Concreto, madeira e lembranças afetivas dialogam em harmonia junto a uma arquitetura fluida, conduzida pelo desnível natural do terreno neste projeto
Projetada para ser uma residência acolhedora, leve e conectada às memórias afetivas de viagens dos moradores, além de adaptada ao convívio com pets, a Casa M&T traduz um olhar contemporâneo e sensível sobre o morar. Assinado por Marcela Rossi, do Studio 41, o projeto combina referências brutalistas e linguagem atual ao explorar o concreto aparente de maneira elegante e delicada.
O terreno, marcado por um desnível de 4,5 metros, foi incorporado à narrativa arquitetônica como elemento central da composição, criando uma circulação fluida que conduz o olhar pelos espaços e amplia a relação da casa com a paisagem do entorno. Linhas curvas e retas dialogam em equilíbrio, enquanto materiais como concreto aparente, pedra e madeira compõem a construída — um espaço onde autenticidade e atemporalidade se encontram sob a perspectiva sensível da arquiteta sobre o morar.
A paleta clara domina os interiores, com nuances como Douro e Pecan no mobiliário Todeschini, escolhido para o décor. Os tons contribuem para uma atmosfera acolhedora e de conforto visual, ampliando a sensação de bem-estar. “Os móveis foram desenhados nos mínimos detalhes e tiveram papel fundamental na funcionalidade e integração dos espaços, inclusive ao ocultar áreas de serviço, organizar fluxos e reforçar a sensação de unidade e harmonia entre os ambientes”, destaca Marcela.
Ao incorporar tecnologia, ampliar possibilidades de aplicação e responder a demandas por durabilidade e manutenção eficiente, revestimentos de parede passam a ocupar um papel central nas decisões de projeto
Ocupando um papel estratégico na definição estética e técnica dos ambientes, revestimentos de parede deixaram de cumprir apenas uma função de acabamento, contribuindo diretamente para a construção da identidade dos espaços, incorporando textura, cor e profundidade ao projeto.
Nesse contexto, soluções desenvolvidas por empresas como a Terracor, marca brasileira especializada em revestimentos acrílicos texturizados para arquitetura e design de interiores, exemplificam a evolução do setor ao unir desempenho e linguagem visual. Assim, os revestimentos se tornam parte ativa da arquitetura contemporânea, refletindo um movimento do setor em direção a soluções mais precisas, versáteis e alinhadas às exigências do uso cotidiano.
Do ponto de vista técnico, a durabilidade é um dos principais diferenciais. Revestimentos acrílicos de alta performance apresentam resistência à umidade, à ação do tempo e ao desgaste cotidiano, o que amplia sua aplicação tanto em áreas internas quanto externas. Osiel Pereira e Elaine Cuono, químicos da Terracor, esclarece que a formulação composta por aditivos nos produtos da marca confere proteção da textura contra a ação dos raios ultravioleta, aliada ao uso de pigmentos com elevada solidez à luz.
Além disso, características como lavabilidade, proteção contra fungos e estabilidade de cor garantem menor necessidade de manutenção ao longo do tempo, fator relevante em projetos residenciais e comerciais. “O emprego de fungicidas e bactericidas de alta performance presentes nos produtos da Terracor, em concentrações elevadas, asseguram máxima eficácia”, explicam os profissionais.
Completando 25 anos, o Txai Resort mantém os revestimentos TERRACOR com a mesma paleta de cores criada por Leo Laniado, que assina o projeto. Foto: Divulgação.
A aplicabilidade também se destaca como um avanço importante. Com sistemas que permitem execução mais ágil e intervenções menos complexas, esses revestimentos podem ser utilizados sobre diferentes bases, reduzindo etapas de obra. Essa versatilidade favorece reformas e atualizações de espaços sem a necessidade de grandes mudanças estruturais, alinhando praticidade e eficiência.
“A utilização do produto é possível em diversas superfícies, desde que seja realizada a preparação adequada com o primer correspondente. Cada linha possui um efeito visual específico, com técnica de aplicação definida para garantir o resultado estético esperado e a qualidade final do acabamento”, afirmam os químicos, comentando que alguns produtos de preparação são fornecidos em conjunto.
O projeto de Boscardin Corsi para a Bacio Di Latte Oscar Freire incorpora o Velvet 103. Foto: Carolina Lacaz.
Outro ponto central está na tecnologia incorporada aos produtos. O desenvolvimento de fórmulas com cargas minerais, matérias-primas naturais e, em alguns casos, componentes reciclados, amplia não apenas o desempenho técnico, mas também as possibilidades sensoriais. Texturas que remetem a pedra, cimento, metal ou superfícies naturais passam a ser reproduzidas com controle e precisão, permitindo que o revestimento atue como elemento ativo na composição arquitetônica.
De acordo com Osiel e Elaine, os produtos possuem laudos técnicos emitidos por laboratórios reconhecidos, como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que atestam sua qualidade. “A utilização de resina acrílica em quantidade e qualidade superiores às médias praticadas no mercado, associada a plastificantes e, eventualmente, ao emprego de fibras, evitam fissuras. Já a presença de agentes hidro-repelentes e coalescentes, responsáveis por otimizar a formação do filme da resina garantem baixa retenção de sujeira”, finalizam os profissionais.
O BS Gran Parc Eusébio, da Novais Arquitetura, recebe o Terracal 506. Foto: Igor Ribeiro.
Uso de materiais naturais e conexão com as paisagens locais são os diferenciais que colocam o design brasileiro sob os holofotes no mercado global
Desde 2024 o Brasil tem estabelecido recordes em projetos premiados no iF Design Awards, um dos prêmios de design mais prestigiados do mundo. Naquele ano, o país alcançou o marco histórico de 71 projetos premiados, e o número saltou para 85 no ano seguinte. Em 2026, um novo recorde: 112 projetos premiados, incluindo 2 reconhecimentos com o prêmio iF Gold Award, o mais conceituado da premiação.
E o destaque brasileiro se deu também na banca do júri. A arquiteta e designer Fernanda Marques se tornou a primeira arquiteta brasileira a compor o grupo de avaliadores do iF Design Awards, analisando projetos de categorias como Showroom Interiors, Hospitality Interiors, Public Interiors e Interior Concepts.
Criado em 1953 pelo iF International Forum Design GmbH, o iF Design Award é reconhecido por destacar excelência, inovação e responsabilidade socioambiental de projetos de design de todo o mundo. Na edição de 2026, o prêmio recebeu cerca de 11.000 inscrições de cerca de 70 países.
Áreas como Arquitetura, Arquitetura de Interiores e Design de Produto obtiveram maior número de premiados brasileiros, evidenciando que os profissionais do setor de arquitetura e decoração do país estão cada vez mais em evidência no cenário global. Confira nossa seleção!
Premiado com o iF Gold Award na categoria Arquitetura de Interiores, o projeto Casa Alvorada uniu sustentabilidade e atemporalidade. Inspirada na arquitetura japonesa, Thais Keiko Monteiro, à frente da D76 Incorporadora, projetou um layout flexível, adaptável, que integra áreas externas e internas, com amplo uso de materiais naturais.
Também recebeu o iF Gold Award, na categoria Design de Produto, a luminária Tempo, assinada por Cláudia Monteiro Salles com o Estúdio CMS. Inspirada na dualidade entre os conceitos gregos de chronos, o tempo linear, e kairós, o momento oportuno, a peça convida o usuário à experimentação, regulando a posição para explorar as possibilidades da iluminação.
O projeto Anexo do Mirante, do escritório Siqueira + Azul Arquitetura, propõe uma ampla integração entre a construção e a paisagem. A simbiose entre a arquitetura, as formações rochosas do entorno e a vegetação natural criam o ambiente perfeito para restauração do corpo e da mente.
Inspirado no legado de Lina Bo Bardi, o banco B, do estúdio Sette7, traz uma visão contemporânea para o brutalismo. Por meio do uso de pedra natural e do design biofílico, o projeto se mostra versátil e conectado com os anseios modernos por conexão com a natureza.
A estante Samba é tão cheia de movimento quanto o ritmo musical que a inspirou. Assinada pelo escritório Anna Maya Arquitetura, a peça é composta por módulos que podem ser reposicionados de diferentes formas a depender das necessidades ou do momento do usuário. A estante é flexível e capaz de se reiventar ao longo do tempo.
A linha de revestimentos Matéria, desenvolvida pela Deca e pela Castelatto, do grupo Dexco, amplia as possibilidades do pitcher como matéria-prima, um resíduo obtido da trituração de louças sanitárias descartadas pela indústria. Logo, o projeto impulsiona a economia circular, gerando peças ricas em texturas e cores.
Revitalizar uma edificação sem descaracterizar a construção original exige habilidade técnica e sensibilidade. E isso foi bem executado pelo @MIGSARQUITETURA no projeto Residencial Codajás. Elementos como a escada escultural e o piso de peroba-do-campo foram preservados, e o granito colonial passa a coexistir com a pedra hijau na piscina.
Jader Almeida projetou, para a Sollos, uma coleção que reflete os estudos sobre luz, sombra, ângulo e perspectiva. Assim, surgiu a cadeira LACE, uma síntese entre arte, técnica e emoção, que traz presença e atemporalidade.
O formato dos cogumelos e a forma como eles crescem em curvas inspirou o desenvolvimento da luminária Mushroom, da New Line Iluminação. A peça, cujo corpo é produzido em poliestireno e moldado por termoformagem a vácuo, pode ser instalada no teto ou na parede, criando um efeito que oculta a origem da luz.
A Central de Experiências Flamboyant Urbanismo, projetado pelo escritório UNYT Arquitetura, foi um dos destaques na categoria Retrofit. Um antigo home center foi transformado num espaço para a apresentação de empreendimentos imobiliários e realização de eventos do setor, com alta tecnologia e design sofisticado.
Com um estilo tipicamente brasileiro, que harmoniza linhas curvas e retas, o sofá Anish, desenvolvido por Leo Romano para a Movelaria Brasileira, oferece conforto e versatilidade. A base de madeira traz os elementos naturais sob um olhar contemporâneo. A precisão no design faz com que a peça se destaque em qualquer ambiente.
Juliana Pippi criou para a Itens, com direção criativa de Mariana Amaral, a coleção Cipó, em 2023, com luminárias que combinavam pontos de luz com cordas de sisal. A coleção evoluiu ao longo do tempo e recebeu um design mais escultural, explorando as possibilidades que os metais oferecem para distribuir as esferas luminosas.
Ao refletir o estilo de vida de um jogador de futebol, sua mulher e seus filhos, o design de interiores da Casa Manto busca aliar comodidade e refúgio com a paixão e o dinamismo dessa família. Manto, afinal, é o nome que comumente se usa para se referir às camas de futebol, unindo as ideias de pertencimento e proteção. O projeto é do escritório Schuchovski Arquitetura.
Um dos maiores ícones da cultura brasileira, os grãos de café inspiraram a coleção de mesas Café. Os tampos, feitos de madeira certificada ou vidro refletivo, são divididos, de forma simétrica, por um vão central, evocando memórias afetivas. Assinado por Giácomo Tomazzi para a Líder Interiores, o design é de uso modular.
Luz e sofisticação deram o tom da arquitetura da Residência Embaúbas, assinada pelo escritório Padovani Arquitetos. Dois volumes perpendiculares, unidos por uma curva sutil, resultam num design que evoca precisão técnica e sensibilidade poética. A alternância entre áreas sólidas e vazias dão ritmo e harmonia visual.
O escritório Andrade Maia Advogados encarregou o arquiteto Luciano Dalla Marta para humanizar os ambientes. Em um edifício com certificação LEED, o design priorizou a fluidez e flexibilidade, reutilização 100% do mobiliário e de elementos arquitetônicos do antigo escritório. Sustentável, o projeto conta com paineis solares e sistemas de reuso de água de chuva.
Tecnologia flutuante que purifica e regenera a água, o projeto Caravela une ciência e poesia. Desenvolvido pelo Furf Design Studio para a Infinito Mare, a peça é uma escultura que estimula o crescimento de algas nativas, removendo poluentes como nutrientes, metais e combustíveis. A Caravela é feita com materiais recicláveis e alimentada por energia solar.
O modernismo brasileiro foi reinterpretado pela Dexco na Coleção Nexus, integrando arquitetura, design e natureza. Em um sistema modular que possibilita infinitas combinações de layouts, cada elemento é projetado para mínimo desperdício e durabilidade prolongada. Os revestimentos combinam precisão tecnológica e autenticidade cultural.
A dor de uma tragédia precisa ser respeitada para que a ferida cicatrize. Assim, a AVABRUM, encabeçada pelas famílias das vítimas do desastre na barragem de mineração em Minas Gerais, elencou Gustavo Penna para a criação do Memorial de Brumadinho, no local do desabamento. A arquitetura acompanha o contorno do terreno e integra estratégias regenerativas como energia fotovoltaica e telhado verde.
Com inteligência geoespacial, o monitoramento apoia ações de conservação, quantificar estoques de carbono e ampliar oportunidades ligadas à restauração ambiental e ao mercado ESG
O Governo de São Paulo, por meio da Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil), lança na próxima sexta-feira (15) uma plataforma inédita de monitoramento da biodiversidade no Estado de São Paulo, que reúne inteligência geoespacial, imagens de satélite e dados ambientais estratégicos para apoiar ações de conservação, quantificar estoques de carbono e ampliar oportunidades ligadas à restauração ambiental e ao mercado ESG. A apresentação será realizada durante o AVISTAR 2026, que acontece no Jardim Botânico de São Paulo.
Com investimento de R$ 2,5 milhões, a plataforma integra informações de todas as Unidades de Conservação administradas pela Fundação Florestal e reúne mais de 30 mil registros de espécies, além do mapeamento de 20 mil hectares prioritários para restauração ambiental. A solução permite o monitoramento da fauna, a quantificação de estoques de carbono, a identificação de vetores de desmatamento e a geração de rastreabilidade ambiental alinhada às exigências do mercado ESG. Os dados deverão apoiar ações de conservação, pesquisa científica, planejamento territorial e atração de investimentos ambientais.
A programação também reúne apresentações sobre monitoramento de aves, ciência cidadã, bioeconomia e conservação da Palmeira Juçara, além da divulgação de dados inéditos sobre carbono em manguezais e impactos de rodovias sobre a fauna paulista.
Destaques da programação
– Dados inéditos sobre estoques de carbono em manguezais;
– Estudos sobre impactos de rodovias na fauna, incluindo pesquisas com muriqui-do-sul;
– O papel da ciência cidadã no monitoramento da biodiversidade;
– Bioeconomia e conservação associadas à Palmeira Juçara.
Programação – Auditório DS
09h30 | Lançamento da Plataforma de Biodiversidade
O diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz, apresenta a nova plataforma de inteligência ambiental, que reúne mais de 30 mil registros de espécies e identifica áreas prioritárias para restauração ecológica no Estado de São Paulo.
09h45 | Monitoramento de Aves nas Unidades de Conservação
Andréa Pires, diretora de Biodiversidade da Fundação Florestal, apresenta os resultados do subprograma de aves do MonitoraBio, que utiliza a avifauna como bioindicadora da saúde das florestas paulistas.
11h15 | PSA Juçara e Bioeconomia
Ana Madalhano e Claudete Hahn, do Departamento de Biodiversidade da Fundação Florestal, mostram como o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) tem contribuído para a geração de renda, conservação da biodiversidade e proteção da Palmeira Juçara.
Com foco na brasilidade, projetos refletem a essência de cada região por meio do uso de madeira e tons terrosos, bem como pela seleção de mobiliários e artesanatos decorativos
A primeira Bienal de Arquitetura Brasileira, exposta entre os dias 25 de março e 30 de abril, no Parque Ibirapuera, evidencia a essência dos criadores de cada região do país. Selecionados por concurso, os escritórios de arquitetura e interiores criaram ambientes que refletem as principais tendências de cada localidade brasileira, com materiais e escolhas estéticas que atualizam antigas tradições.
Organizado no Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), o Pavilhão Brasil organizou os ambientes selecionados a partir dos biomas nacionais, como Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia, etc. Cada espaço, de 100m², é assinado por um escritório diferente, e a mostra ainda conta com espaços exclusivos dos patrocinadores, que vão desde Breton a By Kami, Westwing, e muitos outros.
Em toda a mostra, alguns elementos ganharam destaque, como o uso de fibras naturais, madeira, artesanatos, além de espaços que têm o mobiliário como protagonista e o uso recorrente de cobogós. Tais elementos trazem uma interação entre os interiores e a paisagem brasileira, tão rica em recursos naturais que podem gerar uma arquitetura mais sustentável e conectada com suas origens.
Fachada Pacumbra. Crédito: Sirlei Oldoni.
Cobogó
Tradicional da arquitetura brasileira, o cobogó foi um dos elementos mais recorrentes na Bienal de Arquitetura Brasileira, recebendo inclusive um design próprio para o evento. Utilizado desde fachadas até a divisão de ambientes internos, o item foi explorado em toda sua versatilidade.
A Lepri desenvolveu um cobogó exclusivo para Bienal de Arquitetura Brasileira, com um design que remete à sigla da mostra. Feita de argila, como é tradicionalmente feito pela marca, as peças representam a proposta do evento de ressaltar a brasilidade na arquitetura, e foram utilizadas na fachada.
Crédito: Sirlei Oldon.
Fabiano Lins, no Projeto DO SERTÃO, coloca as ripas de madeira para e os cobogós como elementos vazados que integram os espaços, sejam eles internos ou externos. Representando a Paraíba, o espaço é repleto de componentes que remetem às tradições sertanejas.
Crédito: Adriano Pacelli.
No projeto que representa o Amazonas, o cobogó foi utilizado para dividir ambientes íntimos. Fernanda Rubatino, no espaço Casa Terra, traz o elemento em combinações com outras peças de origem natural como terra e madeira, para evocar a sustentabilidade e homenagear Sebastião Salgado.
Crédito: Iram Guimaraes.
Madeira
Um dos materiais utilizados de forma mais diversificada foi a madeira, presente em painéis, forros e elementos cenográficos. Além de trazerem calor e remeterem a espaços de afeto, a madeira é utilizada tanto na sua forma bruta, com formas orgânicas, ou trabalhada em revestimentos.
Na Casa Empate, representando o Acre, a arquiteta Marlúcia Candida especificou a madeira de diferentes formas, seja no revestimento das paredes, na aplicação de bambu e no painel de cabeceira da cama.
Crédito: Everson Martins.
Uma estrutura de madeira de demolição engenheirada, na qual uma viga apoia a outra, foi instalada na Casa Superlimão, do escritório Superlimão. O material também está presente no piso para reforçar o aspecto sustentável do projeto.
Crédito: Everson Martins.
A Casa Corcovado, assinada por Paula Martins para representar o Rio de Janeiro, levou a madeira também para a cozinha, tanto na marcenaria de MDF dos armários quanto no conjunto de mesa e cadeiras.
Crédito: Sirlei Oldoni.
Materiais vegetais
Palha, sisal e outros materiais de origem vegetal tiveram diferentes aplicações, desde painéis e forros a elementos cenográficos. Além de trazerem texturas e aguçar os sentidos, as fibras naturais remetem ao que a natureza oferece em cada região do país.
A Casa Pedro Neves: Raiz e Trânsito, assinado por Larissa Catossi e Guilherme Abreu, representa o Maranhão e traz diferentes aplicações das fibras naturais com resultados distintos: no painel, da sala de estar, convida ao toque; no tapete, traz aconchego.
Crédito: Everson Martins.
Fibras naturais também assumem protagonismo na Casa Dí Chico, no escritório Black Arquitetos. A luminária sobre conjunto de mesa e cadeiras de madeira, assim como em outros pendentes espalhados pelo projeto, remetem à paisagem da Caatinga.
Crédito: Adriano Pacelli.
O Pará foi representado pelo Projeto Caminho dos Rios, do Studio Tuca, onde elementos decorativos com fibras naturais harmonizam com os diferentes usos de madeira e com a textura nos revestimentos.
Crédito: Adriano Pacelli.
O projeto Tão Paulista Quanto a Avenida, do escritório Os Gêmeos Arquitetura e Engenharia, usou grandes ripas de madeira natural para evidenciar um aspecto do Estado de São Paulo que vai além do estereótipo industrial e urbano que costuma ser associado à região.
Crédito: Iram Guimaraes.
Tons terrosos
Remetendo à terra e aos recursos que a natureza oferece para a construção das casas brasileiras, muitos projetos apostaram em tons de marrom e bege. A ideia é representar o barro, a argila, a taipa de pilão, e assim, honrar as tradições que originaram a nossa arquitetura.
A Casa Trussardi exprime a pesquisa do Estúdio Vida de Vila sobre o uso de técnicas tradicionais com terra na arquitetura. O barro no reboco, feito com apoio da Taipal, expressa a conexão da materialidade no território.
Crédito: Sirlei Oldoni.
A Casa do Mastro, que representa a Bahia, marca uma segunda parceria entre o Estúdio Vida de Vila e a Taipal. Os revestimentos terrosos das paredes dialogam com os diversos outros materiais naturais do ambiente.
Crédito: Iram Guimaraes.
No Rio Grande do Sul, o marrom chega num tom mais frio e sóbrio. O Projeto Querência Amada, do Studio Carbono + Matte Arquitetura, traz outra abordagem para essa coloração tão popular na arquitetura brasileira e, acompanhado pela lareira, expressa o clima da região.
Crédito: Everson Martins.
Arte e artesanato
Por meio de trabalhos manuais e expressões artísticas diversas, o design de interiores ganha mais autenticidade e conexão com as variadas regiões do Brasil. Materiais como tecidos e cerâmica recebem protagonismo.
Projetado pela Cité Arquitetura, de Celso Rayol, o restaurante Biomas Breton reverencia a Caatinga e a Amazônia. Dois salões são separados por cor, adornados com arte nas paredes e tecidos no forro. As cadeiras Breton recebem bordados de peixes do Rio São Francisco.
Crédito: Iram Guimaraes.
Representando Goiás, a Casa de Amélia foi inspirada na avó de Mara Sandra, arquiteta que, ao lado de Luyara Godoy, comanda o escritório Bendito Traço Arquitetura. No ambiente, elementos tradicionais da cultura goiana conferem o aspecto acolhedor que se espera para receber os entes queridos.
Crédito: Sirlei Oldoni.
A Casa que Dança, do escritório Boscardin Corsi, traz a arquitetura paranaense dos anos 1950 para os dias atuais. E elementos decorativos, que podem ser adaptados por cada morador, essas mutações que a arquitetura pode sofrer. A obra feita de tecido, que cai na parede, expressa esse movimento com leveza.
Crédito: Iram Guimaraes.
Areia é protagonista no Projeto Casa de Veraneio, do escritório Rodra Arquitetura. O espaço homenageia o Rio Grande de Norte com itens decorativos, mobiliário de madeira e um belo painel da artista potiguar Ariel Guerra que reproduz diversos símbolos culturais e naturais do estado.
Crédito: Everson Martins.
Inspirado na influência da tribo macuxi na cultura de Roraima, a Casa-território, de Rayresson Rocha, Estúdio Modullus e Jacqueliny Ramires, traz forte inspiração indígenas. Além de contar com obras que remetem às tradições dos povos nativos, ainda conta com panelas feitas por indígenas yanomamis.
Crédito: Everson Martins.
Louças de barro feitas em Itabaianinha, no Sergipe, são ressignificadas como obras de arte no Relicário de Voinha, do Estúdio Mangaba. O espaço ainda conta com amplo uso de materiais têxteis e quadros de artistas sergipanos, unindo a tradição artesanal com a visão artística contemporânea.
Crédito: Adriano Pacelli.
Na Casa de Arlê, do arquiteto Marcus Garcia, a representação do Tocantins se dá principalmente pelo trabalho dos artistas e artesãos locais, incluindo peças decorativas de origem indígena e quilombola. Obras de arte e peças de design também são assinadas por tocantinenses, para contar a história do estado.
Crédito: Iram Guimaraes.
Inspirada nas águas vivas, a instalação “A Água é Viva”, da By Kamy, traz peças feitas de bordados, assinadas por Elisa Lobo. Os itens são produzidos linhas encontradas em rios e oceanos, gerando consciência socioambiental. Parte do projeto é idealizado por Francesca Alzati
Crédito: Adriano Pacelli.
Superfícies
A combinação de diferentes materiais geram experiências únicas no trato com superfícies. Os contrastes entre tecnologia e natureza, bem como a frieza das pedras com o calor da madeira, permitem sensações que revelam as especificidades de cada região do país. As diferentes possibilidades com as linhas curvas também exploram o que as superfícies podem representar na arquitetura, algo que brasileiros como Oscar Niemeyer executaram com pioneirismo.
Fogão à lenha de pedra-sabão, armários de madeira, pisos de cerâmica… Cada elemento compõe um cenário que remete ao aconchego tradicional daquele que é o principal espaço numa casa mineira: a cozinha. A Casa Adélia Prado, projeto de Marina Reis, une singeleza e sofisticação.
Crédito: Sirlei Oldoni.
Jeferson Branco explorou as possibilidades na especificação dos materiais no Projeto Pavilhão de Santa Catarina. O forro de madeira, o painel de cerâmica e a coluna de concreto ajudam a compor um visual mais urbano mas integrado com a regionalidade.
Crédito: Everson Martins.
O modernismo brasileiro do Distrito Federal é reinterpretado pelo escritório Debaixo do Bloco, com o projeto Moderno no Viver. O corredor curvo que inicia o percurso se abre para um espaço amplo, inspirado na arquitetura de Brasília. O uso do concreto bruto reflete o método pela qual a capital foi construída.
Crédito: Sirlei Oldoni.
Vidro e materiais industriais
Versátil, o vidro foi aplicado nos ambientes de diferentes formas, incluindo mobiliário e detalhes construtivos. Combinado com madeira e materiais de origem natural, os projetos ganharam dinamismo ao permitir que o efeito translúcido promova outros tipos de relação entre espaços e objetos.
Na Casa Ñanjderaja, da arquiteta Deborah Nazareth, o tampo de vidro da mesa da centro não é apenas um detalhe estético, mas um meio de revelar a beleza dos apoios de pedra arredondadas. Presente também nas grandes janelas por onde entra a luz natural, o vidro se torna o elo entre natureza e modernidade.
Crédito: Everson Martins.
Inspirado em Carolina Maria de Jesus, o arquiteto Gabriel Rosa usou materiais diversos que inspiram a criatividade na Casa da Escritora. Em contraste com os revestimentos de madeira, o tampo de vidro da mesa e as peças de inox trazem uma nova vibração para o espaço, remetendo à estimulante vida na cidade de São Paulo.
Crédito: Adriano Pacelli.
Mobiliário
Sofás, mesas de centro, poltronas, estantes… O design brasileiro de móveis é bastante rico e tem sido projetado cada vez mais em linhas curvas, não apenas para trazer conforto mas para remeter à natureza e às paisagens do Brasil. Na mostra, o mobiliário foi apresentado de forma diversificada e criativa.
O Pavilhão do Espírito Santo, assinado por Letícia Finamore, tem como princípio reduzir excessos e valorizar a permanência, o que se reflete nas escolhas do mobiliário. O design com linhas curvas trazem aconchego para que se possa desacelerar o ritmo no ambiente e sentir as sensações do ambiente com calma.
Crédito: Sirlei Oldoni.
Na Casa Pernambuco, de Thayná Padilha Arquitetura, o sofá curvilíneo conversa com o paisagismo, repleto de plantas que remetem ao estado nordestino. O paisagismo é assinado por Cris Castro. Em contraste, a estante com linhas retas traz dinamismo para o visual.
Crédito: Sirlei Oldoni,
A exposição de mobiliário da Westwing é feita de modo a ressaltar a identidade visual da marca. As peças escolhidas dialogam com o turquesa da estrutura que as sustenta, e ainda são expostas como obras de arte, para serem apreciadas. O espaço é assinado por Marcelo Rosembaum.
Cortinas e persianas consolidam-se como ferramentas arquitetônicas completas, capazes de unir performance técnica, expressão estética e experiência sensorial em uma mesma solução
Por muito tempo percebidas apenas como complemento decorativo, as cortinas e persianas assumem hoje um novo papel na arquitetura contemporânea: tornam-se elementos estruturantes dos ambientes, capazes de dividir, orientar e transformar espaços com flexibilidade, conforto e apelo sensorial. Em projetos residenciais e corporativos, o recurso têxtil deixa de ocupar apenas janelas e passa a interferir diretamente na dinâmica espacial, substituindo paredes, criando percursos e redefinindo a experiência de permanência nos ambientes.
Segundo André Sihle, do Trade Marketing da Uniflex, essa mudança reflete uma transformação mais ampla na forma como a arquitetura contemporânea compreende os interiores. “Na arquitetura contemporânea, as cortinas deixaram de ser apenas um elemento decorativo e funcional; elas passaram a atuar como elementos arquitetônicos, influenciando luz, conforto térmico, acústica e até a organização espacial”, afirma.
A versatilidade do elemento têxtil acompanha uma demanda crescente por ambientes multifuncionais e fluidos. Em vez de compartimentações rígidas, as cortinas oferecem soluções dinâmicas para adaptar espaços conforme diferentes usos ao longo do dia. “As cortinas separam espaços sem a necessidade de paredes, posicionam e valorizam elementos, criam percursos imprimindo a dinâmica do espaço e flexibilizam os ambientes conforme a necessidade do uso: segmentado ou amplo e fluido”, explica Sihle.
No Apartamento Heritage, assinado por André Luque, Cortina Senses Uniflex acompanha o movimento da luz e reforça a continuidade entre interior e exterior. O caimento delicado desenha curvas sutis e acompanha o ritmo natural do projeto. Foto: Sipá Filmes.
Essa característica tem sido amplamente explorada tanto em residências compactas quanto em grandes projetos corporativos. Nos escritórios contemporâneos, por exemplo, o uso de tecidos ajuda a amenizar a frieza dos materiais predominantes, como vidro, metal e concreto. “A cortina surge quase como um elemento capaz de humanizar ambientes historicamente rígidos”, observa o executivo. Mais do que acabamento, ela atua como um recurso de sensibilização da arquitetura corporativa, promovendo acolhimento visual, conforto acústico e bem-estar.
O aspecto sensorial também ganha relevância. Tecidos esvoaçantes, transparências e sobreposições criam movimento e estabelecem relações mais intuitivas entre os usuários e os espaços. Para Sihle, há um resgate contemporâneo do tecido como linguagem arquitetônica ancestral. “Quando pensamos em circulação, a cortina atua como um elemento flexível e mutável, diferente das paredes rígidas. Ela permite redesenhar percursos de forma intuitiva e sensorial”, diz. Segundo ele, o espaço passa a adquirir uma espécie de “coreografia”, alternando fluidez, introspecção e privacidade conforme a necessidade.
De acordo com o escritório, o tecido desenha atmosferas que se adaptam aos momentos de silêncio e movimento. A cortina deixa de ser apenas acabamento para se tornar gesto. Foto: Sipá Filmes.
Além da estética, a funcionalidade técnica impulsiona o protagonismo das cortinas na arquitetura atual. Soluções acústicas, tecidos tecnológicos e sistemas automatizados ampliam o desempenho dos ambientes. Em espaços onde a cortina substitui divisórias fixas, por exemplo, a escolha do tecido é determinante para o conforto sonoro. “Tecidos mais encorpados, com tramas fechadas ou camadas múltiplas, têm maior capacidade de absorção sonora, reduzindo reverberação e criando ambientes mais confortáveis e íntimos”, destaca.
A automação também redefine a relação entre usuário e ambiente. Cortinas motorizadas e integradas aos sistemas inteligentes da casa permitem controlar luminosidade, temperatura e privacidade de maneira programada e eficiente. “Mais do que conforto, isso traz uma preocupação ambiental, onde luz natural, temperatura e privacidade são ajustadas de forma automática, reduzindo o uso de energia”, afirma Sihle. Em ambientes multifuncionais, essa tecnologia possibilita mudanças rápidas de configuração, potencializando diferentes usos para o mesmo espaço.
No escritório da arquiteta Melina Romano, a corta atua como elemento arquitetônico. a transparência do tecido não interrompe, mas conduz o olhar, permitindo que a atmosfera seja marcada por movimento constante. Foto: André Sihle.
Do ponto de vista projetual, incorporar cortinas como parte da arquitetura exige planejamento desde as etapas iniciais. Questões como espaço para recolhimento, infraestrutura elétrica e especificação adequada dos sistemas precisam ser previstas em conjunto com o desenho arquitetônico. “Os produtos não podem mais ser estáticos. Flexibilidade, diversidade de materiais e integração entre soluções são fundamentais para potencializar a dinâmica dos ambientes”, ressalta Sihle.
Entre tecidos naturais, materiais tecnológicos e sistemas inteligentes, o setor aponta para um futuro em que os interiores serão cada vez mais adaptáveis, acolhedores e emocionalmente conectados aos usuários. E nesse cenário, cortinas e persianas consolidam-se não apenas como elementos decorativos, mas como ferramentas arquitetônicas completas, capazes de unir performance técnica, expressão estética e experiência sensorial em uma mesma solução.
Projeto integra fluidez espacial, materiais naturais e memória afetiva em uma leitura contínua e contemporânea do morar
No apartamento de 270 m², localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o projeto assinado por Babi Teixeira nasce a partir da nova dinâmica da família de Laura Braz. Hoje ocupado pela filha, que se mudou para a cidade para iniciar a faculdade, o imóvel passou por uma reforma que prioriza fluidez, conforto e funcionalidade, traduzindo um estilo de vida mais contemporâneo e descomplicado. A proposta reorganiza completamente os espaços sociais, eliminando barreiras visuais e criando uma integração mais natural entre varanda, living e sala de jantar, valorizando a amplitude e a convivência.
Como base do projeto, o piso em travertino navona semiestucado percorre todos os ambientes sociais, conferindo unidade visual e uma atmosfera elegante e atemporal. Sobre essa superfície neutra, materiais naturais como madeira, linho e tecidos leves ajudam a compor interiores acolhedores, enquanto peças de design brasileiro e obras de arte da família acrescentam identidade e personalidade aos espaços, sem excessos decorativos. No living, a marcenaria sob medida percorre toda a parede principal e se estende até a área de jantar, funcionando simultaneamente como apoio funcional e suporte para objetos, livros e a coleção de arte da família.
A distribuição dos ambientes privilegia o uso cotidiano e o conforto dos moradores, com áreas amplas, circulação livre e diferentes espaços de permanência que acompanham os diversos momentos do dia. A iluminação segue a mesma lógica do projeto: discreta e indireta, ela valoriza texturas, materiais e obras de arte, contribuindo para uma atmosfera acolhedora e sofisticada, marcada pelo equilíbrio entre elegância e naturalidade.
Novas peças destacam parcerias com escritórios e profissionais do setor, incorporando identidade e pluralidade criativa em mobiliário autoral
Com mais de 80 anos de história, a Lider realiza no dia 6 de maio, um evento exclusivo em sua loja em Vitória para apresentar sua nova coleção, intitulada Pausa. O evento terá a presença da designer do Estúdio Lider, Glauciene Duarte, e Pedro Moog, designer do Estúdio Lattoog. A experiência será complementada com coquetel assinado pela chef Anna Arreguy.
A nova coleção faz uma ode à pausa, com peças que priorizam conforto e bem-estar, propondo um convite à desaceleração e à redescoberta do tempo de estar. Entre as novidades estão a cadeira Poltrona Enseada e a Cama Luna, assinadas pelo Lattoog, a cadeira Uçá, de Larissa Catossi, e o sofá Olivo, desenvolvido pelo escritório FGMF.
A Cadeira Ada, assinada por Estúdio Lider, apresenta estrutura em madeira maciça com quinas arredondadas. O estofamento suspenso cria contraste entre estrutura e volume acolchoado. Na parte posterior, a estrutura cruzada evidencia o encontro entre madeira e tecido, tornando o sistema construtivo parte da linguagem da peça. Foto: Divulgação.