho acústico nas edificações requisita soluções específicas, que sejam planejadas ainda na fase de elaboração dos projetos arquitetônicos. Em pesquisa recente realizada pela DataZAP+, braço de inteligência imobiliária do grupo OLX Brasil, o isolamento acústico nos imóveis é apontado como prioridade em pesquisa sobre o consumidor e tendências de moradias no país.

Atenta a estas questões, a ProAcústica – Associação Brasileira para a Qualidade Acústica – pretende ampliar o número de atividades de intervenção urbana, com iniciativas que mesclem o debate sobre as questões técnicas da acústica com movimentos político-sociais. Um projeto no radar da associação, por exemplo, é a criação de uma certificação que indique a classificação do desempenho acústico de uma edificação, algo similar à Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, do InMetro.

Para melhor elucidar algumas questões, a CM conversou com Marcos Holtz, presidente executivo da ProAcústica e coordenador da CE 196 000 003 | Acústica Arquitetônica, da ABNT. Relator da revisão da parte acústica da norma de desempenho NBR 15575 (2018/2021), é sócio-diretor da Harmonia, empresa que oferece serviços tais como projetos acústicos, consultoria acústica, estudo de desempenho acústico, medições sonoras, ensaios acústicos, consultoria e estudo de desempenho térmico e lumínico.

 

Casa e Mercado: No que diz respeito a projetos de arquitetura para edificações, quais as implicações, sob o ponto de vista de desempenho acústico, das normas ABNT disponíveis para o setor?

Marcos Holtz: A área residencial é a que tem mais referências em normas técnicas relacionadas à Acústica. A ABNT NBR 15575, revisada em 2022, é aplicada para avaliação acústica de edificações residenciais e apresenta critérios acústicos obrigatórios de isolamento de fachadas, de ambientes internos e para ruído de impacto. Tem grande importância no mercado imobiliário, inclusive na habitação social. Para as demais áreas, como edifícios comerciais, escritórios ou hospitais, temos a ABNT NBR 10152, que apresenta níveis sonoros de referência, recomendados para diversos tipos de utilização. Em termos de incomodidade da vizinhança, existe uma norma técnica para avaliação dos níveis sonoros para a comunidade, com o emitido por equipamentos ou casas noturnas, a ABNT NBR 10151.

 

CM: Quanto à indústria fornecedora de materiais, os produtos que apresentam especificidades acústicas podem ser caracterizados para que seus desempenhos possam, de alguma forma, ser calculados? Quais os processos necessários para isso?

MH: Existem normas internacionais específicas para caracterização acústica dos materiais, que devem ser feitas em laboratório, com condições ambientais controladas. Para caracterização do isolamento acústico de materiais, temos a família de normas ISO 10140 para obtenção do descritor “Rw”. Para caracterização da absorção sonora de materiais, as normas seriam a ISO 354 e ISO 11654, que permitem obter um descritor “alpha w”. Estes ensaios são fundamentais para permitir que o projetista consiga prever a eficiência acústica dos projetos.

 

CM: Sendo a edificação um valor sistêmico, nos parece que o sistema de vedações composto por vidros, caixilhos e esquadrias, para promoção de conforto acústico, tem sua normatização desenvolvida. Também os revestimentos?

MH: Ambos os casos, tanto para isolamento acústico (fachadas, paredes, portas) quanto para revestimentos fonoabsorventes (forros acústicos e painéis acústicos de parede) tem sua normatização desenvolvida. Apesar do trabalho feito, ainda há muito a ser feito e desenvolvido, e o Brasil participa na ISO como membro com direito a voto no TC 43 SC2, onde essas normas são criadas, revisadas e discutidas.

 

CM: Nos parece que uma fragilidade da construção civil é a mão de obra qualificada para execução. No Brasil, as construções de edificações residenciais são por muitas vezes administradas pelos próprios escritórios de arquitetura. Como os escritórios de arquitetos podem garantir a qualidade de execução de um projeto acústico?

MH: É muito importante a atenção aos detalhes. Pequenas frestas podem causar um grande estrago no isolamento acústico. O ideal é contar com a assessoria de um consultor de acústica. Em casos em que isso não é possível, é recomendável que o arquiteto entenda um pouco dos fenômenos acústicos para evitar problemas. Recomendamos a leitura dos manuais da ProAcústica, que são uma excelente fonte de informação na área de acústica, prática e acessível, começando pelo Manual de Acústica Básica.

 

CM: Em uma edificação residencial ou comercial, quais são os pontos críticos os quais os arquitetos e designers de interiores devem observar em um projeto acústico?

MH: Basicamente três pontos devem sempre ser observados: Isolamento acústico, condicionamento acústico e controle de ruídos. No caso do isolamento acústico, portas, paredes e fachadas devem ser estudados em conjunto para obtenção de um isolamento equilibrado e adequado ao uso proposto. O condicionamento acústico é calculado a partir dos revestimentos internos, para garantir a qualidade do ambiente sonoro nos espaços, como salas de conferências, teatros e auditórios, e evitar espaços de aglomeração muito ruidosos, como restaurantes ou salas de embarque. O controle de ruído deve avaliar todos os sistemas mecânicos que podem causar ruído, como fancoils ou geradores, e soluções acústicas devem ser projetadas para mitigar os excessos de ruído.

 

CM: Em grandes centros urbanos, a produção de ruídos é expressiva, em face de atividades humanas. Carros, buzinas, aeroportos, construções etc. Existem mapas de ruídos, por assim dizer, por bairros ou zonas municipais, disponibilizados pelas prefeituras, para que o projetista possa ajustar seu projeto a desempenhos acústicos?

MH: Em países onde o gerenciamento de ruído já foi implementado, como os países europeus, existem diversos elementos de controle e planejamento, como mapas de ruído e sistemas de monitoramento sonoro. Em alguns mapas disponibilizados na internet é possível digitar o endereço e entender como estão distribuídos os níveis sonoros em qualquer lugar da cidade.

No Brasil temos ainda algumas iniciativas, dentre elas Fortaleza, Brasília e São Paulo. No caso de São Paulo a previsão do mapa está na Lei nº 16.499, de 20 de julho de 2016. A ProAcústica já disponibilizou mapas de ruído parciais da cidade através de ações urbanas nos últimos anos, que podem ser conferidos no site mapaderuidosp.org.br.

Imagens SITE T Easy Resize com

 

 

 

 

 

 

Imagem: Divulgação Mapa de ruído SP

Crea-SP realiza evento gratuito sobre recuperação hídrica em SP

Imagens SITE T Easy Resize com

Dividido em painéis apresentados por convidados especialistas, encontro terá foco em restauração e reabilitação de rios urbanos

 

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), realizará, gratuitamente, na próxima quinta-feira (06/06), às 15h, o seminário Meio Ambiente: Restauração e Reabilitação de Rios Urbanos, no coworking Nestor Pestana (Rua Nestor Pestana, 87, Consolação). As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo site.

O evento será dividido em painéis apresentados por convidados especialistas, que abordarão os seguintes temas:

1. A recuperação dos rios e requalificação do entorno, com Rodrigo Ohtake e Eduardo Jorge;
2. Técnicas de Restauração Verde, com Juliana Alencar e Gustavo Asciutti;
3. Expansão Urbana x Recursos Hídricos, com Nelson de Campos Lima, Antonio Iris Mazza e Lacir Ferreira Balduscco.

Na véspera do encontro, dia 5 de junho, é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, que dará mais força para que sejam debatidas soluções para o estado de São Paulo, com relação à proteção dos recursos hídricos de dois importantes rios, o Tietê e o Pinheiros. Desde 2023, o Crea-SP trabalha em conjunto à Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (Seclima) do município, em ações de preservação do descarte de resíduos poluentes e ocupações irregulares em áreas de mananciais, com o objetivo de conscientizar a população sobre a necessidade de proteger esses locais e estabelecer o diálogo de maneira que integre a sociedade civil e a área tecnológica na gestão pública.

“Nós demos o pontapé inicial, já que temos recursos que contribuirão para chegar aonde queremos mais rápido. Porém, não cabe apenas ao braço técnico. Precisamos que o processo tenha também a contribuição da gestão pública e sociedade civil, e que isso escalone de maneira mais rápida atingindo mais e mais pessoas. Assim, estabelecemos um ecossistema que facilita a tomada de decisões com base nas demandas tratadas nos painéis. Um evento de discussão sobre esse assunto é de extrema importância, já que profissionais habilitados e capacitados são os principais responsáveis pela ação transformadora capaz de revitalizar e restaurar os rios” – Lígia Mackey, presidente do Crea-SP.

 

Meio Ambiente: Restauração e Reabilitação de Rios Urbanos
Quando: 06/06, quinta-feira
Horário: às 15h
Onde: Coworking Nestor Pestana (Rua Nestor Pestana, 87, Consolação, São Paulo/SP)

 

unnamed T

Recycled Park – Uma ação sustentável

Recycled Park Foto Whim

Projeto busca demonstrar que o plástico reciclado retirado do rio pode ser uma matéria-prima valiosa para reutilização e desempenhar função ecológica

 

Uma iniciativa da Recycled Island Foundation em conjunto com a WHIM Architecture, em colaboração com o Ministério das Infraestruturas e Gestão da Água de Rotterdam, Holanda, e o serviço marítimo HEBO, o Recycled Park é uma resposta local à questão global da poluição plástica em corpos d’água; um projeto propositivo para coletar e recuperar resíduos plásticos do rio Nieuwe Maas antes de chegarem ao mar. Reciclados e ressignificados, os resíduos se tornam objetos flutuantes de HDPE (Polietileno de Alta Densidade) em formato hexagonal instalados no porto – utilizados para diversos fins, como floreiras, terraços ou áreas de estar – que ligados entre si configuram uma paisagem verde flutuante e alimentam um novo ecossistema fluvial.

O projeto foi implantado há alguns anos e contribuiu para uma abordagem internacional e integrada à poluição plástica, problemática mais que atual. Os resíduos plásticos são um problema estrutural em águas abertas. Grande parte do lixo acaba nos mares e oceanos através dos rios, onde se torna parte da poluição global. “A água é o ponto mais baixo em muitas cidades holandesas, o que infelizmente significa que os resíduos se acumulam nos nossos rios. Se garantirmos a recolha de todo o plástico na cidade e no porto de Rotterdam, impediremos ativamente o crescimento da sopa de plástico nos nossos mares e oceanos. Rotterdam pode tornar-se um exemplo clássico para cidades portuárias em todo o mundo. A realização dos blocos de construção formados a partir de plástico é um passo importante em direção a um rio sem plástico”, diz Ramon Knoester, arquiteto da WHIM Architecture e idealizador do projeto.

 

Parque Easy Resize com

Parque Easy Resize com
Recycled Park. Imagem: Divulgação Recycled Island Foundation.

 

Coletor de plástico

A Recycled Park Foundation desenvolveu três coletores de plástico passivos para este projeto, a fim de remover eficientemente o plástico do rio Nieuwe Maas. Os coletores de plástico foram testados, monitorados e otimizados durante um período experimental de um ano e meio e capturam a sujeira flutuante usando a corrente da água e retendo a sujeira flutuante quando a corrente se inverte.

Procuramos uma abordagem local e circular para a questão da poluição plástica e encontramos potencial na recuperação de plásticos do nosso rio local. Recuperar resíduos dos rios tem se mostrado mais fácil do que tentar coletar plásticos do mar aberto. Além disso, quando os plásticos são recuperados perto da fonte de poluição, a qualidade do material também é provavelmente ainda boa o suficiente para reciclagem. Os blocos de construção do nosso parque flutuante são feitos de plásticos que recuperamos. Os parques flutuantes são uma vantagem para as cidades e enriquecem o ecossistema do porto simplesmente adicionando nova vegetação e criando novos espaços para as aves nidificarem”, comenta Knoester.

 

coleto Easy Resize com
Em Rotterdam, três armadilhas passivas de lixo recuperam eficientemente os plásticos de rios.

 

O plástico reciclado é usado então para criar corpos flutuantes nos quais novas plantas crescem por cima, por baixo e por dentro. Aves, peixes e microrganismos encontram alimento, espaço para nidificar e abrigo no parque flutuante de 140 m² que estimula a biodiversidade. Importante salientar que nenhum produto químico é adicionado no processo de reciclagem e nenhum microplástico é liberado deste novo material resistente.

 

ff ebdbbbffedecd~mv ()
Recycled Park. Imagem: Divulgação Recycled Island Foundation.

 

Nos últimos 9 anos, a CLEAR RIVERS, uma organização sem fins lucrativos sob o comando de Knoester registrada como marca da Recycled Island Foundation, implementou projetos de sucesso em vários países, como Holanda, Bélgica, Romênia, Hungria, Indonésia e Malásia. Instalamos armadilhas de lixo, organizamos limpezas, programas educacionais e desenvolvemos uma gama de produtos circulares, entre os quais o parque flutuante, itens de mobiliário e materiais de construção. “Nossa abordagem ao problema da poluição plástica é uma combinação da recuperação de plástico flutuante em rios, canais e portos com armadilhas de lixo e limpezas, a criação de produtos reciclados e a educação da geração jovem”, finaliza o arquiteto. 

 

fb dab cf bcb fbeeabb

 

Conexão Setorial CM – Uma noite gastronômica com Fischer e Alicante

IMG Easy Resize com

Arquitetos e designers de interiores participam de noite culinária à convite da Casa e Mercado para dialogar com dois grandes fornecedores do mercado

 

A Fischer, fabricante nacional de eletrodomésticos e grande variedade de produtos, que atende há mais de 60 anos o setor da Arquitetura e Construção Civil, recebeu no último dia 22 um grupo seleto de arquitetos e designers de interiores em seu showroom Fischer Design Haus, para um noite gastronômica realizada pela Casa e Mercado com direito a receitas e aula culinária da Chef da casa, Ana Chapela.

O encontro também foi marcado pela presença da Alicante, importadora e distribuidora de soluções de qualidade em superfícies, há 30 anos no mercado. A empresa, que oferece grande variedade de pedras naturais, como mármores, granitos, travertinos, limestones, quartzitos e ônix, além de ampla lista de produtos industrializados de base mineral, para aplicabilidades diversas, apresentou aos presentes um pouco sobre as características do Neolith: superfície de alta performance bastante aplicada em bancadas de cozinha, com base mineral obtida através de um processo de produção altamente tecnológico conhecido como sinterização.

 

IMG Easy Resize com

IMG Easy Resize com

IMG Easy Resize com ()

IMG Easy Resize com

IMG Easy Resize com

 

Os profissionais puderam conhecer de perto, tirar dúvidas e dialogar sobre os produtos de Fischer e Alicante dispostos no showroom, em uma noite descontraída que uniu gastronomia e design de modo a criar uma imersão dentro do universo dos produtos e das capacidades e tecnologias envolvidas em cada um.

Para demostrar os produtos em funcionamento, a Chef Ana Chapela ministrou uma verdadeira aula sobre pratos em preparo e convidou alguns profissionais à colocarem a mão na massa! Ao fim, os participantes levaram para casa dois pequenos carinhos: uma amostra do Neolith e o cardápio da noite!

 

IMG Easy Resize com

IMG Easy Resize com

IMG Easy Resize com

IMG Easy Resize com

 

“Foi um encontro muito agradável, conhecemos melhor os produtos Fisher e Neolith na prática, com uma abordagem leve e interativa. É sempre bom trocar ideias com outros profissionais e ampliar nossos conhecimentos, para oferecer o melhor para os nossos clientes.” – Priscila e Bernardo Tressino, PB Arquitetura.

“O Encontro gastronômico foi um experiência literalmente deliciosa! Além de aprendermos com a Chef Ana Chapela receitas práticas e deliciosas tivemos uma aula sobre todos os equipamentos da Fischer, que eu não conhecia. O meu preferido foi a churrasqueira ranch que é elétrica, tem o tamanho de um forno embutido, não solta cheiro e além de tudo pode fazer pizza . Achei super prático e já tenho até um cliente pra ela!” – Ingrid Zarza, Inovando Arquitetura.

 

IMG Easy Resize com
Catarina Biselli e Fernanda Prado – Duno Arquitetura

 

IMG Easy Resize com
Priscila e Bernardo Tressino – PB Arquitetura.

 

IMG Easy Resize com
Ingrid Zarza – Inovando Arquitetura.

 

IMG Easy Resize com
Denise Delalamo e João Martins.

 

IMG Easy Resize com
Bob Mendes.

 

IMG Easy Resize com
Cris Vassoler e Anna Julia.

 

IMG Easy Resize com
Virginia Caldas – Estúdio Bena Arquitetura.

 

“Em uma noite de Maio, recebo um convite da Casa e Mercado para conhecer o showroom Fischer e de quebra conhecer os produtos Neolith, da Alicante. Eu jamais saberia que lá seria o endereço de onde já especifiquei muitos produtos. Coloquei a mão na massa e fiz um Quiche. Senti muito orgulho por tê-lo feito. No dia seguinte estive na casa de uma cliente que tinha um forno elétrico Fischer. Não tive dúvidas e liguei para a Katia, representante da marca, que gentilmente falou com ela explicando tudo o que o aparelho dela fazia. Depois disso minhas especificações serão sempre Fischer!” – Bob Mendes.

 

IMG Easy Resize com

IMG Easy Resize com

IMG Easy Resize com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagens: Phoética