Na Praia Brava, projeto integra arquitetura, gastronomia e paisagem em uma experiência sensorial marcada por leveza e sofisticação à beira-mar
Localizado na Praia Brava, em Florianópolis, o restaurante May, assinado pela arquiteta Mariana Maisonnave, integra o empreendimento D/Pulse, da construtora Dimas, e propõe uma experiência imersiva que traduz um estilo de vida contemporâneo à beira-mar. Mais do que um espaço gastronômico, o projeto materializa valores como bem-estar, sofisticação discreta e conexão com a paisagem natural, alinhando arquitetura e experiência sensorial em uma mesma narrativa.
Com linguagem contemporânea e atemporal, o projeto articula arquitetura e gastronomia em uma atmosfera acolhedora, construída a partir do uso de materiais naturais, texturas orgânicas e uma iluminação cuidadosamente filtrada. Inspirado no ritmo desacelerado de Florianópolis, cidade natal da arquiteta, o espaço privilegia o conforto e a vivência, reforçando uma sofisticação silenciosa em que cada elemento contribui para uma experiência de permanência e contemplação.
Estruturado de forma leve e executado em apenas 50 dias, o restaurante parte de três containers que abrigam cozinha, apoio e showroom do empreendimento. Esses volumes são conectados por um amplo deck de madeira, que organiza os fluxos e promove integração entre os ambientes.
A materialidade reforça a identidade do projeto, combinando madeira natural, pedras e revestimentos minerais, além de tecidos leves e elementos artesanais que conferem calor, resistência e delicadeza ao conjunto. A experiência é marcada por um forte componente sensorial. O toque da madeira, o som do vento atravessando os tecidos e o jogo de luz e sombra criam uma atmosfera de conforto e acolhimento. O espaço aberto e permeável dialoga com o clima local, minimizando a necessidade de climatização mecânica.
A experiência é intensificada por um projeto luminotécnico que valoriza a percepção sensorial ao longo do dia. A luz natural, filtrada por tecidos e vazados, cria sombras suaves durante o dia, enquanto à noite a iluminação artificial atua de forma pontual e acolhedora, destacando texturas e volumes.
Integrado a estratégias sustentáveis, como ventilação cruzada, uso de materiais duráveis, iluminação natural e escolha de fornecedores locais, o May reforça uma arquitetura que alia técnica, sensibilidade e responsabilidade ambiental em um mesmo gesto projetual.
De acordo com Marcus Granadeiro, somente equipes preparadas e uma visão estratégica clara, o setor público conseguirá sair do ciclo de atrasos, dos desperdícios e da baixa eficiência
*por Marcus Granadeiro
A gestão de obras públicas municipais no Brasil enfrenta hoje um momento crítico. De um lado, o crônico atraso nas entregas e a paralisação de projetos; de outro, um apagão crescente de mão de obra qualificada na engenharia.
Ao fazer uma análise de estudos da engenharia, é possível entender que os principais fatores por trás dos atrasos em edificações públicas são as constantes mudanças de escopo e a baixa maturidade na gestão dos canteiros de obras. Esse cenário é agravado por falhas estruturais recorrentes, evidenciadas em auditorias do Tribunal de Contas da União, como projetos mal elaborados pelas próprias prefeituras, ausência de padronização, baixa transparência e fiscalização insuficiente.
Mas o problema não é apenas de gestão. O Brasil vive um déficit crítico de profissionais qualificados. Dados da Confederação Nacional da Indústria indicam a falta de mais de 75 mil engenheiros no mercado. Ao mesmo tempo, levantamentos da FGV mostram que mais de 70% das empresas da construção têm dificuldade para contratar. A raiz do problema é estrutural: segundo o Confea, as matrículas em engenharia civil caíram mais de 50% nos últimos anos. Nas prefeituras, a situação é ainda mais sensível, pressionada por aposentadorias e pela falta de planos de carreira competitivos.
A resposta para solucionar o desafio passa pela digitalização integral da engenharia pública. Não se trata apenas de adotar ferramentas para acelerar processos analógicos, mas de transformar completamente a forma como projetos são concebidos, executados e gerenciados ao longo de todo o ciclo de vida dos ativos. Nesse contexto, plataformas colaborativas e Ambientes Comuns de Dados (CDE) tornam-se fundamentais. Elas permitem integrar equipes, centralizar informações e conectar o escritório ao canteiro de obras em tempo real, inclusive por meio de aplicações móveis que funcionam offline.
Com isso, atividades como registro fotográfico, diário de obra e atualização de cronogramas passam a ser automatizadas e rastreáveis. O resultado é direto: menos retrabalho, maior transparência e redução da dependência de grandes equipes operacionais em campo. Tudo isso deve ser estruturado com base em requisitos bem definidos, alinhados a padrões internacionais como a ISO 19650, que estabelece diretrizes para a gestão da informação ao longo do ciclo de vida de um ativo construído, utilizando BIM (Building Information Modeling) como base.
É sobre essa base digital que o BIM se consolida como um verdadeiro motor de governança. Muito além de modelagem 3D ou exigência contratual, o BIM transforma dados dispersos em informação estruturada, permitindo decisões mais rápidas, precisas e auditáveis.
Para os municípios, que gerenciam ativos de alto valor e longo ciclo de vida, o verdadeiro divisor de águas é a adoção do openBIM. Ao utilizar padrões de dados abertos como IFC (Industry Foundation Classes), BCF (BIM Collaboration Format) e IDS (Information Delivery Specification), o setor público garante que as informações das obras permaneçam acessíveis por 20 ou 50 anos, conquistando interoperabilidade e independência tecnológica frente aos grandes fabricantes de software.
No entanto, tecnologia sem capacitação não gera transformação. Para que essa mudança aconteça de forma consistente, é indispensável investir na qualificação das equipes. Certificações reconhecidas internacionalmente, como a PCERT da buildingSMART, são fundamentais para formar profissionais capazes de entender o BIM como processo e não apenas como ferramenta.
Somente com equipes preparadas e uma visão estratégica clara, o setor público conseguirá sair do ciclo de atrasos, dos desperdícios e da baixa eficiência. Além de modernizar processos, trata-se de reconstruir a engenharia pública sobre bases digitais, colaborativas e orientadas a dados.
Em um cenário de escassez de recursos e talentos, a digitalização deixa de ser uma escolha e passa a ser a única alternativa viável para garantir entregas mais rápidas, transparentes e sustentáveis para a sociedade.
*Marcus Granadeiro é engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP, sócio-diretor do Construtivo, certificado em BIM pelo RICS (Royal Institution of Chartered Surveyors) e em Transformação Digital pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology).
Exposição Alagoas Plural, que recentemente chegou à Milão no Fuorisalone, levou para a Europa e para os EUA uma dose dos saberes tradicionais do nordeste brasileiro
O trabalho dos artesãos tem sido cada vez mais reconhecido pelo design brasileiro. Por meio do uso de materiais naturais e referenciando a cultura e as tradições de cada região, tem-se compreendido que é pelo artesanato que o design se apresenta para as mais amplas camadas sociais. E muito dessa força criativa vem de regiões afastadas dos grandes centros urbanos, como o sertão nordestino.
É nesse contexto que a exposição Alagoas Plural chegou à edição de 2026 da Milano Design Week, apresentada na Fuorisalone. Em uma das maiores vitrines internacionais do design contemporâneo, foram expostas mais de 100 criações artesanais, assinadas por 46 criadores. E em cada peça, cores, temas afetivos e traços revelam expressões autênticas de memória, identidade e pertencimento do povo alagoano.
Alagoas Plural na Milano Design Week deste ano. Foto: Divulgação.
A exposição teve curadoria de Marco Aurélio Pulchério, curador e galerista à frente da Marco500, e é fruto do sucesso do Programa Alagoas Feita à Mão, criado em 2015 para estruturar, fortalecer e projetar a produção artesanal popular do estado para o mundo. A exposição Alagoas Plural já passou por Nova Iorque, Miami, Paris e Lisboa.
Entre os criadores estão 26 artesãos individuais e 20 artesãs bordadeiras da Associação Mimos de Dona Peró, da cidade de Capela. Os mestres e artesãos foram criteriosamente selecionados em processo que abrangeu 11 localidades de 5 regiões do estado, do Sertão (Ilha do Ferro) à Zona da Mata e Litoral. Veja alguns destaques!
As cadeiras do Mestre Valmir Lessa, adornadas com esculturas de anjos, pássaros e outros símbolos culturais alagoanos, é um dos grandes destaques da mostra Alagoas Plural. Natural da Ilha do Ferro, o artesão cria peças com madeira de árvores variadas, como craibeira, pereiro e imburana. O requinte de cada trabalho é o que fez Mestre Valmir ser reconhecido em feiras pelo país.
A ecoarte ou arte ambiental, arte consciente e sustentável está na base das criações de Adriana Siqueira. Com o uso do barro vermelho, abundante em Capela, sua cidade natal, a artesão cria jarros em forma de jaca, fruta de origem indiana que se adaptou tão bem ao clima brasileiro que se tornou símbolo cultural da região.
Às margens do Rio São Francisco, o Boró Sandes no pequeno povoado de Assentamento Riacho Grande, cria peças em madeira de Craibeira, árvore nativa da caatinga brasileira. Os grandes troncos e galhos caídos, resistentes e de cor clara, ganham formas variadas, de bancos a mesas e objetos decorativos.
Da cidade de Boqueirão, Cicero Alves dos Santos, o Cicinho, retrata figuras humanas formas variadas. Os troncos e galhos utilizados na produção do artista são “madeira morta”, em respeito a natureza. Cicinho é da nova geração de artistas do povoado da Ilha do Ferro.
As histórias peculiares que Cláudio Henrique Freire da Silva, alagoano de Capela, viveu na infância são agora traduzidas em obras artesanais. Sobrinho do mestre João das Alagoas, o artesão modela suas miniaturas em barro vermelho. Como um cronista visual, Claudio da Capela, como também é conhecido, leva suas histórias para lojas, museus e estantes de colecionadores.
Pai e filha, Jaílton e Jamile Rodrigues são artesãos da Ilha do Ferro. Por meio de técnicas de entalhe em madeira de mulungu, Jaílton dá forma a pássaros e outras figuras do cotidiano da Ilha, enquanto Jamile pinta as peças com cores vivas que conferem identidade ao trabalho.
Irinéia Nunes Silva, também conhecida como Mestra Irinéia, é de Muquem, região descendente do famoso Quilombo dos Palmares. Sua arte de moldar cabeças com os olhos vazados a fez se destacar em exposições ao redor do mundo, e em 2005 foi declarada Patrimônio Vivo do Estado do Alagoas.
O “boi vazado”, que emoldura situações do cotidiano, é a principal marca do trabalho de Maria Eroneide Laurentino, a Mestra Nena da Capela. A sala de aula, as brincadeiras de criança, a banda de forró, as reuniões familiares, tudo é inspiração para o trabalho da artesão. Natural do povoado de João de Deus, Mestra Nena da Capela, modela peças em cerâmica no barro vermelho.
Para reduzir impacto ambiental, mercado tem investido em técnicas que vão desde materiais naturais até métodos construtivos industriais
O Brasil tem avançado na promoção de métodos construtivos sustentáveis. Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), os novos indicadores do setor relacionados às emissões de gases de efeito estufa (GEE) e à energia incorporada nas edificações indicam um bom posicionamento do país neste tópico.
Nas obras analisadas em 2026, o levantamento CECarbon aponta que as emissões médias foram de 0,23 tonelada de carbono equivalente por metro quadrado (tCO₂e/m²), abaixo das referências internacionais. Na União Europeia, por exemplo, calcula-se que as emissões incorporadas estavam entre 0,43 e 0,82 tCO₂e/m² em edificações.
E os métodos construtivos podem impactar positivamente na redução das emissões de carbono. Segundo o levantamento, o sistema de Parede de Concreto apresentou intensidade média de emissões de 0,19 tCO₂e/m². Já o sistema de Alvenaria Estrutural apresentou intensidade média de emissões de 0,21 tCO₂e/m². Por fim, o sistema de Alvenaria e Estrutura Convencional registrou 0,26 tCO₂e/m².
Consumo energético
No que tange energia incorporada aos materiais e aos processos construtivos ao longo da execução das obras, as construções brasileiras alcançaram 2,39 gigajoules por metro quadrado (GJ/m²), o que está nos padrões internacionais. Entre os métodos construtivos, o sistema de Parede de Concreto foi o mais vantajoso, registrando média de 2,05 GJ/m², enquanto o sistema de Alvenaria Estrutural apresentou média de 2,19 GJ/m². O sistema de Alvenaria e Estrutura Convencional apresentou média de 2,71 GJ/m².
Com esses avanços consideráveis, há ainda oportunidades a serem exploradas com técnicas que são ora tradicionais, ora inovações modernas, que podem reduzir o impacto ambiental e gerar um ciclo virtuoso na construção civil. O uso estratégico de recursos naturais e a tecnologia de construções modulares são algumas das soluções que ainda devem ganhar espaço no Brasil.
Lightwall – industrial e modular
O sistema modular tem sido cada vez mais discutido no mercado imobiliário, uma vez que faz uso de peças pré-moldadas que garantem um processo de construção muito mais ágil. Nesse cenário, o LightWall desponta como uma evolução, ao utilizar placas de cimento produzidas em modelo industrial com alta precisão, reduzindo desperdícios em processos e gerando também eficiência energética. Além disso, as chapas cimentícias do LightWall são preenchidas por EPS, feito de concreto e aditivos, que proporciona maior isolamento termoacústico, chegando a um índice de redução sonora (Rw) de até 51dB.
A empresa LightWall Brasil é uma das principais responsáveis pela difusão desta solução construtiva no país. Um de seus projetos mais recentes é o Atlantis ONE, da Tom Incorporadora, com arquitetura assinada por Renato Lincoln e curadoria de arte por Albino Miranda. O empreendimento de alto padrão, localizado em Igaratá (SP), tem área total de aproximadamente 160 mil m², dos quais mais de 40 mil m² são destinados à preservação ambiental. No projeto, a adoção de sistemas industrializados se deu pela maior previsibilidade de obra e maior controle sobre o uso de recursos, o que reduz interferências no canteiro e padroniza a qualidade da construção.
As chapas cimentícias do LightWall proporciona maior isolamento termoacústico. Foto: Divulgação.
Madeira – redução nas emissões de carbono
A madeira engenheirada tem se tornado uma opção cada vez mais reconhecida globalmente, ainda que no Brasil sua aplicação não seja em larga escala. O material, que é de origem natural e vem, desde a antiguidade, sendo empregado de diferentes formas para construção de habitações, dialoga com os anseios contemporâneos por métodos construtivos com menor emissão de carbono.
Em Atibaia (SP), o Shopping Praça Pitiguari é exemplo do uso de madeira engenheirada como método construtivo. No projeto, foram utilizadas madeira de Pinus no tipo MLC – lamelas de madeira coladas paralelamente, formando uma massa de madeira de altíssima resistência. Por ser um material renovável que minimiza a emissão de carbono, a madeira integra as estratégias do projeto para eliminar 500 toneladas de CO₂ da atmosfera. A arquitetura do empreendimento é assinada pelo escritório Todescan + Siciliano, enquanto o projeto estrutural é da Timbau Estruturas/XLAM.
Shopping Praça Pitiguari, com arquitetura assinada pelo escritório Todescan + Siciliano e projeto estrutural da Timbau Estruturas/XLAM. Foto: Divulgação.
Taipa – a terra na arquitetura
Trazida para o Brasil pelos colonizadores portugueses no século XVI, a taipa é um material que dialoga diretamente com o entorno de cada construção, pois utiliza terra crua como matéria-prima, geralmente numa mistura de argila, areia e água. Essa técnica garante um menor consumo de energia e um impacto ambiental reduzido, especialmente quando o manejo da terra é feito de forma consciente e planejada. E no longo prazo, as construções são também mais sustentáveis, uma vez que a taipa confere maior inércia térmica e ajuda a manter as temperaturas da construção mais estáveis.
O material pode ser utilizado por meio da técnica taipa de pilão, que consiste em criar camadas de taipa uma sobre a outra para formar paredes sólidas de terra, ou taipa de mão (também chamada de pau a pique), que utiliza estruturas de madeira ou bambu preenchidas manualmente com barro.
Na arquitetura, a empresa Taipal se especializou na aplicação de taipa em grandes projetos, como é o caso da Casa Mantiqueira, do arquiteto Gui Paoliello. Toda a terra gerada pela terraplenagem e proveniente das escavações das fundações foram aproveitadas no embasamento, com paredes construídas pelo método da taipa de pilão. Os benefícios sustentáveis da taipa foram ampliados com outras soluções, como aquecimento solar e captação e reaproveitamento das águas pluviais.
Casa Mantiqueira, do arquiteto Gui Paoliello. Fotos: Samuel Sá.
Sob o tema Mente e Coração, mostra acontece de 02 de junho a 09 de agosto, no Parque da Água Branca, em São Paulo
‘Mente e Coração’ é a proposta criativa para 2026 da CASACOR, maior plataforma cultural de arquitetura, paisagismo, arte e design de interiores das Américas. A mostra paulistana, principal evento do calendário, deve acontecer de 2 de junho a 9 de agosto, pelo segundo ano consecutivo no Parque da Água Branca, com apoio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e do Governo do Estado de São Paulo.
Ao propor o tema “Mente e Coração”, a nova temporada da CASACOR convida profissionais e marcas a refletirem sobre algumas das principais angústias contemporâneas. A edição de 2026 desafia os participantes a pensarem a casa como um ambiente voltado ao autocuidado e à cura, em resposta ao excesso de informações e às inquietações provocadas pela presença crescente da inteligência artificial no cotidiano. Entre os fenômenos abordados está a Síndrome de FOMO — sigla em inglês para “fear of missing out” — caracterizada pelo medo de ficar de fora ou de perder acontecimentos, informações e experiências, gerando constante sensação de apreensão e desconexão.
O tema é construído com base na pesquisa anual de macrotendências conduzida pela marca, que aponta para questões contemporâneas sobre o morar. Entre os assuntos identificados, está a relação cada vez mais íntima e necessária do ser humano com os lugares onde habita, um espaço que aceita fragilidades, ao passo que a vida editada das redes sociais só revela melhores momentos.
Num trecho do Manifesto, a equipe curatorial vai ainda mais a fundo ao sintetizar a ideia para 2026. “O casulo protege, mas também transforma. Sempre que nos abrigarmos nele, será possível trilhar o caminho da cura. Rodeados de móveis, objetos, lembranças, tradições e histórias cheias de sentido, nos reabastecemos de confiança para seguir. O resgate das inteligências psíquica, ancestral, orgânica e manual energiza e devolve o que é artificial para a caixa de ferramentas. Mais que isso, nos prepara para atuar em um planeta em burnout, que não suporta tantas dissociações. E convida a fazer convergir duas grandes forças que nós, humanos, carregamos conosco e funcionam muito melhor se pulsarem juntas: a mente e o coração”
De volta ao Parque da Água Branca, a CASACOR São Paulo 2026 ocorre de 2 de junho a 9 de agosto. Crédito: Fran Parente.
Conheça o elenco para 2026
Em 2026, a mostra ocupará 10.161m² de área construída, distribuídos em 67 ambientes, entre casas, apartamentos, estúdios, lofts e jardins, além de dois espaços dedicados a instalações artísticas e áreas voltadas à gastronomia e compras.
Para transformar o tema em experiências sensíveis e projetos autorais, a CASACOR São Paulo reúne um elenco diverso, com profissionais de diferentes regiões do país e nomes internacionais. Cada ambiente deverá explorar a convergência entre razão e emoção, técnica e sensibilidade, reafirmando o papel da arquitetura e do design como ferramentas essenciais para imaginar novas formas de habitar e responder às complexidades do nosso tempo.
Entre os grandes nomes já confirmados para a edição estão Dado e Guilherme Castello Branco, Nildo José (NJ+ Arquitetos), Leo Shehtman, Estúdio Guto Requena, Marcelo Salum e Estúdio Carlos Fortes, que ficará à frente do projeto luminotécnico da área externa, pensado para conviver em harmonia com a vida silvestre do local.
A CASACOR 2026 tem patrocínio master Deca e patrocínio local de Duratex, Portinari e Coral.
O “Ninho”, assinado por Marko Brajovic para edição de 2025. Crédito: Roberta Gewehr.
De volta à CASACOR São Paulo
Entre os profissionais que retornam à CASACOR São Paulo em 2026 estão Paulo Azevedo; Suite Arquitetos; Carlos Navero; Calio Studio Design; Felipe de Almeida (Estúdio Felipe de Almeida Design de Interiores); Natan Gil Arquitetura; Letícia Nannetti Arquitetura; Gabriel Fernandes; Felipe Carolo Arquitetura; Marcos Serrano Miralles Arquitetura; Tulio Xenofonte; Isabella Nalon Arquitetura e Interiores; Atelier Navarro Arquitetura; Daniel Castro Cunha; Rodra Arquitetura | rodraarq; Studio Costa+Azevedo – Josemar Costa Júnior e André Azevedo; Beatriz Quinelato Arquitetura; Panapaná Estúdio; e Altera Arquitetura e Interiores.
A mostra também conta com quatro escritórios que vêm se destacando em diferentes praças da CASACOR ao longo dos últimos anos e que já participaram da edição paulista. É o caso do MAAI, responsável por um ambiente de 180m² na CASACOR Brasília em 2023; de (OHMA) Nicholas Oher e Paloma Bresolin, que assinaram uma instalação inédita para a fachada da CASACOR Paraná em 2024; de João Panaggio, que integrou o elenco da CASACOR Rio de Janeiro em 2022 e 2023; e de Wesley Lemos (EstudioW+), que assinou o Saleta D’Arte na CASACOR Bahia 2025.
Estreias
Os estreantes de 2026 trazem novos olhares e repertórios à mostra. Viviane Telles Arquitetos, do Rio Grande do Norte, será responsável por dar vida à bilheteria, o cartão de visitas do evento, que deverá sintetizar o tema ‘Mente e Coração’ e proporcionar, logo na entrada, uma imersão ao visitante.
Também estreiam Rafaella Manso Arquitetura; Camilo Jr.; Bruno Borges – BSB Arquitetura; Felipe Saurin; Lucas Carrara – Arquitetura & Design; Mia Kamimura Arquitetura e Design; Duno Arquitetura + Interiores por Catarina Biselli e Fernanda Prado; Marina Salles Arquitetura e Interiores; TT Interiores; Marta Calasans; Cyro Arquitetura e Estúdio Clara Nahas.
Entre os estreantes que já participaram de outras edições da CASACOR pelo país, mas chegam a São Paulo pela primeira vez, estão Victor Niskier + ARQNISK (CASACOR Rio de Janeiro); Tarsiana Barros (CASACOR Rio Grande do Norte); e Maria Araujo Arquitetura (CASACOR Brasília).
Paisagismo
O paisagismo da edição de 2026 seguirá diretrizes ainda mais rigorosas para garantir a preservação dos jardins do Parque da Água Branca. Como em 2025, não haverá qualquer interferência nas árvores, que fazem parte do patrimônio ambiental tombado do parque e cujo manejo cabe exclusivamente à concessionária. Também seguindo a conduta do ano passado, a vegetação utilizada durante a mostra será mantida em vasos apoiados sobre o solo, sem o plantio direto nos canteiros, para que possa ser facilmente removida após o evento. Além disso, as espécies escolhidas não poderão ser tóxicas para animais e nem possuir espinhos.
Eventuais revestimentos, como pisos drenantes ou pedras, deverão ser assentados sobre plataformas elevadas, de modo que o solo permaneça intacto, e não haverá construções (ainda que temporárias) nas áreas verdes da CASACOR. Esta medida protege os canteiros, que foram integralmente recompostos com sua vegetação original após a desmontagem da mostra de 2025. Mesmo com esses cuidados, caso haja qualquer dano à vegetação arbustiva, ela será refeita após o encerramento da mostra.
Já a iluminação dos espaços externos obedecerá a parâmetros específicos, com temperatura de cor de 1.800 K (amarelo-avermelhada) e IRC acima de 90, características que promovem uma luz que não agride a vida silvestre, diferentemente da luz branca, que pode ser interpretada pelos animais como luz solar.
Os projetos de paisagismo serão assinados por Pam Faccin Arquitetura Paisagística, Estúdio Musgo por Denis Bessa, Ana Lui Paisagismo & Karen Marini Leve Paisagismo e Alexandre Galhego, da Alexandre Galhego Paisagismo, reforçando o compromisso da mostra com uma atuação responsável e integrada ao patrimônio ambiental.
Casa Toushi Duratex, por Bruno Carvalho para a edição 2025. Crédito MCA Estudio.
Internacional
Reforçando o caráter internacional da mostra, a edição de 2026 contará com nomes de diferentes origens. O designer holandês Edward van Vliet, consagrado no cenário internacional do design, atua em projetos residenciais e hoteleiros ao redor do mundo e traz para a CASACOR São Paulo seu olhar sofisticado e sua ampla experiência global. Fascinado pela diversidade cultural e natural do Brasil, o profissional promete incorporar essa inspiração ao espaço que apresentará na mostra.
A arquiteta e designer afrolatina Michele Wharton carrega sua herança panamenha, traduzindo referências culturais em linguagem contemporânea para a mostra. Já Eduardo Baldelomar, nascido em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, retorna à CASACOR São Paulo, onde participou pela primeira vez em 2023, explorando arquitetura e design de interiores a partir de suas raízes latinas e bolivianas.
Operações
A experiência do público será complementada por diferentes operações gastronômicas e de compra. O restaurante buffet Mesa Viva terá projeto assinado por Marta Martins Arquitetura. O café com livraria da Unisaber e Chocolat du Jour será desenvolvido pelo Studio Sitta+Barbo. O Cappuccino Boutique Café fica sob responsabilidade de Teresa Simões. Já a Forneria San Paolo, restaurante à la carte, contará com projeto do Stage.AEC, enquanto o bar speakeasy Shake’n Stir será assinado pelo Studio Gaibola. Também integram o mall de CASACOR as operações da Gustavo Eyewear e a loja do MASP.
Construção de conexões autênticas entre marcas e profissionais segue como um dos principais caminhos para gerar valor, confiança e relevância no universo da arquitetura e do design de interiores
O relacionamento entre marcas e profissionais especificadores tem se tornado cada vez mais estratégico no universo da arquitetura e do design de interiores. Mais do que apresentar produtos, experiências presenciais aproximam fabricantes, arquitetos e designers de forma genuína, criando conexões que fortalecem parcerias e ampliam repertórios criativos. Foi exatamente essa proposta que marcou a noite promovida pela Fischer no showroom Fischer Design Haus, em um encontro que reuniu profissionais convidados pela revista Casa e Mercado para uma imersão descontraída entre gastronomia, design e troca de experiências.
Em uma atmosfera intimista, arquitetos e designers puderam conhecer de perto soluções da Fischer voltadas ao morar contemporâneo, enquanto participavam de uma experiência gastronômica conduzida por Ana Chapela, Chef responsável por transformar a noite em uma verdadeira vivência sensorial.
Renato Marin, diretor da Casa e Mercado, e Ana Chapela, Chef da Fischer Design Haus, falam com os convidados.
A Chef Ana Chapela apresenta a dinâmica da noite aos convidados.
Comandando a cozinha da casa, Ana apresentou os pratos preparados ao longo do encontro e convidou os participantes a colocarem literalmente a mão na massa. Entre conversas e trocas sobre projetos, tendências e mercado, a experiência reforçou como a cozinha deixou de ser apenas um espaço funcional para se tornar um dos principais ambientes de convivência da casa contemporânea.
A convidada Thalita Bullara auxilia a chef Ana Chapela na elaboração dos pratos da noite.
A chef Ana Chapela explica e prepara as receitas com colaboração da convidada Cibele Rocha.
Para a Casa e Mercado, encontros como este evidenciam a importância de fabricantes manterem proximidade constante com os profissionais que especificam produtos diariamente em projetos residenciais e corporativos. Arquitetos e designers buscam cada vez mais marcas que ofereçam não apenas qualidade técnica, mas também suporte, inovação, diálogo e experiências capazes de gerar repertório e conexão com o universo do morar.
Paloma Vieira e Paloma Salles.
Luciana Latorre e Cibele Cunha.
Cassiano Silveira, Marina Reis e Gabriel Chaves.
Thalita Bullara e Geórgia Serrano.
“Iniciativas como esta se tornam ferramentas importantes para fortalecer vínculos, apresentar lançamentos de forma mais humanizada e criar espaços de troca entre indústria e especificadores. A aproximação permite que profissionais compreendam com profundidade os diferenciais dos produtos, seus processos, tecnologias e possibilidades de aplicação, enquanto as marcas também passam a entender melhor as demandas e desafios enfrentados nos projetos contemporâneos”, comenta Náiade Nunes, editora da Casa e Mercado.
A experiência proporcionada pela Fischer reforça exatamente esse movimento do setor: o de transformar showrooms em espaços vivos de convivência, relacionamento e inspiração!
Julia Sarmento, Alex Almeida Silva e Isabella Almeida Mavichian.
Rodrigo César Mendes e Anna Luisa Almeida.
Uelinton Carvalho e Cibele Rocha.
Samária Jorge Domingues, Barbara Elis e Débora Terranova.
Alex Almeida Silva e Isabella Almeida Mavichian conversam com Renato Marin, diretor da Casa e Mercado.
Nos dias 23 e 24 de maio, festival mineiro ocupa o centro da capital paulista com obras inéditas na cidade
A Festa da Luz retorna à Virada Cultural de São Paulo em 2026 com ainda mais presença no maior evento cultural da América Latina. Nos dias 23 e 24 de maio, o festival mineiro ocupa diferentes pontos do centro da capital paulista com sete instalações artísticas que unem luz, arte urbana e tecnologia.
As obras ficarão no centro histórico de São Paulo, como o Viaduto do Chá, o Vale do Anhangabaú, o Largo Paissandu e a escadaria do Theatro Municipal. A programação reúne artistas brasileiros e internacionais que trabalham com arte urbana, instalações infláveis, poesia visual e experiências imersivas em grande escala.
“Pelo segundo ano seguido, a Virada Cultural de São Paulo convida a Festa da Luz para ocupar o centro da capital paulista e dessa vez a gente chega com uma exibição maior do que a de 2025. Estamos levando sete instalações, sendo seis delas inéditas na cidade”, afirma Juliana Flores, diretora artística da FDL.
A rua é do desejo, Francisco Mallmann. Foto: Cadu Passos.
Entre os destaques está “FOCO”, do artista e arquiteto Ricardo Bizafra, instalada no Vale do Anhangabaú. A obra cria um túnel luminoso em grande escala e dialoga diretamente com a paisagem urbana do centro da cidade. Outro destaque é “Sonhando Acordado”, de Alex Senna, artista paulistano reconhecido internacionalmente por seus personagens monocromáticos e por obras que abordam afeto e relações humanas.
No Viaduto do Chá, o artista português AKACORLEONE apresenta “Templo da Luz”, instalação site specific da série homônima que propõe olhar para a cidade como espaço de contemplação e reflexão. No mesmo local, D´Paula exibe “Bonecos Black de Posto”, obra inspirada nos tradicionais bonecos de posto espalhados pelas cidades brasileiras, celebrando a diversidade de corpos e estilos.
A programação inclui ainda “No Passinho do Bolinho”, obra interativa e divertida da artista Bolinho, na escadaria do Theatro Municipal, e “A Rua é do Desejo”, instalação textual do poeta Francisco Mallmann, na pista de skate do Vale do Anhangabaú.
No Passinho do Bolinho, Bolinho. Foto: Isis Medeiros.
Thiago Mazza retorna à programação da Virada Cultural com “Plantas Pulsam”, instalação inflável inspirada nas descobertas científicas sobre os movimentos pulsantes das plantas. A obra foi apresentada no evento no ano passado e retorna nesta edição a pedido da organização da Virada Cultural.
Criada em Belo Horizonte em 2021, a Festa da Luz se consolidou como um dos principais festivais de arte pública e tecnologia da América Latina ao transformar espaços urbanos em plataformas para experiências artísticas gratuitas e acessíveis. Atualmente acontece em diversas cidades do interior mineiro e as instalações são parte da programação de festivais em todo o Brasil e em outros países..
“A nossa expectativa é ampliar cada vez mais a nossa participação em outras cidades. Esperamos que essa circulação da Festa da Luz em parceria com a Virada Cultural já seja o embrião de uma edição especial em São Paulo que a gente deseja fazer no futuro”, completa Dali Bastos, diretora de produção da Festa da Luz’.
Sonhando Acordado, Alex Senna. Foto: Yuji Kodato.
INSTALAÇÕES
TEMPLO DA LUZ – AKACORLEONE
Local: Viaduto do Chá
Endereço: São Paulo – SP, 01002-020
BONECOS BLACK DE POSTO – D´PAULA
Local: Viaduto do Chá
Endereço: São Paulo – SP, 01002-020
NO PASSINHO DO BOLINHO – BOLINHO
Local: Escadaria do Theatro Municipal
Endereço: Praça Ramos de Azevedo, s/n – República, São Paulo – SP, 01037-010
SONHANDO ACORDADO – ALEX SENNA
Local: Largo Paissandu
Endereço: Largo do Paissandu, s/n – Centro Histórico de São Paulo – SP, 01034-010
FOCO – RICARDO BIZAFRA
Local: Vale do Anhangabaú – esquina com Avenida São João
Endereço: Avenida São João, 124 – Centro Histórico de São Paulo – SP, 01310-200
A RUA É DO DESEJO – FRANCISCO MALLMANN
Local: Pista de Skate – Vale do Anhangabaú
Endereço: Corredor Norte-Sul, 905 – Centro Histórico de São Paulo – SP, 01034-040
Ornare abre as portas de sua fábrica e revela encontro entre precisão industrial e design autoral
Em um mercado onde exclusividade, acabamento impecável e personalização definem o segmento de alto padrão, visitar a fábrica da Ornare é compreender como o design brasileiro transformou a marcenaria planejada em uma experiência sofisticada de arquitetura e lifestyle. Localizada em Cotia, na região metropolitana de São Paulo, a unidade fabril da marca traduz, em escala industrial, o cuidado artesanal que consolidou a empresa como uma das principais referências nacionais e internacionais em mobiliário sob medida.
A visita revela uma operação altamente tecnológica, onde processos automatizados convivem com etapas manuais minuciosas, responsáveis por assegurar o padrão de excelência da marca. Máquinas de precisão, linhas de corte computadorizadas e sistemas inteligentes de controle de produção trabalham em sinergia com equipes especializadas em acabamento, montagem e inspeção técnica. O resultado é um produto que alia engenharia, estética e personalização em cada detalhe.
“Na Ornare, tecnologia e acabamento artesanal caminham juntos. Utilizamos processos produtivos avançados para garantir precisão, qualidade e personalização em cada projeto, mas o olhar humano continua sendo essencial em todas as etapas”, afirma Pitter Schattan, CEO nacional da Ornare. “O cuidado nos acabamentos, na montagem e na conferência final faz parte da essência da marca. A tecnologia traz eficiência e consistência, enquanto o trabalho manual garante atenção aos detalhes e a sofisticação que fazem diferença no resultado final.”
A visita à fábrica da Ornare começou com um café da manhã, seguido de breve apresentação institucional sobre a marca. Foto: Thays Cordeiro – Scene.
Ao longo do percurso pela fábrica, chama atenção a organização da cadeia produtiva e o rigor aplicado ao controle de qualidade. Cada ambiente evidencia o compromisso da Ornare com acabamento refinado, precisão milimétrica e uso criterioso de materiais nobres. Madeiras naturais, vidros especiais, metais sofisticados e superfícies tecnológicas compõem um portfólio que dialoga diretamente com a arquitetura contemporânea e o morar de luxo.
Mais do que produzir móveis planejados, a marca construiu uma cultura voltada à experiência do cliente e à valorização do design autoral brasileiro. Esse posicionamento se reflete na relação próxima com arquitetos e designers de interiores, profissionais que encontram na fábrica um espaço de desenvolvimento criativo e soluções customizadas para projetos residenciais, corporativos e de hospitalidade.
Pitter Schattan conduz os jornalistas no espaço fabril, destacando maquinários e processos na produção dos produtos Ornare. Foto: Thays Cordeiro – Scene.
Nesse contexto, Pitter destaca que o processo criativo da empresa depende de uma integração constante entre diferentes áreas da operação. “O diálogo entre criação, engenharia e produção acontece de forma muito integrada desde o início de cada projeto. As equipes trabalham juntas para transformar ideias e conceitos estéticos em soluções funcionais, viáveis e duráveis”, explica o executivo. “Como atuamos em um segmento de alta personalização, essa troca constante é fundamental para garantir que cada projeto mantenha a proposta criativa sem abrir mão da qualidade e da excelência na execução.”
A sustentabilidade também aparece como eixo importante da operação. Processos de otimização de matéria-prima, reaproveitamento de resíduos industriais e investimentos em eficiência produtiva demonstram a preocupação da empresa em alinhar sofisticação e responsabilidade ambiental, um tema cada vez mais presente no segmento premium.
Aliada a uma governança corporativa estruturada que orienta decisões estratégicas e sustenta práticas consistentes de ESG, a marca apresenta anualmente seu relatório ESG (Environmental, Social and Governance), que destaca suas iniciativas em responsabilidade socioambiental. Acesse o Relatório de Sustentabilidade disponível no site: https://www.ornare.com.br/documentos/esg.pdf
A editora da Casa e Mercado Náiade Nunes, ao lado de Pitter Schattan – CEO nacional da Ornare, posa com o grupo de jornalistas que visitou a fábrica da marca em Cotia. Foto: Thays Cordeiro – Scene.
Ornare: 40 anos
Em 2026 a marca celebra 40 anos, décadas protagonizadas por projetos icônicos, expansão nacional e internacional, iniciativas em arte e liderança feminina, compromisso com práticas sustentáveis e presença nos principais eventos de design do Brasil e do mundo. Os fundadores, Murillo e Esther Schattan, permanecem ativos na gestão e no acompanhamento das operações da empresa. A continuidade do legado da companhia é conduzida pela nova geração: Pitter Schattan, CEO nacional, responsável pela expansão no mercado brasileiro, e Stefan Schattan, CEO internacional, à frente das operações globais da Ornare.
Com 17 showrooms no Brasil e 15 em mercados estratégicos como Estados Unidos, Europa e Emirados Árabes, a Ornare mantém presença ativa no circuito global de design, que posiciona a marca como parceira de arquitetos, incorporadoras, construtoras e clientes que buscam soluções sob medida com relevância cultural e valor agregado.
“Completar 40 anos é reconhecer uma história construída com consistência, mas também com inquietação criativa. Ornare sempre acreditou no design como ferramenta de expressão, identidade e longevidade”, afirma Murillo Schattan, sócio-fundador da Ornare. “Esse marco representa um olhar de gratidão para o passado e, ao mesmo tempo, um compromisso renovado com o futuro.”
Esther e Murillo Schattan, sócios-fundadores da Ornare, ativos na gestão e no acompanhamento das operações da empresa, ao dos filhos Pitter Schattan, CEO nacional, responsável pela expansão no mercado brasileiro, e Stefan Schattan, CEO internacional, à frente das operações globais da Ornare. Foto: Kenji Nakamura.
Ao longo de sua trajetória, a marca construiu um legado não apenas por meio de projetos arquitetônicos de destaque, mas também pela origem e desenvolvimento de coleções que se tornaram referência em design de alto padrão. Importante lembrar que a consistência da marca em diferentes mercados é sustentada por um modelo produtivo centralizado: todos os projetos da marca, no Brasil e no exterior, são produzidos, finalizados e expedidos a partir da fábrica de Cotia, que tivemos a oportunidade de conhecer.
Essa estrutura produtiva centralizada também representa um dos principais desafios da operação da empresa. “O principal desafio hoje é equilibrar um alto nível de personalização com eficiência e qualidade em toda a operação. Cada projeto tem características únicas, o que exige muita flexibilidade, precisão e atenção aos detalhes”, observa Pitter. “Por isso, investimos constantemente em tecnologia, processos e capacitação das equipes. Mais do que ganhar escala, nosso foco é garantir consistência, controle e excelência em cada entrega, independentemente do nível de customização do projeto.”
Showroom da Ornare em Milão. Mais do que um endereço dedicado à exposição de produtos, o espaço propõe uma vivência imersiva, na qual design, arquitetura, arte e lifestyle se entrelaçam para expressar uma forma atual e sofisticada de viver. Fotos: Henrique Padilha.
No mercado internacional, a marca participa de diversos projetos de destaque nos Estados Unidos, como o St. Regis Residences Sunny Isles Beach, em Miami, consolidando sua capacidade de atender aos mais altos padrões do mercado global.
Segundo Stefan Schattan, CEO internacional da marca, a expansão faz parte de uma estratégia que respeita a essência da Ornare. “Crescer, para nós, nunca foi apenas abrir novos endereços, mas entender cada mercado, cada cultura e construir relações duradouras com arquitetos, incorporadoras e clientes. Os 40 anos reforçam essa maturidade e nos dão ainda mais clareza sobre onde queremos chegar.”
Além de coleções e projetos de destaque no cenário nacional e internacional, a empresa também assina empreendimentos residenciais de alto padrão, como o Autoria by Ornare, o ORO Ilha Pura by Ornare, e o Next by Ornare, reforçando sua atuação como protagonista na integração entre design e arquitetura. Recentemente, a Ornare foi responsável pelo desenvolvimento do mobiliário sob medida para o retrofit do Hotel Unique, um ícone da hospitalidade de luxo, com projeto de interiores assinado pelo renomado arquiteto João Armentano.
Ornare e Ilha Pura anunciam uma aliança estratégica para o lançamento de um novo residencial com o selo by Ornare, na Barra da Tijuca. A parceria reflete uma união de valores essenciais compartilhados pelas marcas: inovação, excelência e sustentabilidade. Foto: Tiago Morena.
No campo da liderança feminina, a sócia-fundadora Esther Schattan atua ativamente em iniciativas que promovem o desenvolvimento e o protagonismo de mulheres nos negócios. Integra o EY Entrepreneurial Winning Women Brazil, programa global de mentoria voltado a empreendedoras em processo de aceleração, e participa do Mulheres Positivas, plataforma criada em 2016 por Fabi Saad, que reúne conteúdo, debates e eventos dedicados a temas como liderança, carreira, empreendedorismo, finanças e networking. A iniciativa conecta mulheres de diferentes setores da economia e incentiva o fortalecimento de redes de apoio, alinhando-se ao compromisso de Esther com a construção de ambientes corporativos mais diversos, inclusivos e colaborativos.
Dentre outras ações, a marca é idealizadora do Art All Around, um programa que valoriza artistas contemporâneos de diferentes linguagens e oferece experiências que vão além das exposições tradicionais, reforçando a conexão entre arte, design e cultura. Lançado em 2024 em Milão, durante a Milano Design Week, o Art All Around transforma os showrooms da marca em galerias vivas, promovendo um diálogo dinâmico entre o mobiliário sob medida e a produção artística contemporânea.
Concreto, madeira e lembranças afetivas dialogam em harmonia junto a uma arquitetura fluida, conduzida pelo desnível natural do terreno neste projeto
Projetada para ser uma residência acolhedora, leve e conectada às memórias afetivas de viagens dos moradores, além de adaptada ao convívio com pets, a Casa M&T traduz um olhar contemporâneo e sensível sobre o morar. Assinado por Marcela Rossi, do Studio 41, o projeto combina referências brutalistas e linguagem atual ao explorar o concreto aparente de maneira elegante e delicada.
O terreno, marcado por um desnível de 4,5 metros, foi incorporado à narrativa arquitetônica como elemento central da composição, criando uma circulação fluida que conduz o olhar pelos espaços e amplia a relação da casa com a paisagem do entorno. Linhas curvas e retas dialogam em equilíbrio, enquanto materiais como concreto aparente, pedra e madeira compõem a construída — um espaço onde autenticidade e atemporalidade se encontram sob a perspectiva sensível da arquiteta sobre o morar.
A paleta clara domina os interiores, com nuances como Douro e Pecan no mobiliário Todeschini, escolhido para o décor. Os tons contribuem para uma atmosfera acolhedora e de conforto visual, ampliando a sensação de bem-estar. “Os móveis foram desenhados nos mínimos detalhes e tiveram papel fundamental na funcionalidade e integração dos espaços, inclusive ao ocultar áreas de serviço, organizar fluxos e reforçar a sensação de unidade e harmonia entre os ambientes”, destaca Marcela.