Toma que o lixo é seu!

Imagens SITE

Por Antonio Cândido Carneiro de Azambuja Neto*

 

Muito se tem dito e feito a respeito da necessidade cada vez mais imperativa de se reciclar as coisas. E, consequentemente reciclar pressupõe coletar seletivamente o material para esse fim. E assim, coletando seletivamente os materiais, a sociedade tem entendido ser essa a melhor forma de preservar as coisas. Para onde tem ido o lixo coletado seletivamente? A melhor resposta são aterros sanitários, criados e administrados para esse fim: receber esse lixo. Mas será que isso é verdade? Será que esses aterros sanitários realmente existem e que o lixo coletado tem sido designado às empresas de reciclagem e o restante encaminhado para lá?

Sem falsas especulações ou preocupação quanto à realidade dos fatos, convido-os a um passeio por uma proposta. Uma proposta simples que talvez possa revolucionar todo o processo social como hoje é conhecido e aceito. Vamos tomar por base toda mercadoria comprada por uma família no supermercado. Agora, vamos considerar o lixo gerado por essa família. De maneira bem simples e direta, bastaria que esse lixo, separado de acordo com as orientações vigentes – lixo orgânico, Metal, Vidro, Papel, Plástico – fosse devolvido ao lugar de onde ele veio, isto é, ao supermercado. Isso mesmo. Vamos devolver o lixo gerado – a caixa de sabão em pó, o vidro do palmito, a lata de ervilha, etc. para o supermercado, que seria o polo centralizador desse lixo.

Mas, vamos imaginar a expressão, muito popular nos anos 80, “Toma que o filho é seu!”. E, partindo dela vamos imaginar que o supermercado recepcionaria esse lixo e, digamos, o “devolveria” por sua vez aos distribuidores que venderam esses produtos: as caixas de sabão aos distribuidores de sabão, os vidros de palmito aos distribuidores de palmito e assim, a cada distribuidor seus “filhos”, ou melhor, seus lixos. E esses distribuidores fariam o mesmo com seus lixos, isto é, retornariam aos fabricantes que produziram inicialmente esses produtos, agora lixos.

Quero convidar a todos os gênios criativos a aguçarem suas mentes e começarem a projetar novas criações que envolvam, por exemplo, menos embalagens – o adoçante poderia ser uma pequena folha biodegradável adocicada que seria colocada diretamente na bebida, dispensando o atual saquinho. Que a indústria de higiene e limpeza aprimore o sistema utilizado nos caminhões que percorrem as ruas nos bairros oferecendo produtos de limpeza caseiros, isto é, bastaria que eu ou você levássemos as embalagens vazias e as recarregássemos no ponto de venda, simples e óbvio não acha? Sem falar no quanto de plásticos somos obrigados a levar para casa – tudo que compramos é embalado por plástico!!! E as bandejinhas de isopor? Foram banidas as caixinhas que embalavam os sanduíches nas redes de fast-food, mas as gôndolas de frios, e carnes nos mercados continuam repletas delas….

O que espero com esse exercício é imaginar que agindo dessa forma comecemos a mudar o mundo convidando todos os envolvidos no processo a conhecer e a reconhecer o lixo que produzem. A expectativa é que os fabricantes tenham uma melhor consciência na hora de conceber seus produtos, preocupando-se com o tipo, a qualidade e a quantidade de lixo que retornaria posteriormente e a consequente aplicação que esses poderiam ter.

Assim, receber seu “filho” de volta será algo muito melhor do que é hoje.

 

*Antonio Candido Carneiro de Azambuja Neto – Especialista em política e estratégia pelo NAIPPE/USP, Economista e professor do curso de Administração da Universidade Guarulhos e Faculdade Anhanguera.

 

 

 

Um novo lar!

Easy Resize com

Reformulados totalmente, ambientes foram planejados para abarcar todas as necessidades dos moradores com funcionalidade e elegância.

 

Um casal jovem e arrojado, que gosta de misturar itens contemporâneos internacionais com objetos e móveis de grandes artistas nacionais, queria um projeto que contemplasse amplos espaços aconchegantes e quatro suítes, sendo que uma delas seria para hóspedes.

O apartamento de 815 m² nunca havia sido habitado e não estava em bom estado. Localizado em um prédio estilo neoclássico bastante bonito e simbólico, próximo ao emblemático hotel Unique, em São Paulo, o imóvel sofreu transformações estruturais complexas para que fosse possível dividir claramente o conteúdo programático em três andares: Pavimento Íntimo, Pavimento Social e Escritório. Para isso, o escritório do arquiteto David Bastos propôs alterar os dois elevadores sociais do prédio, visto que havia apenas uma saída na cobertura, transformando-a em duas (Intima e Social) – O prédio aprovou!

“O espaço foi completamente reformulado e pensado para ser elegante, funcional e atemporal.” – David Bastos

O pavimento íntimo integra apenas a área de serviço, as suítes, uma sala íntima e uma copa para conforto imediato. No pavimento social há uma grande sala de estar dividida em dois ambientes, a sala de jantar, o lavabo, a cozinha e um espaço gourmet em continuidade expressiva para a área da piscina. No pavimento do escritório há, para além do escritório, um lavabo e um sundeck com vista privilegiada para a copas das árvores dos jardins América e Europa.

Aqui, o espaço foi completamente refeito. No piso, mármore Travertino foi aplicado por todo o pavimento e, ao fundo, um painel em sanfona dá acesso à sala de jantar, com mesa e cadeira Sergio Rodrigues. Uma das principais exigências do prédio foi que prevalecesse as esquadrias de madeira. No amplo estar foi possível aproveitar estas janelas envolvendo-as pelos nichos da estante e emoldurando a vista com a marcenaria. Grandes tapetes, da Phenicia Concept, delimitam e aconchegam o ambiente.

 

Easy Resize com

Easy Resize com

 

Nos pavimentos superiores o projeto previu revestimento de tecido almofadado para as paredes, com lâmina da madeira nogueira e um piso de travertino romano. No pavimento inferior optou-se por colocar um piso de madeira de demolição de canela retirado de uma fazenda antiga, material que se destaca no pavimento todo. Para integrar uma circulação vertical que não ocupasse muito espaço a opção foi projetar uma escada circular, caracol, em aço corten. A escada destacou-se e tornou-se um marco no projeto. 

 

Easy Resize com

 

A área externa contempla uma piscina e um confortável ambiente para descanso. Conectado a ela, uma cozinha/churrasqueira gourmet e simultaneamente um estar íntimo. Todos os painéis se movem transformando o lugar para a função desejada.

 

Easy Resize com

Easy Resize com

 

A cozinha longitudinal, toda feita sob medida pela Ornare, conta com um passa-prato que liga a cozinha com a copa e, posteriormente, a copa com a sala de jantar. Funcional, a bancada vira aparador apenas subindo a guilhotina. 

 

Easy Resize com

 

O dormitório, bastante aconchegante, foi desenvolvido para pessoas que não entram com sapatos. A cabeceira recebeu couro La Notiva.

O banheiro é totalmente novo, inclusive no formato e localização. Um destaque é o posicionamento da janela correr, por trás do mármore da parede. A clássica banheira, centralizada no canto, é Vallvé.

 

Easy Resize com

Easy Resize com

Imagens SITE T Easy Resize com

 

 

 

 

 

 

 

Por Redação:
Imagens: Tuca Reinés

Vem aí a COP27 2022

cop x

A 27ª sessão da Conferência das Partes da ONU reunirá os líderes de todas as nações para debater sobre o clima. Brasil terá papel chave nas discussões.

 

O balneário de Sharm El-Sheihk, no Egito, será o palco do principal encontro climático deste ano: a 27ª sessão da Conferência das Partes, a COP27, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU). O evento, realizado desde 1995, reunirá os líderes de praticamente todos os países globais. Nos últimos anos, as COPs resultaram em alguns dos acordos mais importantes da história, como o Acordo de Paris, na COP21, e a criação do mercado global de carbono, na COP26.

A chamada COP27 estava originalmente prevista para ocorrer de 8 a 20 de novembro de 2021, mas por conta da pandemia de covid-19, a 26ª edição ocorreu em novembro do ano passado, deixando a 27ª edição para 7 a 18 de novembro de 2022. É possível esperar a participação de autoridades, como do alto escalão da ONU, entre eles Antonio Guterres, secretário-geral da ONU e Sanda Ojiambo, diretora-executiva do Pacto Global. Presidentes e representantes nacionais dos ministérios de clima, meio ambiente e sustentabilidade também são esperados.

 

O que é a COP?

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC) é um tratado internacional com o objetivo de estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera.

Uma das principais tarefas da COP é revisar as comunicações nacionais e os inventários de emissões apresentados por todos os países membros e, com base nessas informações, avaliar os progressos feitos e as medidas a serem tomadas.

Para além disto, líderes empresariais e a sociedade civil se unem para discutir suas participações no tema. Neste cenário, a EXAME atua como parceira oficial da do Pacto Global ONU Brasil, organização das Nações Unidas que congrega o setor privado. Veja a linha do tempo e entenda como esse debate vem se desenvolvendo ao longo dos anos:

 

LINHA DO TEMPO ESG COP

LINHA DO TEMPO ESG COP

LINHA DO TEMPO ESG COP

 

COP26: a COP das empresas

COP26, realizada em novembro de 2021 na cidade de Glasgow, Escócia, terminou com um acordo histórico que cria um mercado global de carbono. O documento, assinado por todos os países presentes, regulamentou as últimas cláusulas do Acordo de Paris e, dessa forma, permite aos países comercializar créditos de carbono entre si, um passo fundamental para fazer a transição para a economia de baixo carbono e conter o aquecimento global.

Essa conferência também ficou marcada pela participação decisiva do setor empresarial, que marcou presença em número recordo — por isso, a COP26 ficou conhecida como a “COP das empresas”. O resultado foi muito comemorado pelos empresários e executivos.

“A pressão do setor empresarial, que se posicionou de maneira contundente nesta COP — reunindo em um posicionamento 119 CEOs e 14 instituições do setor privado em torno dos principais pontos da pauta —, junto à expressiva participação da sociedade civil, academia, ambientalistas, indígenas e jovens, produziu resultados positivos”, afirmou, na ocasião, o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), entidade que reúne quase metade do PIB brasileiro.

Sobre os fatos ocorridos em Glasgow, na Escócia, e as expectativas de futuro, os executivos Cristiano Teixeira, CEO da Klabin, Guilherme Weege, CEO da Malwee, Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade de Marfrig e Mariana Oiticica, co-head ESG & Impacto no BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) conversaram em painel mediado por Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global. Em um dos compromissos, por exemplo, países anunciaram acordo para reduzir emissões de metano em 30% até 2030, estando o Brasil incluso.

“Para a pecuária, quando a gente fala de desmatamento, isto se complementa com o acordo do metano. Na Marfrig, desde o início de 2020, já vinhamos trabalhando no desafio de redução do metano, com critérios baseados na ciência. Assim, temos a informação de todos os fornecedores de como ele está para colhermos amostras e quantificar isto”, diz Pianez.

Para o mercado de carbono, criado a partir da COP26, também será preciso metrificação de informações. “O mercado de carbono, do qual somos a favor, tem um papel de punir o que não investe e premiar o que investe, mas a gente sempre defendeu a contabilidade fidedigna do que for comercial em crédito de carbono”, diz Teixeira.

Para a transformação dos mercados, o setor financeiro precisa estar altamente incluído. “A gente ajuda os clientes a investir ou fazer a transição para uma economia mais limpa. Para isto, identificamos os que as empresas têm de enfrentar, quais são os desafios e os melhores caminhos”, diz Oiticica.

 

EX DIGITAL MAT COP

 

COP26: os desafios dos países para transformar promessas em ações

As consequências desse acordo deverão ser amplas. A existência de uma bolsa mundial para compra e venda de títulos atrelados às emissões de carbono precifica uma substância com valor pouco mensurado até agora.

No longo prazo, o mercado global deve incentivar países poluidores a transferir recursos para países com florestas e tecnologias capazes de compensar a poluição alheia — e servir de pauta para a próxima COP, esperada para novembro de 2022 no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh. O acordo assinado em Glasgow cria um mecanismo financeiro global aos moldes do já existente em algumas regiões do planeta, como a União Europeia, a China e o estado americano da Califórnia.

O alcance mundial do mercado de carbono e as metas cada vez mais ambiciosas contra o aquecimento global têm tudo para forçar uma valorização crescente desses títulos. Na prática, o sistema deve trazer uma avalanche de investimentos em alternativas aos combustíveis fósseis emissores de carbono, como carvão e petróleo.

As minúcias desse mercado deverão ficar para a COP do ano que vem. Restam dúvidas sobre pontos fundamentais, como os padrões de transparência a ser respeitados por todas as partes envolvidas nesse tipo de negociação. “Daqui para a frente, o debate será sobre implementação e resultado”, diz Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global, entidade ligada à ONU para reunir o setor empresarial na pauta climática.

 

 

 

Construção: economia circular através da tecnologia de polímeros

Dprinting header resized Easy Resize com

Projeto WOOL2LOOP busca resolver um dos maiores desafios na utilização de resíduos de construção e demolição com uma abordagem de circularidade.

 

Ao abordarmos sobre reciclagem de materiais de construção há algumas dificuldades a se enfrentar para um resultado realmente abrangente e efetivo. Primeiramente, uma demolição sem cuidado pode tornar o processo muito complexo, misturando produtos com destinações distintas. Além disso, nem todos os materiais contam com processos realmente eficientes para sua reciclagem ou processamento como um outro produto. Muitos ainda são caros ou complexos demais. Mas a indústria da construção, sendo uma enorme contribuidora para a produção de resíduos e a emissão de gases do efeito estufa, também tem desenvolvido múltiplas novas tecnologias para melhorar suas práticas. É o caso do projeto WOOL2LOOP, que busca resolver um dos maiores desafios na utilização de resíduos de construção e demolição com uma abordagem de circularidade.

substituindo cimento por residuos economia circular atraves da tecnologia de polimeros

 

Um dos exemplos de possibilidade inexplorada de circularidade são as lãs minerais. Trata-se de materiais fibrosos formados pela fiação ou extração de minerais ou rochas fundidas, como escória e cerâmica. Estes funcionam como excelentes isolantes térmicos e acústicos, por terem uma densidade extremamente baixa. Por este motivo, também se tornam um problema durante uma demolição, pois ocupam um espaço significativo em aterros sanitários. São resíduos muito leves, mas altamente volumosos. Como aponta este artigo, “Na Europa, cerca de 2,5 milhões de toneladas de resíduos de lã mineral são gerados a cada ano na construção e demolição. Atualmente, os resíduos de lã mineral são quase totalmente depositados em aterros, resultando em um custo anual de cerca de 250 milhões de euros para o setor da construção.”

O projeto WOOL2LOOP tem o intuito de utilizar os resíduos de lã mineral, após processamento, em produtos como painéis de fachadas, chapas acústicas, lajotas para pavimentação e mesmo como agregados para impressoras 3D. Para tal, desenvolveu-se um processo que se inicia separando os resíduos de lã mineral, moendo-os e utilizando-os como produtos através da ativação alcalina (ou geopolimerização), convertendo-os em materiais cerâmicos ou semelhantes a concreto.

 

image crop

 

Os geopolímeros são considerados boas alternativas para substituir o tradicional cimento Portland comum (Ordinary Portland Cement – OPC), principalmente devido às propriedades mecânicas comparáveis, mas liberando uma fração do dióxido de carbono. A grande vantagem é que diversos resíduos de processos industriais existentes podem ser utilizados para a fabricação de geopolímeros, como cinzas volantes ou escórias de forno, o que torna o processo ideal tanto ambiental quanto economicamente. Para se ter uma ideia do impacto, aproximadamente 5-10% de todas as emissões de CO2 provocadas pelo homem são geradas na produção de cimento.

A geopolimerização está se tornando um método mais amplamente aceito para preparar ligantes de baixo teor de dióxido de carbono, outros produtos e materiais de vários subprodutos industriais, sendo um deles o resíduo de lã mineral. Estima-se que o concreto geopolimérico de lã mineral produza aproximadamente 80% menos emissões de CO2 em comparação com o concreto comum e o produto final é duas vezes mais duro que o concreto convencional de alta resistência.

 

Figure

 

Entre as áreas de atuação, a impressão 3D é uma das possibilidades mais promissores no projeto. Atualmente estão sendo testadas diferentes capacidades de impressão com diferentes misturas de geopolímeros que contêm materiais de isolamento recuperados de canteiros de obras. Com proporções de mistura adequadas e a adaptação da tecnologia de impressão, novas geometrias podem ser fabricadas que de outra forma não poderiam ser feitas com as técnicas tradicionais.

 

Dprinting header resized Easy Resize com

 

WOOL2LOOP tem sido desenvolvido por um consórcio de 15 parceiros, com empresas, entre elas a Saint-Gobain Finland, uma ONG e instituições de pesquisa. Como aponta Anne Kaiser, Gerente de Sustentabilidade na Saint-Gobain Finlândia, “Ao transformar a lã mineral no final de sua vida útil em uma matéria-prima para novos produtos, nos tornamos parte de novos ecossistemas industriais e promovemos a eco-inovação na economia circular, reduzindo a quantidade de resíduos de construção”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Archdaily, por Eduardo Souza
Imagens: Divulgação

Livro “Do Grafite À Fine Art” reúne protagonistas da cena de grafite

Imagens SITE T Easy Resize com

Agente cultural e curador, Luan Cardoso reuniu textos de Philippe Arthur dos Reis, Lucas Pexão, Filipe Maia e de sua própria autoria para compor a obra.

 

Engana-se quem pensa que o grafite é um movimento homogêneo. Com foco em mostrar e desvendar a arte das ruas, assim como apresentar um panorama dos diversos estilos da expressão artística que, no Brasil, atingiu sua expressão máxima nas ruas de São Paulo, o lançamento do livro “Do Grafite À Fine Art” aconteceu no último dia 26 de outubro. O exemplar conta com a organização de Luan Cardoso e é apresentado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Em “Do Grafite À Fine Art”, Cardoso cruza os labirintos da arte urbana, através da perspectiva de pessoas que pesquisam e testemunham o que move o processo criativo dos artistas que imprimem o seu pensamento nas paredes da cidade. As imagens aliadas aos textos escritos por Philippe Arthur dos Reis, Lucas Pexão, Filipe Maia e do próprio Luan, traduzem a história e os desafios da street art e do grafite nacional.

“O livro busca colaborar com a construção de uma história e de uma reflexão sobre a arte urbana, a partir do muralismo contemporâneo. O assunto é incontornável, literalmente, pela escala das pinturas na cidade.” – Lucas Pexão.

 

Finok SP Easy Resize com
Finok SP

 

A coletânea, oferecida gratuitamente, aborda a variedade de estilos e formas de intervenção urbana de   artistas brasileiros como Enivo, Finok, Bicicleta Sem Freio, Mari Mats, Kika Carvalho, Zéh Palito e estrangeiros, como Doze Green, Gleo, PichiAvo, Shepard Fairey, Paola Delfin, entre outros. Além dos textos e imagens, a obra contempla entrevistas com os artistas Zéh Palito, Kika Carvalho, Shepard Fairey “OBEY” e Finok, em links disponibilizados no livro.

O projeto gráfico do livro, que traz a capa em formato de uma empena, potencializa as imagens e os textos, além de dar um diferente trato às páginas, à capa e à sobrecapa. Com a proposta de democratizar ainda mais o acesso a este trabalho editorial e, principalmente, à história da arte urbana na cidade, serão doados livros ao DRE São Mateus, órgão responsável pela distribuição dos exemplares às instituições.

 

CAPA LIVRO Easy Resize com

 

E ainda, reafirmando o compromisso da inclusão e da acessibilidade, ficará disponível uma audiodescrição completa do título no YouTube do projeto: https://bit.ly/3MHyzrT.  Além disso, com o intuito de democratizar e agregar um número maior de pessoas, o livro conta com tradução para o inglês e francês.

O livro está disponível no link l.ead.me/DoGrafiteaFineArt

 

by Kamy entrelaça arte e design na Casa Brasil Bicentenário Lisboa 2022

Imagens SITE T Easy Resize com

Grife apresenta arazzos, tapeçarias e tapetes exclusivos durante evento que valoriza a presença brasileira em Portugal e comemora 200 anos da independência do Brasil.

 

A by Kamy representa o design têxtil brasileiro na Casa Brasil Bicentenário Lisboa 2022, entre 5 e 13 de novembro, em uma instalação montada na prestigiada Avenida Liberdade, número 12. A mostra é promovida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) em parceria com a Embaixada Brasileira na capital portuguesa, que convidaram marcas como a by Kamy para compor o espaço.

Além de destacar internacionalmente a arte o design do nosso país, o evento aproveita a ocasião do Bicentenário da Independência (1822-2022) para contar a história do desenvolvimento brasileiro em diversos setores, passando pelo agronegócio, indústria e serviços, além de trazer uma visão de futuro dos negócios e da brasilidade.

A instalação conta com a curadoria do arquiteto, designer e crítico Bruno Simões, profissional que também supervisionou o conceito, a narrativa, a escolha das marcas e das peças tal como na instalação brasileira do último Fuorisalone em Milão-ITA. Diante da responsabilidade de representar a tecitura brasileira em mais um palco internacional, a by Kamy selecionou peças exclusivas do seu acervo que abrangem três dos pilares sustentados pela marca nos últimos anos:

by Kamy Arte

 

caafa e ac bd abcfd Easy Resize com
Tapeçaria Arazzo Tarsila® Abaporu (1,37 x 1,20m), da by Kamy

 

Uma das artistas brasileiras mais reconhecidas mundialmente, Tarsila do Amaral® foi uma das principais entusiastas de um fazer artístico genuinamente brasileiro, pregando a valorização de uma identidade regional em meio à efervescência do movimento modernista brasileiro.

No ano em que celebramos o centenário da Semana da Arte Moderna de 1922, da qual Tarsila curiosamente não esteve envolvida diretamente, a by Kamy selecionou duas peças icônicas da artista, tecidas sob licença exclusiva, interpretadas em arazzos por meio de um minucioso processo de seleção de matérias-primas e confecção manual.

Os arazzos Tarsila® Religião Brasileira III (0,90 x 0,69m) e Tarsila® Abaporu (1,37 x 1,20m) representam o rico acervo da by Kamy Arte, que se propõe a conectar a brasilidade e a arte por meio do design têxtil.

 

df fb abc ccdc Easy Resize com
Arazzo Tarsila® Religião Brasileira III (0,90 x 0,69m), da by Kamy

 

 

by Kamy Verde

Da origem ao destino dos produtos, a by Kamy se preocupa com o impacto ambiental de cada escolha criativa que faz, engajando-se verdadeiramente nas questões de sustentabilidade e prezando pela produção de uma arte e design 360º. Para evidenciar toda esta capacidade criativa e sustentável da marca, desembarcam em Lisboa, também, três peças assinadas pelo designer Ricardo Centurione e uma pelo diretor artístico Kiko Maldonado.

Os designers desenvolveram as tapeçarias no galpão da by Kamy Verde, unidade criativa da grife que dá espaço e recursos para que designers e artesãos de diferentes gerações, pontos de vista, gostos e expertises, como é o caso desta dupla, troquem ideias, experimentem materiais e criem sem amarras. A partir da reutilização inovadora e responsável de fragmentos de tapetes, a by Kamy desenvolve novas peças únicas e exclusivas, como é o caso dos exemplares levados até a capital lusitana.

Traços limpos e lineares se tornaram a identidade de Centurione, que assina as peças Bela Vista 1 e Bela Vista 2, ambas com 95 cm de diâmetro, que podem ser utilizadas como tapetes ou tapeçarias em paredes. Elas interpretam a paisagem brasileira de formas sinuosas, com camadas e formas sobrepostas de maneira harmônica e fluída, trazendo cores e movimento para a cena.

 

aadb d ba b cebcc Easy Resize com
Tapetes/Tapeçarias Bela Vista 1 e 2 (ambos com 95 cm de diâmetro), da by Kamy

 

Adicionalmente, o designer também criou a tapeçaria Sabedoria Verde (1,22 x 1,82 mm), que parte da sabedoria emanada pela natureza, exaltando-a aos olhos quem a vê, tomando as árvores e as partes que formam esse todo vivo e eficaz como inspiração em particular.

adbf c aa fefe Easy Resize com
Tapeçaria Sabedoria Verde (1,22 x 1,82 m), da by Kamy

 

Kiko, por sua vez, exercita sua pop art atual a partir do uso de objetos impessoais, como fragmentos de tapetes, partindo do pressuposto que eles também são elementos culturais.

Com o tapete Flora, de dois metros de diâmetro, o experiente designer parte do costume de se dar nomes femininos inspirados em nomes florais, muito em conta da delicadeza e da beleza que evocam, para criar uma ode à primavera e à exuberância de cores, cor e vitalidade desta estação.

 

f cb d a efcf Easy Resize com
Tapeçaria Sabedoria Verde (1,22 x 1,82 m), da by Kamy

 

 

by Kamy Jovem

Com o olhar atento ao futuro do design e crente que a essência da brasilidade vai muito além do território nacional e inclusive dos próprios brasileiros, a by Kamy leva até o Casa Brasil Bicentenário Lisboa 2022 o tapete Dhurie Geometria Florentinas, assinado pelo jovem designer italiano Fabio Fanfani, na cor Mix Rust e 2,60 x 1,50m.

O desenho foi criado em parceria com a by Kamy para ser apresentado durante a Semana de Design de São Paulo, ganhando a partir dali novas interpretações a partir das técnicas e materiais empregados, sendo produzido hoje como Kilim, Dhurie e Tear – o que denota a capacidade e expertise técnica da marca.

A peça apresenta a tradicional geometria arquitetônica da italiana Florença e sua conexão com o Brasil, país visto no mundo todo como um símbolo de alegria, miscigenação, harmonia e beleza natural, aliando a transfiguração cartesiana com a hereditariedade do design.

a bbf cdd Easy Resize com
Tapeçaria Sabedoria Verde (1,22 x 1,82 m), da by Kamy

 

 

Galeria TEO realiza Exposição Julio Katinsky Designer

Imagens SITE T Easy Resize com

Com curadoria de Ethel Leon e expografia de Claudio Novaes, exposição ocorre de 10 de novembro a 28 de janeiro de 2023.

 

Com o objetivo de valorizar o patrimônio cultural e o legado do Design Moderno Brasileiro, a Galeria Teo realiza a Exposição Julio Katinsky Designer, com curadoria assinada por Ethel Leon, de 10 de novembro a 28 de janeiro de 2023. A Galeria Teo propõe um espaço dedicado às preciosidades assinadas pelo mestre modernista e apresenta vários móveis projetados pelo arquiteto, ex-professor e Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

Com expografia realizada pelo arquiteto e designer gráfico Claudio Novaes, serão apresentados móveis desenhados em 1959 e 1960 para a L’Atelier, empresa que marcou a transição de uma criação artesanal para uma produção industrial, além de itens mais recentes que serão lançados pela Fahrer Design.

“O trabalho de Julio Katinsky como professor e pesquisador vem sendo mais valorizado do que sua atuação como designer de móveis, esta exposição tenta dar relevo ao projeto desses produtos, entre os quais, uma cadeira especialmente projetada para a clausura do Convento das Carmelitas de São Paulo.” – Ethel Leon

 

EXPOSICAO JULIO KATINSKY DESIGNER GALERIA TEO

 

Julio Roberto Katinsky  (1932-) é arquiteto formado pela FAUUSP – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Universidade de São Paulo, autor de trabalhos importantes com colegas como Ruy Ohtake e Abrahão Sanovicz.

O mestre modernista assina vários projetos arquitetônicos, com destaques  para o Teatro Municipal de Santos, centrais telefônicas, edificações para a companhia elétrica Light and Power, o conjunto habitacional dos operadores da Usina Hidrelétrica de Chavantes do Rio Paranapanema, além de residências, entre as quais a sua própria, publicada em diversas revistas.

Entre seus livros de arquitetura moderna brasileira, lançados aqui e no exterior, o mais recente é o “Reflexões sobre o Design Industrial”, organizado por Ethel Leon e editado pela Editora Olhares, em 2022.

 

Residencia modernista de Julio Katinsky
Residencia modernista de Julio Katinsky

 

Serviço

GALERIA TEO | EXPOSIÇÃO JULIO KATINSKY DESIGNER
Data: 10 DE NOVEMBRO A 28 DE JANEIRO DE 2023
Entrada gratuita
Galeria Teo | Rua João Moura 1298, São Paulo SP 05412-003 Brasil
Segunda à sexta das 09h às 18h – sábado das 10h às 14h
11 3063-1939

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagens: Isac Marcelino

Relatório de EMF com a ONU revela que metas contra poluição plástica até 2025 estão se tornando inatingíveis

Cover landscape Easy Resize com

Aceleração urgente no combate à poluição plástica é necessária para atingir metas até 2025.

 

O compromisso de usar apenas embalagens plásticas reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até 2025 provavelmente não será cumprido, de acordo com o último relatório de progresso do Compromisso Global por uma Nova Economia dos Plásticos.

Progresso mensurável está sendo feito em relação ao Compromisso Global, mas o uso de embalagens flexíveis e a falta de investimento em infraestrutura de coleta e reciclagem significam que a meta de embalagens plásticas 100% reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até 2025 está se tornando inatingível para a maioria das empresas signatárias.

O relatório de progresso do Compromisso Global de 2022 – produzido pela Fundação Ellen MacArthur e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – também destaca:

  • A utilização de conteúdo reciclado em embalagens plásticas continua a aumentar fortemente, tendo duplicado nos últimos três anos
  • Mais da metade das empresas signatárias reduziram o uso de plástico virgem desde 2018, mas o uso geral entre o grupo aumentou em 2021, voltando aos níveis de 2018
  • A parcela de embalagens plásticas reutilizáveis diminuiu ligeiramente para uma média de 1,2%

 

GC Charts for media B PT

 

Quatro anos após o lançamento do Compromisso Global para uma Nova Economia dos Plásticos, o relatório anual de 2022 mostra que o progresso varia de acordo com o grupo signatário.

A parcela de conteúdo reciclado pós-consumo aumentou de 4,8% em 2018 para 10,0% em 2021. Embora tenha levado décadas para as empresas atingirem a marca de 5%, os signatários do Compromisso Global duplicaram para 10% em apenas três anos.

Marcas e varejistas devem continuar a aumentar exponencialmente seu uso de conteúdo reciclado se quiserem atingir a meta agregada de 26% até 2025. Embora algumas empresas parecem estar a caminho de superar sua meta, outras precisarão acelerar significativamente esse uso para atingi-las.

Desde 2018, mais da metade – 59% – das marcas e varejistas reduziram o uso de plástico virgem. No entanto, no ano passado, os aumentos de alguns dos maiores usuários de embalagens plásticas resultaram em um aumento geral de 2,5%, revertendo as quedas observadas em 2019 e 2020.

A razão pela qual algumas empresas não atingiram o pico de utilização de plástico virgem é devido ao aumento no uso total de embalagens plásticas. Isso reforça a necessidade de as empresas dissociarem o crescimento do uso de embalagens plásticas.

Em 2021, as primeiras marcas globais anunciaram metas quantitativas para aumentar a adoção de embalagens reutilizáveis. No entanto, 42% dos signatários ainda não introduziram nenhum modelo de reutilização em suas estratégias de embalagem.

 

GC Charts for media B PT

 

Muitas empresas têm investido em maneiras de alcançar 100% de reciclabilidade técnica para embalagens plásticas rígidas, mas o benefício desse investimento está sendo sufocado pela infraestrutura inadequada de coleta e triagem em todo o mundo. Embalagens plásticas flexíveis, como sachês e películas, representam um problema significativo. A dificuldade de reciclá-los – na prática e em escala – é uma das principais razões pelas quais a maioria das empresas não alcançarão sua meta de usar apenas embalagens plásticas reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até 2025.

 

“O Compromisso Global continua a fornecer transparência sem precedentes sobre como as principais empresas estão lidando com a crise da poluição plástica. As últimas descobertas demonstram a necessidade de intensificar urgentemente os esforços – tanto de empresas quanto de governos. São necessários planos viáveis e ambiciosos das empresas para dimensionar a reutilização, lidar com a questão das embalagens flexíveis e reduzir a necessidade de embalagens descartáveis. Os governos devem tomar medidas para ajudar a acelerar o progresso. Paralelamente, devemos trabalhar para estabelecer um tratado global ambicioso para acabar com a poluição plástica. Organizações como a recém-lançada Coalizão Empresarial para um Tratado Global de Plásticos – convocada pela Fundação Ellen MacArthur e a WWF – estão aqui para ajudar os governos a aproveitar essa oportunidade única em uma geração”. – Sander Defruyt, líder da Iniciativa de Plásticos da Fundação Ellen MacArthur.

 

GC Charts for media B PT

 

Os signatários governamentais do Compromisso Global agora representam um bilhão de pessoas. Mais de 500 empresas, governos, ONGs e outras organizações se alinharam em torno de uma visão comum de uma economia circular para plásticos. A Fundação Ellen MacArthur e o PNUMA continuarão trabalhando com os signatários para ajudar a enfrentar a crise da poluição plástica.

Marcas e varejistas têm o potencial de oferecer uma contribuição positiva e significativa para enfrentar a crise da poluição plástica. Para isso, eles devem adotar estratégias ambiciosas para ampliar as estratégias de reutilização, inovando para além de embalagens plásticas flexíveis sempre que possível e reduzindo o uso de embalagens de uso único. A reciclagem por si só não é suficiente para parar o fluxo de poluição plástica.

Em todo o mundo, o apoio do governo a uma ferramenta internacional e juridicamente vinculativa para enfrentar a crise continua a crescer. No entanto, é necessária uma aceleração significativa dos esforços políticos para ajudar a resolver o problema e a transição para uma economia circular para plásticos.

 

“A transparência proporcionada pelo Compromisso Global nos ajuda a entender o quão grande é a lacuna que ainda precisamos preencher. É claro que grandes desafios permanecem à medida que as empresas buscam cumprir o Compromisso Global. À medida que os países iniciam negociações para uma estratégia global para acabar com a poluição plástica, o Compromisso Global fornece uma estrutura importante para ajudar a acelerar as ações de combate à poluição plástica. Ao aderir ao Compromisso Global e engajar no início do processo, os governos podem identificar áreas prioritárias para acabar com a poluição plástica de forma eficaz e acelerar o progresso. Nesse sentido, temos o prazer de ver que 34 governos nacionais e subnacionais adicionais em diferentes continentes se comprometeram a aderir ao Compromisso Global desde o início de 2022.” –  Inger Andersen, Diretor Executivo, PNUMA.

 

GC Charts for media B PT

 

SOBRE O COMPROMISSO GLOBAL

O Compromisso Global por uma Nova Economia dos Plásticos, coordenado pela Fundação Ellen MacArthur em conjunto com o Programa para o Meio Ambiente da ONU, une empresas, governos e outras organizações com perspectivas e metas em comum, visando solucionar o desperdício e a poluição de plástico e poluição na sua origem. Os signatários do Compromisso trabalharão para eliminar os itens de plástico que não precisamos; inovar para que todos os plásticos que precisamos sejam reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis; e circular tudo o que usamos, mantendo os materiais dentro da economia e fora do meio ambiente.

Desde seu lançamento, em 2018, mais de 500 signatários se comprometeram a manter os plásticos na economia circular e fora do meio ambiente, incluindo empresas que representam 20% da produção global de embalagens plásticas. Todas as empresas e governos signatários se comprometeram com metas ambiciosas para 2025 e relatar publicamente seus resultados todos os anos.

Para mais informaçõesemf.org/global-commitment | @circulareconomy

 

SOBRE O PROGRAMA PARA O MEIO AMBIENTE DA ONU

O PNUMA é a principal voz mundial sobre o meio ambiente. Ele proporciona liderança e incentiva parcerias com o objetivo de cuidar do meio ambiente inspirando, informando e permitindo que as nações e as pessoas melhorem sua qualidade de vida sem comprometer a das futuras gerações.

Mais informações: unep.org | @UNEP

 

 

 

 

Designers brasileiros apresentam criações colaborativas com artesãos mexicanos na Design Week México

DSC Easy Resize com

Maria Fernanda Paes de Barros, Nina Coimbra, Rodrigo Ambrosio e Sergio J Matos integram o projeto “Visión y Tradición”, exibido de 12 de outubro a 5 de novembro, no Museu Nacional de Antropología, na Cidade do México.

 

Brasil e México são países com culturas de características próprias, especificidades e formadas por muitas identidades, culturas e povos. Com diferenças marcantes entre si, também se aproximam em muitos aspectos, seja no histórico de luta e resistência, na resiliência e criatividade da população ou na extraordinária capacidade de fabulação e acesso à potência do novo, sem perder o alicerce de sua ancestralidade. Essas semelhanças e separações foram experimentadas in loco pelos designers Maria Fernanda Paes de Barros (@_yankatu_), Nina Coimbra (@ninacoimbra), Rodrigo Ambrosio (@ambrosio) e Sergio J. Matos (@sergiojmatos), brasileiros convidados para integrar o projeto “Visión y Tradición”, da Design Week México. A partir de uma imersão com artesãos mexicanos, o quarteto criou obras originais que capturam o encontro desses dois universos culturais e podem ser vistas de 12 de outubro a 5 de novembro, no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México.

Criado para promover o intercâmbio artístico e sensível entre designers de várias partes do mundo e artesãos mexicanos, o Visión y Tradición convida anualmente um país para participar da imersão. Já cooperaram Cuba, Rússia, Estados Unidos, Alemanha, entre outros e, pela primeira vez, o Brasil integra a iniciativa. Com apoio do Centro Cultural Brasil-México, os designers Maria Fernanda Paes de Barros, Rodrigo Ambrosio, Sérgio J. Matos e Nina Coimbra (que também assina a co-curadoria do projeto junto a Natasha Scholbach, Victor Leite e Dimitri Lociks) foram até cidades do estado do México.

Durante o período de trocas de experiências e de trabalho, o quarteto desenvolveu trabalhos originais junto a artesãos do local. Cada um foi designado para um mestre local – e nenhum deles escolheu seus companheiros. Os resultados desses encontros, porém, não poderiam ter sido mais frutíferos.

 

Designers Sergio J Matos Maria Fernanda Paes Rodrigo Ambrosio e Nina Coimbra Easy Resize com
Designers Sergio J Matos, Maria Fernanda Paes, Rodrigo Ambrosio e Nina Coimbra.

 

Nina Coimbra trabalhou em Metepec com o artesão Cecílio Sánchez Fierro para criar “Corpo Suspenso/Cuerpo Suspenso”. Ambos desenvolvem pesquisas tendo o barro como material e puderam encontrar uma simbiose que respeitasse suas particularidades, ao mesmo tempo em que possibilitou o nascimento de uma obra original, com vasos que têm uma espécie de membrana, com miniaturas de caveiras suspensas em arame, inspirados na Árvore da Vida.

“A vivência foi muito especial. Eu já tinha um encantamento com a tradição das árvores da vida, já tenho um trabalho com o barro também, então foi muito mágico. Tive a graça de ser colocada para trabalhar com o Cecílio, que é um mestre artesão que trabalha com o barro de forma primorosa, é especialista em miniaturas e tons de barro naturais que ele cria. Fomos nos conhecendo aos poucos, cada um contou sua história e, eventualmente, elaboramos esse trabalho que fala sobre a morte, muito a partir da cultura mexicana, na qual ela é presença, o que a torna uma celebração da vida também, enquanto, na brasileira, evitamos o assunto”, enfatiza a designer.

 

Nina Coimbra Cecilio Sanchez Credito Mariana Achach Easy Resize com
Nina Coimbra + Cecilio Sanchez / Foto: Mariana Achach

 

Cecilio Sanchez Credito Root Films Easy Resize com
Cecilio Sanchez / Foto: Root Films.

 

Rodrigo Ambrosio, na cidade de San Antonio la Isla, se uniu ao mestre artesão Víctor López e sua grande família que, há gerações, se dedicam diariamente à confecção de brinquedos em madeira pinus torneada, fornecendo um material lúdico e imaginário para que, em conjunto, pudessem desenvolver peças originais e representativas de suas poéticas. A partir do interesse mútuo pela ludicidade, eles desenvolveram “La Pirinola”, uma linha de mesinhas de aperitivos que brinca com as formas, os movimentos e o equilíbrio dos piões. 

“O grande propósito dessa imersão é a amizade, a troca de saberes e experiências de vida. Há mais de 40 anos, o senhor Víctor dorme e acorda produzindo brinquedos, curiosamente, perto de vulcões ativos, pirâmides milenares e recentes terremotos. Apesar de parecer uma pessoa séria, alguém que trabalha com brinquedos tem uma imaginação fantástica. E, por coincidência, adoro trabalhar com peças lúdicas, tenho uma verdadeira adoração por piões. São essas conexões que a gente não consegue desvendar. Foi um aprendizado muito grande: ele com a tradição e eu com o pensamento contemporâneo”, explica Rodrigo.

 

Rodrigo Ambrosio Victor Lopez Credito Mariana Achach Easy Resize com
Rodrigo Ambrosio + Victor Lopez / Foto: Mariana Achach.

 

Ambrosio e Victor Lopez Credito Root Films Easy Resize com
Rodrigo Ambrosio e Victor Lopez / Foto: Root Films.

 

Maria Fernanda Paes de Barros, assim como Nina Coimbra, fez a imersão em Metepec, e trabalhou com o artesão Sergio Hernandéz. A dupla desenvolveu “Caminho da Alma/Camino Del Alma”, luminária pendente feita de papel de seda picado, técnica à qual se dedica Hernandéz desde jovem, mantendo a técnica tradicional, sem substituição do material, compensado de bétula folheado em cedro com borda descoberta e fita led. A peça foi inspirada em Quetzalcoatl, a Serpente Emplumada, com o tom prateado do papel, referenciando a verdadeira riqueza do povo mexicano e o movimento sinuoso da peça, que remete à serpente. 

“Mergulhar nas tradições mexicanas foi intenso, tanto pelo curto espaço de tempo que tivemos quanto pela profundidade do mergulho. Sergio já viajou o mundo compartilhando seus conhecimentos sobre a técnica mexicana do papel picado. Nós entendemos a vida como uma passagem e acreditamos que compartilharmos o que sabemos é a melhor maneira de contribuirmos com ela”, afirma Maria Fernanda.

 

Maria Fernanda Paes de Barros Sergio Hernandez Credito Mariana Achach Easy Resize com
Maria Fernanda Paes de Barros + Sergio Hernandez / Foto: Mariana Achach.

 

Imersao Vision y Tradicion Mexico Easy Resize com
Estudos e imerção / Foto: Divulgação

 

Abraçando o conceito da ancestralidade e da tradição passada por gerações, Sergio J. Matos experienciou uma vivência na oficina María Molina, em San Cristóbal Huichochitlán, com a matriarca e suas filhas. A família  trabalha com tecido vegetal da palma e as peças concebidas com o designer brasileiro incorporam essa tradição.

“O design tem me levado a lugares que nem em sonhos eu podia imaginar conhecer. À parte dos lugares, o mais encantador tem sido conhecer culturas e pessoas incríveis, como nessa imersão ao México. Tive a grande honra de conhecer a senhora María Molina e suas filhas, do povo Otomi. Juntos desenvolvemos peças em fibra vegetal carregadas com a identidade do seu povo e as tramas ancestrais que ela ensina até hoje”, ressalta Sérgio.

 

Sergio Matos Maria Molina Estela Gonzalez y Antonia Gonzalez Credito Mariana Achach Easy Resize com
Sergio Matos + Maria Molina Estela Gonzalez e Antonia Gonzalez / Foto: Mariana Achach.

 

DSC Easy Resize com
Sergio Matos + Maria Molina Estela Gonzalez e Antonia Gonzalez / Foto: divulgação

 

Além das obras presentes no Visión y Tradición, os designers brasileiros também apresentam peças em outra exposição: a mostra Inédito. Nos casos de Nina Coimbra e Rodrigo Ambrosio, os trabalhos em exibição também são resultados da imersão com os artesãos mexicanos, enquanto Maria Fernanda e Sérgio expõem criações produzidas e já lançadas no Brasil.

 

SERVIÇO

Vision y Tradición”, na Design Week México
Quando: de 12 de outubro a 5 de novembro
Onde: Museu Nacional de Antropologia (Cidade do México)
Informações: www.designweekmexico.com/