Na área social, espaços amplos, integrados e convidativos dialogam entre si com sofisticação e aconchego.
A principal demanda para este projetocapitaneado pela arquiteta Sabrina Salles foi integrar sala, varanda e cozinha, visto que a planta padrão da construtora deste apartamento de 300 m² era convencional, com estes ambientes bem separados. Os clientes desejavam um apartamento amplo, aconchegante, onde pudessem reunir toda família.
Localizado no Campo Belo, em São Paulo, o imóvel é bastante iluminado devido as grandes esquadrias do pé direito duplo. A sala de estar é o grande destaque na área social e dialoga com todos os outros espaços circundantes. Foi necessário mudar o lavabo de lugar e fazer toda a infra pelo próprio apartamento já que não era possível mexer no apartamento de baixo.
“Um conceito contemporâneo e sem excessos.” – Sabrina Salles
A escolha minuciosa por todos os materiais trouxe o aconchego e a elegância solicitados pela cliente, assim como o uso de cores mais sóbrias como o cinza, o azul, o branco e o preto. Os revestimentos em madeira e o porcelanato criaram uma atmosfera bastante acolhedora e sugerem certa comunicação visual entre os ambientes. Alguns destaques, como a chapelaria no hall, a adega para vinhos na estrada da cozinha, a caixa azul em marcenaria na área gourmet e o pilar com paisagismo entre a sala de estar e a varanda personalizaram o projeto; detalhes que atribuíram sofisticação aos espaços.
A sala de estar é o ambiente que os clientes mais usam, bem iluminada e ventilada devido a integração dos ambientes. Mesmo com o pé direito duplo o apartamento consegue ficar aconchegante devido os acabamentos e materiais utilizados.
Mudanças no aspecto estrutural criou layout fluído entre os ambientes sociais. Da cozinha, pode-se observar sala de estar e jantar, varanda e espaço gourmet. O espaço gourmet ganhou destaque pela caixa azul em marcenaria.
No quarto do casal, uma sala íntima próxima à janela traz mais funcionalidade ao ambiente. O painel de madeira atribui conforto térmico e aconchego. Destaque para a charmosa penteadeira com poltrona em veludo.
O banheiro da suíte do casal recebeu acabamentos claros em revestimentos e bancada. Tons neutros trazem elegância e sofisticação, sem excessos.
“Cidades Invisíveis, Pessoas Incríveis” analisa áreas marginalizadas em Macapá, São Paulo e Cidade Juarez, no México.
A falta de moradia adequada é um dos maiores desafios para os governos e populações dos países da América Latina. A precariedade habitacional se manifesta por meio de favelas, cortiços e conjuntos habitacionais degradados. Em busca de alternativas para melhorias concretas, uma grande equipe de acadêmicos, com participação de líderes comunitários, criou o projeto colaborativo “Cidades Invisíveis, Pessoas Incríveis”. O primeiro resultado das ações foi um documentário que mostra, por meio de entrevistas e registros audiovisuais, o uso do espaço público e esforços de mobilização social em áreas marginalizadas de três cidades: Macapá (conhecidas como ressacas, localizadas na Amazônia brasileira), Paraisópolis (a maior comunidade da capital paulista, que completou 100 anos em 2021) e Sendero de San Isidro (em Cidade Juarez, no México, fronteira com os Estados Unidos). Três universidades latino-americanas estão envolvidas no projeto: Universidade Federal do Amapá, em Macapá, Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, e Universidad Autónoma de Cidade Juarez, no México.
“A América Latina é o lugar mais desigual do planeta e na configuração de suas cidades é possível realizar aproximações espaciais que ultrapassam os limites geográficos. Entre Macapá, São Paulo e Cidade Juarez existem imensas distâncias geográficas, porém, encontramos problemas semelhantes entre eles: falta de infraestrutura, exclusão social e pobreza. A falta de água nas casas também é apontada no documentário como um problema grave enfrentado pelos moradores”, explica Bianca Moro de Carvalho, coordenadora do projeto, doutora em Arquitetura e Urbanismo e mestre em Planejamento Urbano.
A cidade de Macapá é apresentada através da problemática das ressacas, que são áreas alagadas que concentram moradias de risco na capital. Essas regiões recebem grande número de migrantes do interior da Amazônia que buscam encontrar novas oportunidades de emprego, saúde e educação para suas famílias. São Paulo, a cidade mais rica do Brasil, é apresentada através de Paraisópolis, a quinta maior favela do Brasil. A comunidade é reconhecida por sua força de mobilizações sociais fortemente organizadas. No México, na Cidade Juarez, a precariedade destaca-se no conjunto habitacional San Isidro. Construído pelo governo mexicano, na região há falta de infraestrutura e a localização distante da cidade tem provocado abandono de milhares de casas. “Cidades Invisíveis, Pessoas Incríveis” também analisa o papel das lideranças locais na construção de espaços inclusivos e no exercício da cidadania.
“Essas pessoas muitas vezes são relegadas ao esquecimento porque fazem um trabalho silencioso. Precisamos dar visibilidade a eles e suas ações inspiradoras. É importante a própria comunidade identificar pessoas que estão realizando trabalho de grande importância para a sociedade, e entrar em contato conosco através da plataforma Cipesin, pois o projeto traz mensagens que funcionam como gritos de socorro. Identifica carências de infra-estrutura de nossas cidades, ao mesmo tempo que revela a necessidade de melhoria da qualidade de vida” – Bianca Moro de Carvalho
O próximo trabalho, que também vai incluir documentário e entrevistas, será realizado no sertão da Bahia, em Bom Jesus da Lapa. O projeto usa a metodologia da mídia participativa, que pode ser uma forma criativa para o exercício da cidadania dos moradores das áreas segregadas,além de ser uma ferramenta que permite a inclusão social de moradores de regiões vulneráveis. A técnica utiliza recursos audiovisuais e mídia como forma de compreensão da linguagem urbana, arquitetônica e cultural. A proposta é registrar as condições de habitabilidade, informalidade e organização social dos assentamentos precários das populações de áreas fragilizadas, trazendo a possibilidade de ouvir suas vozes.
Brises em alumínio são solução técnica construtiva durável para controle de incidência solar e fornece privacidade dos ambientes.
A premissa inicial para a fachada neste projeto elaborado pelo escritório FGMF abarcava formular uma solução toda em madeira. Porém, os clientes queriam um material de longa duração e, algo no mercado, de fácil manutenção, que pudesse oferecer um acabamento semelhante. O escritório optou então pelos brises em alumínio (metálico) com acabamento efeito madeira da EzyColor, por uma questão de manutenção, fixação, qualidade e, principalmente, pelo sistema das portas camarão, que ficou leve por ser em alumínio e de fácil manuseio.
O FEAL Brises touch foi criado para oferecer mais funcionalidade em relação ao controle da luz apenas movimentando suas aletas verticais com um toque, que pode ser total, quando os brises estão abertos em totalidade, ou parcial, quando suas folhas estão abertas no sistema camarão. Neste sistema, é necessário que suas folhas em um mesmo vão sejam sempre em número par, pois sua abertura deve ser sempre em pares. Usou-se aproximadamente 11 toneladas de alumínio para as fachadas de brises. O acabamento escolhido trouxe identidade para o projeto e criou dinâmica na fachada, além de garantir durabilidade, sendo resistente a intempéries.
Sistema camarão com brises móveis, onde suas aletas verticais são movimentadas por um toque.
PRINCIPAIS VANTAGENS DE UM BRISE DE ALUMÍNIO PARA FACHADAS
Material: por ser metálico, como é o caso do alumínio, tende a ser mais leve, em comparação com brises feitos de madeira, por exemplo;
Design – os brises podem ter tamanho e formato variados conforme a necessidade do projeto de arquitetura;
Fator termoacústico – apresenta propriedade para isolar a temperatura e o som; O material é ideal para quem deseja uma higienização facilitada;
Por ser leve e versátil, um brise de alumínio é fácil para ser transportado e instalado;
Controle de Qualidade: como a produção é realizada de maneira industrial, o sistema camarão com aplicação dos brises possuem controle de qualidade e garantia de 10anos;
Sustentabilidade: produto é 100% reciclável;
Durabilidade: é resistente a intempéries (ventos de alta velocidade, tempestades, vendavais, além de bloquear a entrada da luz solar em excesso.
Pelo tempo de garantia e pra obter maior resistência às intempéries, seja chuva ou sol, optou-se por classe II para a pintura efeito madeira.
A casa administrada pela ETEL e Almeida & Dale Galeria de Arte expõe O DiálogoBardi Bill, com curadoria de Francesco Perrotta-Bosch, e parceria com o Instituto Bardi | Casa de Vidro.
Max Bill foi um designer, pintor, escultor e arquiteto suíço reconhecido como um dos mais influentes do século 20, principalmente pelo movimento concretista, atuando especialmente na área da educação, no Brasil e na Alemanha. Já Lina Bo Bardi, uma das mais icônicas arquitetas do século 20, que ficou conhecida por projetar o MASP e a famosa Casa de Vidro. Seu legado extrapola o campo da arquitetura, pois ela também contribuiu para a cenografia, artes plásticas, desenho de mobiliários e design gráfico.
A união entre os dois trabalhos se dá a partir de um terceiro personagem, central: Pietro Maria Bardi, então diretor do MASP à época. É ele quem convida o suíco para uma exposição no Brasil, em 1949, que seria viabilizada apenas em 1951. E é sobre esta relação, entre o casal Bardi e Max Bill, que a exposição O Diálogo Bardi Bill se debruça, desde o dia 15 de outubro, na Casa Zalszupin, em São Paulo, sob curadoria de Francesco Perrotta-Bosch.
Casal Bardi. Diretores do museu recepcionando o casal Lina e Max Bill, junho de 1953. Foto_ Desconhecido – Acervo do MASP.
“Max Bill pertence àquela categoria de artistas contemporâneos (especialmente, arquitetos) cujo insofrimento para as soluções fáceis, do não controlado, do não exato, é absoluto. A matemática está na base de toda sua concepção. Não a matemática imaginada pelos leigos (isto é, “fria”), mas a matemática como pode ser hoje considerada em toda a resplandecência de sua poesia integral”, escreveu Lina Bo Bardi em texto que será reproduzido na parede da exposição.
O suíço fez sua primeira grande exposição individual no Brasil em 1951, à convite de Pietro Maria Bardi, feito em 1949. Como dezenas de pinturas, esculturas e cartazes de Bill aqui se encontravam, a primeira edição da Bienal de São Paulo reapresentou ao público a Unidade Tripartida e a laureou com o Grande Prêmio de escultura. Em 1953, o artista veio ao Brasil para fazer suas notórias e polêmicas conferências, fazendo florescer então o concretismo de Waldemar Cordeiro e Luiz Sacilotto com o grupo Ruptura, de Ivan Serpa e Abraham Palatnik com o grupo Frente.
“Entretanto, o diálogo Bardi Bill desenvolveu-se também numa outra dimensão intelectual: sem palavras, somente formas. Nesta, Lina Bo Bardi explicitou seu encanto pelo suíço cuja arte e arquitetura fundamentou-se na matemática ‘em toda a resplandecência de sua poesia integral'” – Francesco Perrotta-Bosch.
Vista da exposição Max Bill. Foto de Peter Scheier – Acervo do MASP.
Vista da exposição Max Bill. Foto de Peter Scheier – Acervo do MASP.
A mostra na Casa Zalszupin propõe uma aproximação do conjunto de esculturas de Max Bill com o mobiliário de Lina Bo Bardi, algumas peças originais reeditadas pela ETEL e outras vintages do acervo do próprio Instituto. As estruturas geométricas, sintéticas, racionais e com poucos pontos de apoio das cadeiras de Lina Bo Bardi estão em consonância com o ideário concreto formulado por Bill. Ao reunir no mesmo ambiente as formas rigorosamente projetadas pelos dois grandes autores, saltará aos olhos que Lina compreendeu a essência das matrizes geométricas de Max, Lina dialogou com Max, Lina aprendeu com Max.
Nos trabalhos de Max, planos em torção intercalam o dentro e o fora; no mobiliário da arquiteta, superfícies igualmente complexas funcionam como moles moldes ao corpo. “Semiesferas aqui tocam o piso encontrando um delicado equilíbrio, sejam elas esculpidas em granito ou madeira, sejam assentos de couro. Não se trata tão somente de geometria descritiva: cada um ao seu modo, Lina Bo Bardi e Max Bill desenharam formas para, com rigor, materializar sua postura ética. Naquela virada dos anos 40 e 50, Bardi e Bill tratavam o raciocínio humanista e o desenho técnico como complementares”, escreve Francesco em seu texto curatorial.
Interior do Palma Studio de Arte e Arquitetura. Foto Desconhecido – Arquivo Instituto Bardi.
Poltrona de balanço, reedição ETEL. Foto Fernando Laszlo.
“Max Bill é representante de uma geração que quer explicar os fatos: de uma geração que assistiu à catástrofe da guerra e à falência da cultura tradicional. Como pesquisador cuidadoso e solitário de novas possibilidades, Max Bill não as procura em “evasões” abstratas, mas sim colocando concretamente os problemas. Parece-nos ouvir a esta altura a voz de uma senhora, que diligentemente frequenta as exposições, perguntando: Mas, meu Deus, como é possível chamar de pintura aqueles tracinhos vermelhos sobre um fundo completamente branco? Onde estão os famosos problemas da arte?”, diz ainda Lina Bo Bardi, no texto que estará na parede e foi escrito em abril de 1951.
Mancebos Lina Bo Bardi, reedição ETEL. fotografia fernando laszlo Easy Resize com
O Diálogo Bardi Bill
Obras de Lina Bo Bardi e Max Bill; e documentos e correspondências entre o casal Bardi e Max
Curador: Francesco Perrotta-Bosch
Casa Zalszupin
Visitação: 15 de outubro a 10 de dezembro de 2022
Mais informações: Link
De segunda a sexta, das 10h às 18h e aos sábados das 10h às 14h
Ingressos gratuitos mediante agendamento prévio
Sem estacionamento
Casa Zalszupin
Saiba um pouco mais sobre como a visualização de som, imagens e dados demográficos podem inspirar criativamente a Arquitetura.
Manuel Lima é um designer e pesquisador conhecido por seu trabalho em visualização e mapeamento de redes complexas. Ele é o fundador do VisualComplexity.com, membro da Royal Society of Arts, e foi nomeado uma das “50 mentes mais criativas e influentes” pela revista Creativity. A entrevista a seguir explora suas inspirações e processos, assim como seus pontos de vista sobre como a visualização dos dados pode ajudar a melhorar a qualidade das nossas cidades.
O que inicialmente o inspirou a converter dados em imagens?
Manuel Lima (ML): Às vezes é difícil encontrar esse momento específico em que a vida o impele a algo, mas me lembro de uma situação específica em 2004. Eu estava fazendo um mestrado em Belas Artes na Parsons School of Design, em Nova York. Eu estava na plateia assistindo a uma palestra de um professor chamado Christopher Kirwin, que apresentava algo como o “understanding spectrum“. É um diagrama que tem nomes diferentes, mas basicamente mostra como os dados levam à informação, informação ao conhecimento e conhecimento à sabedoria.
Embora minha experiência e treinamento tenham vindo do lado do design industrial, eu estava interessado e queria fazer parte desse processo. Especificamente, construindo uma ponte entre informação e conhecimento, entre produtores e consumidores. Eu acho que é uma das coisas mais difíceis que podemos fazer. Faz sentido quando os seres humanos são ótimos em coletar informações, e é por isso que temos o fenômeno do big data hoje.
Mas agora precisamos entender os dados, transformá-los em informações e, finalmente, em conhecimento. Esse é o nosso maior desafio. Para mim, foi como um chamado. Houve um tempo em que pensei: uau, preciso fazer parte desse movimento. Eu queria trabalhar criando conhecimento e sabedoria através de dados.
Uma parte importante de saber o que fazer com os dados é saber quais perguntas devem ser feitas. Como você sabe quais são os dados relevantes que devem ser mostrados em meio a tantos?
ML: Eu acho que sempre surge da pergunta que você está tentando responder. Em sua mente, ao tentar realizar uma visualização, você está pensando em uma pergunta que deseja responder ou em uma mensagem que deseja transmitir. Às vezes, os dados que podem servir a esse propósito são ignorados. Então, digamos que você esteja tentando entender melhor os diferentes dados demográficos de um lugar. Provavelmente, tentaremos entender os usuários, no sentido de procurar saber como eles navegam através de um edifício ou projeto urbano. Você tem essa pergunta imediata em mente e os dados podem fornecer essa resposta.
Por isso, os dados sem processamento raramento são suficientes para que um padrão faça sentido. A resposta que você precisa está em visualizá-los. Se necessário, converter e traduzir dados em metáforas visuais e modelos que podem ser entendidos. Desta maneira, é possível responder a esta pergunta por meio de algum tipo de visualização ao mesmo tempo em que serve como mensagem que se deseja transmitir.
Como você faz isso? Como você trabalha?
ML: Hoje existem muitas ferramentas diferentes que você pode usar. Existem diferentes bibliotecas disponíveis para entender o mundo. Ultimamente, estou mais interessado em taxonomia, em entender o sistema. Eu realmente sinto que a visualização de dados é uma linguagem. Da mesma forma que a linguagem escrita é composta por blocos que assumem a forma de palavras que, por sua vez, são combinadas e criam sentenças, o mesmo acontece com a visualização de dados. Temos gráficos que você pode combinar usando cor, tamanho ou forma. E através desse processo, você cria mensagens significativas.
Procuro olhar para as diferentes maneiras pelas quais as pessoas têm usado essa linguagem, entendendo as semelhanças e as diferenças ao longo do tempo, não apenas nos tempos modernos, mas também voltando à história e entendendo como os humanos têm usado as imagens, símbolos e comunicação visual como meio de transmissão de informações.
Sempre fico fascinado por quanto tempo isso acontece. Estamos usando imagens há muito mais tempo do que a linguagem escrita. O alfabeto mais antigo conhecido tem aproximadamente 6.000 anos. O primeiro tipo de representação pictórica remonta a 40.000 anos atrás. Temos usado imagens e símbolos por muito mais tempo do que o sistema escrito. Então, de alguma forma, está embutido em nosso DNA; Temos uma forte inclinação para imagens.
Hoje, as pessoas não apenas escrevem e leem mais, mas também veem mais imagens: o Instagram e o Pinterest estão cheios de fotografias de arquitetura e cidades. Isso me leva à próxima pergunta: como você acha que a visualização de dados pode ajudar a arquitetura e as cidades?
ML: Eu acho que pode ajudar de três maneiras diferentes:
Pode servir de inspiração. Uma das melhores coisas que descobri sobre a complexidade visual é que, quando comecei a colocar a ciência por trás disso, há mais de quinze anos, notei uma maravilhosa polinização cruzada de ideias. Recebi e-mails de biólogos inspirados em recursos visuais que viram, por exemplo, algo completamente diferente. E até me lembro de um e-mail de um arquiteto que recebi naquela época; eles estavam usando visualizações que encontraram em uma rede social e estavam aplicando algumas dessas ideias em um edifício. A arquitetura, como qualquer campo criativo, pode ser inspirada por muitas áreas diferentes, uma delas é a visualização. Pode ser uma visualização de som, dados demográficos ou qualquer outra coisa, mas pode ser uma ótima fonte de inspiração.
A outra maneira é por meio da metodologia, que também pode ser inspiradora para a arquitetura. Hoje, muitos campos são gerenciados por códigos. Uma das melhores coisas que sigo são as artes generativas e as pessoas que criam arte através de códigos, através de algoritmos. Elas estão criando formas interessantes, imprevisíveis e únicas. Elas não são criadas por computadores, mas por máquinas. Então, eu acho que isso é algo que a arquitetura também está tentando entender: como a forma pode ser criada através de código, algoritmo e máquinas. Me parece muito interessante. Especialmente quando se trata de Inteligência Artificial – e estamos falando muito sobre design orientado por Inteligência Artificial. Há uma oportunidade para a arquitetura alimentada por inteligência artificial, onde podemos criar um elemento de surpresa através desse processo.
Meu terceiro ponto é que a visualização pode trazer muitas ideias para arquitetos e planejadores urbanos. Um dos grandes projetos que vem à mente se chama Tracing the Visitor’s Eye, construído na cidade de Barcelona há aproximadamente 10 anos. Eles coletaram todas as imagens enviadas para o Flickr que foram tiradas na cidade de Barcelona. Duas coisas eram importantes: o momento em que a foto foi tirada e o local. Eles utilizaram esses dados e recriaram o caminho que as pessoas percorreram pela cidade. Agora imagine a riqueza dessa visualização. De repente, você tem esse mapa de onde as pessoas estão realmente navegando e por quais ruas estão andando. Por onde elas começam? Onde elas terminaram sua jornada? Para um planejador urbano, ou mesmo o prefeito de uma cidade, há muitas ideias realmente interessantes que podem ser derivadas desse processo.
O lamentável é que, às vezes, as pessoas que estão tornando as visualizações realmente interessantes não estão necessariamente conversando com as pessoas que podem se beneficiar delas, como arquitetos e urbanistas. Eu acho que há uma grande oportunidade para esse tipo de pensamento estar mais conectado às pessoas que podem se beneficiar dele.
Criativo, exótico e colorido, projeto traz personalização e acrescenta humor aos ambientes, emperfeita alquimia entre estilos.
Para este antigo apartamento tradicional dos anos 50 de 800m² localizado em São Paulo, quarto projeto para um casal que gosta da personalização e das características exclusivas que o arquiteto Sig Bergamin atribui aos ambientes, o profissional uniu com maestria e humor umimenso senso de alegria à muita sofisticação.
O ponto de força do projeto é a biblioteca que passou por grande renovação. Aproveitando a estante existente, originalmente de madeira escura, decidiu-se pintá-la em um tom de verde desenvolvido exclusivamente para o projeto, a fim de iluminar e atualizar a sensação datada do ambiente. Foram necessárias cerca de 10 tentativas para obter a cor certa e chegar a esta incrível e inesperada biblioteca verde.
“A ideia para este decor foi de transformar um apartamento datado, com muita cara de antigo, em algo atemporal e com a cara dos proprietários. Para isso unimos cor, texturas, muita arte e design em uma composição de muito humor.” – Sig Bergamin
Sig escolheu as obras de Damien Hirst, Joan Miro e Jeff Koons para criar e completar o sentimento e o humor do ambiente, uma das características mais notáveis do espaço. Os clientes têm grande paixão pela arte e todas as obras integradas ao projeto são de uma coleção pessoal que eles vêm construindo ao longo de muitos anos.
A mesa art déco, uma das peças favoritas do profissional, foi projetada por ele. A madeira possui acabamento brilhante “mel encaracolado” e a parte superior recebeu couro de camelo.
Referências art déco inspiraram e influenciaram todas as decisões e escolhas de móveis e design para o projeto. Painel que divide os ambientes de estar e jantar e permite visibilidade entre eles integra coleção pessoal dos moradores.
Duas mesas compõem o ambiente e criam dinamismo no espaço. Na parede, quadro de Damien Hirst.
O tecido que reveste as paredes é o mesmo usado nas cortinas. O vermelho nos abajures e nas duas poltronas cria dois pontos focais. Essa relação de elementos clássicos com tecidos e cores modernas é a dualidade empregada quase como regra nos projetos de Sig.
Detalhe da mesa de centro Yves Klein, em um azul exuberante que ilumina o ambiente.
Projeto multimídia de intervenções urbanas, o AR-te acontece pela primeira vez em São Paulo com o objetivo de contribuir para a reflexão sobre a poluição do ar e questões ligadas à crise climática global.
A contaminação do ar e questões ligadas à crise climática global são o fio condutor do projetoAR-te, que leva para diferentes locais da cidade intervenções urbanas inéditas criadas pelos artistas visuais Alex Senna, Flávia Junqueira, Priscila Barbosa e Pedro Varela, além de Thiago Cóstackz, que também assina a curadoria da mostra. Esse grupo possui trabalhos reconhecidos no Brasil e no exterior, e o público poderá conferir suas novas obras até 20 de novembro, instaladas nos parques Água Branca, Burle Marx, Bruno Covas, além do museu Casa das Rosas e Escola Estadual Dom Paulo Loureiro.
Com diferentes linguagens visuais e pensado de forma sustentável, o conjunto expositivo do AR-te busca ao mesmo tempo seduzir pela concepção plástica e provocar reflexões sobre a relação das cidades com o ar e as muitas questões ligadas à poluição e contaminação atmosférica. Somente na cidade de São Paulo, cerca de 11 mil mortes por ano poderiam ser evitadas com a redução da poluição e o aumento de áreas verdes, o que além de salvar vidas, faria a cidade desaquecer cerca de 1c°. (*)
“As obras questionam os observadores sobre nossas responsabilidades com a preservação, mas não fazem apenas alertas ambientais, elas também evocam facetas filosóficas e poéticas que envolvem o ar. Afinal, temos a chance de desenhar um novo caminho para a nossa civilização, mas parece que ainda não estamos nos esforçando o suficiente”- Thiago Cóstackz, curadoria da mostra e autor de expedições artísticas e de instalações em ambientes naturais ameaçados, da Amazônia à Groenlândia.
Durante a temporada, os artistas ministrarão oficinas gratuitas, e ao final da mostra as obras serão doadas a instituições ligadas à preservação do ar e valorização de comunidades tracionais como a Associação Rural Indígena de Rio dos Índios, no Vale do Ceará-Mirim/RN. O AR-te foi idealizado pela Mina Cultural – que assina a gestão do projeto – e pelo artista multimídia Thiago Cóstackz.
Sobre as intervenções do AR-te
O artista Thiago Cóstackz leva ao Parque Burle Marx a obra “Natureza Interrompida” (dimensões: 160cm, por 120cm x 90cm; técnica: Polímeros variados reciclados, madeira e metal certificados). Ele apresenta uma espécie de mesa de corte de madeira em que uma figura metamorfoseada é representada diante de uma “serra elétrica”, como se estivéssemos vendo um crime prestes a acontecer. Uma metáfora da natureza confrontada com uma das forças mais transformadoras e destruidoras do planeta: a espécie humana. A intervenção foi feita de forma espelhada para refletir não só o ambiente preservado do parque mas também o observador, outra espécie em risco.
“Uma Combustão de muitos corpos” (dimensões: 3m x 2m x 60cm; técnica: pintura acrílica sobre madeira certificada) é a obra de Priscila Barbosa instalada no Parque da Água Branca. Nessa instalação feita no formato de uma caixa de fósforos gigante, Priscila ressignifica esse objeto associado à cozinha e a sua dualidade, como algo que pode ser utilizado como ferramenta de insubordinação e confronto, mas que também serve ao preparo dos alimentos, ou até para iniciar o incêndio em uma floresta. No centro da imagem está uma mulher indígena, inspirada nas Potiguaras Ibirapi do Vale do Ceará-Mirim (RN), que tem entre os cabelos a ave “aratinga jandaia”, já extinta naquela região. No verso da obra a mesma ave parece renascer e se projeta sobre o losango da bandeira brasileira.
No Parque Linear Bruno Covas, o público poderá conferir a instalação “Nuvem”, de Pedro Varella (dimensões: 5m x 2m; técnica: pintura acrílica sobre madeira certificada). “Nuvem” tenta quebrar com a ideia de paisagem com uma única perspectiva, e traz para o espectador uma paisagem fragmentada, com muitos tons de azul que assume formas, histórias diversas e instiga a pensar na preservação, principalmente, em relação aos mares e ao ar.
“Amazônia, Lago Janauari, Árvore Samaúma” é o trabalho de Flávia Junqueira, em exposição no museu Casa das Rosas (dimensões: 2,90 cm x 3m; técnica: impressão em lona fixada em estrutura de madeira). A artista usa a fotografia encenada em espaços arquitetônicos ou abertos para criar atmosferas de fantasia. A própria teatralidade existente nos espaços vira elementos pictóricos que que ajudam a compor sua narrativa. Nessa intervenção, Flávia contrapõe o natural e o urbano e exibe a foto da árvore amazônica Samaúma, rodeada por uma instalação de balões coloridos. A árvore conhecida como “mãe da floresta”, pode chegar a 100m e ejeta na atmosfera cerca de 2.000 litros de água por dia, tendo papel protagonista em grande parte das chuvas nas regiões Sudeste e Centro-oeste do Brasil. Também no jardim da Casa das Rosas, Thiago Cóstackz expõe “Air Head”, um balão com forma de cabeça de pássaro que flutua evocando em seu interior um ar contaminado e mortal para qualquer ser vivo.
Alex Senna, um dos maiores expoentes do movimento de intervenções urbanas, com obras espalhadas por 25 países estampa a sua obra “Neblina” (dimensões: 9m x 3m, técnica: grafite) nos muros da Escola Estadual Dom Paulo Rolim Loureiro, em Guarulhos, na região metropolitana. “Neblina” é um retrato do nosso tempo, na qual nuvens escuras pairam sobre a civilização, trazendo para os dias de hoje o que era visto como um futuro distante, apocalíptico e irrespirável, dominado pelo plástico e contaminado pelos agentes químicos provenientes das indústrias e do descaso com o meio ambiente. O uso elegante das sombras e do preto e branco guiam o observador por um mundo cheio de simbolismos e retratos emocionais, que visam conscientizar sobre um perigo que já habita nossa rotina: o envenenamento do ar e seus desdobramentos terríveis junto a toda forma de vida na Terra.
Mostra traz ênfase para o paisagismo e arquitetura desenvolvidos por Burle Marx na cidade de São Paulo, e ressalta o ativismo ambiental e pioneirismo na defesa da preservação dos biomas sul-americanos do paisagista.
A partir de 19 de outubro, o Centro Cultural Fiesp (CCF) recebe a exposição Paisagem construída: São Paulo e Burle Marx, com curadoria de Guilherme Wisnik, Helena Severo e Isabela Ono. Dividida em três eixos principais, a mostra conta com acervo do Instituto Burle Marx, e traz ênfase para projetos de ecologia urbana pensados por Roberto Burle Marx (1909-1994) e seus colaboradores para a cidade de São Paulo, um diálogo entre seus projetos e arquitetos renomados como Rino Levi e Paulo Mendes da Rocha, além de propostas inéditas, não executadas, para espaços públicos da cidade como o Parque Trianon, o Parque Ibirapuera, o Vale do Anhangabaú e a Praça da Sé. A mostra ressalta o ativismo ambiental e pioneirismo na defesa da preservação dos biomas sul-americanos com o pensamento de projetos sobre cidades verdes.
“A partir da contribuição do legado de Burle Marx e seus colaboradores, o Instituto Burle Marx trabalha esse conceito tão atual de construção coletiva. Para nós, o acervo é potente para inspirar e repensar a experiência de vida nas cidades e favorecer óticas plurais, afirmativas e colaborativas” – curadora Isabela Ono.
Na mostra, o público tem a oportunidade de ver os projetos mais icônicos do paisagista e um “Jardim Efêmero” com estruturas verticais na entrada do prédio na Avenida Paulista, desenvolvido pelo escritório Burle Marx, além da exibição de uma animação na fachada do edifício da FIESP. As peças selecionadas para a exposição refletem a pluralidade do trabalho de sete décadas em desenhos, maquetes, plantas de projeto, croquis, fotografias e vídeos; ressaltando a contemporaneidade da narrativa de Burle Marx e do seu legado para se repensar a experiência de vida nas cidades e a construção de espaços públicos.
Fazenda Vargem Grande | Acervo Instituto Burle Marx
Débora Viana, Gerente Executiva de Cultura do Sesi-SP, explica que sediar a exposição é uma das formas de reiterar o compromisso que a instituição possui de fomentar o cenário cultural e artístico por meio de obras, de artistas e da participação do público a potenciais de criação, de reflexão e de experimentação. “Para o Sesi-SP, é de extrema importância a formação de novos públicos em artes, a difusão e o acesso à cultura de forma gratuita. Sendo assim, desenvolvemos e realizamos projetos das mais diversas áreas e convidamos o público a imergir no universo do conhecimento e da arte”, declara Débora Viana.
Burle Marx pensava além de seu tempo, já em sua época (40-50 anos atrás) buscava colocar em prática temas tão atuais como a renaturalização das cidades. Era capaz de ter uma visão a longo prazo, tão cara ao desenvolvimento das grandes cidades, que hoje sentem a necessidade de revisar seus modelos e estruturas por conta da intensa impermeabilização do solo e carência de espaços verdes.
Os módulos “Ecologista urbano” e “Projetos em São Paulo” acabam por assumir um tom mais político na mostra, nos quais são apresentados alguns dos projetos elaborados por Burle Marx para a cidade de São Paulo, a pedido do poder público.
“Burle Marx é reconhecido como o mais importante e inovador paisagista brasileiro do século XX. Ao transformar jardins em campos de experimentação da arte moderna, introduziu um novo paradigma, rompendo com a tradição europeia. A exposiçãoPaisagem Construída – São Paulo e Burle Marx apresenta aspectos pouco explorados de sua obra. Burle Marx foi pioneiro na construção do conceito de ecologia Urbana ao introduzir em seus projetos elementos da flora nativa que contratavam com as formas geométricas e duras do concreto. É recorrente dizer que ele apontou para a necessidade de repensar o conceito de cidade a exposição apresenta, também, alguns projetos, elaborados por ele para a cidade de São Paulo não executados: Ibirapuera, Parque Trianon, Praça da Se entre outros”, confirma a curadora Helena Severo. Os três eixos da exposição:
Ecologista Urbano: ativismo pela sustentabilidade – documentos, reportagens, fotos e filmagens das expedições de Burle Marx.
Neste núcleo são apresentados documentos e situações políticas nas quais Burle Marx se envolveu para protestar contra os desmatamentos de florestas brasileiras, sobretudo aqueles realizados pelo governo e por grandes empresas capitalistas. Burle Marx foi um defensor da preservação da natureza e lutava contra a monocultura. “Ele fazia muitos alardes contra a monocultura; como, por exemplo, devastar uma mata rica em espécies e depois plantar somente eucalipto.”, comenta o curador Guilherme Wisnik.
Obras Icônicas: obras relevantes na construção do espaço público, memória-viva de um Brasil moderno e reverente à natureza.
Para este segundo eixo foram selecionadas obras muito importantes para o desenvolvimento e melhorias do espaço público. Poderão ser vistas imagens do extenso calçadão que percorre as praias da Zona Sul carioca; fotos do paisagismo feito por Burle Marx no Parque do Flamengo (RJ) e do Parque del Este em Caracas, na Venezuela, por exemplo. Integra este núcleo uma sala escura sensorial, chamada de “espaço penetrável”, com projeções de imagens sobre tecidos pendurados na sala. A proposta é levar ao público fotografias de jardins e calçadas criadas por Burle Marx e seus colaboradores, oferecendo uma experiência de imersão nas obras notáveis realizadas pelo paisagista através do Escritório Burle Marx. Uma verdadeira experiência sensorial acompanhada pelo som de Tom Jobim – outro grande expoente da cultura moderna brasileira e carioca.
Projetos em São Paulo:
Ocupando a área central da expografia, este núcleo traz um conjunto de obras construídas por Burle Marx e sua equipe no estado de São Paulo, sendo a maioria obras privadas. Aqui o público poderá ver jardins e pisos em edifícios, casas e fazendas; além do diálogo entre projetos executados em parceria com arquitetos renomados de São Paulo, como Rino Levi, Marcello Fragelli, Hans Broos e Paulo Mendes da Rocha. Por fim, serão apresentadas, também, propostas inéditas e não realizadas para espaços públicos da cidade como os projetos para o Parque Trianon, Parque Ibirapuera, Praça da Sé e Vale do Anhangabaú. Um vídeo-animação produzido para a mostra será exibido apresentando os três projetos não executados – Parque Ibirapuera, Praça da Sé e Vale do Anhangabaú –, com fotos aéreas dos espaços como são hoje, e depois uma transição em que aparecem implantações dos projetos de Burle Marx para que imaginemos como os espaços ficariam, junto a uma narração que explica a visualização do percurso.
Sobre Roberto Burle Marx: a partir de Guilherme Wisnik
Burle Marx é uma figura pioneira, esteve sempre à frente de seu tempo em seus projetos, executando ideias que só foram ganhar forma depois de muitos anos, como o emprego de práticas que envolviam sustentabilidade, por exemplo. Sua carreira de paisagista teve início na década de 1930, e seus primeiros projetos foram no Rio de Janeiro. Posteriormente foi para Recife, contratado como Diretor do Departamento de Parques da cidade, e assim deu início a uma carreira sólida como paisagista de espaços públicos. Com os anos foi conquistando reconhecimento internacional e estabeleceu-se como uma sumidade na área.
“Ele [Roberto Burle Marx] se volta para a questão não só do olhar sobre a natureza, da manipulação de certas espécies [de plantas], mas também para a preservação dela. Boa parte da riqueza do trabalho de Burle Marx está ligada ao fato de que ele fez muitas expedições, não só no Brasil, mas na América do Sul, em busca de novas espécies, e de conhecer os ecossistemas. Ele trazia mudas de espécies que ia gostando e conhecendo pelo caminho.”, explica o curador G. Wisnik.
Burle Marx plantou essas mudas em seu sítio, “Santo Antônio da Bica” – hoje conhecido como Sítio Roberto Burle Marx, pertencente ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e localizado em Guaratiba, no Rio de Janeiro. “O sítio foi fundamental porque se transformou em um grande viveiro. Todas essas mudas que ele trazia, ia plantando e cultivando lá; então quando ele criava os jardins dele, tinha acesso a essas plantas, não dependia de plantas que estavam no mercado. E isso deu muito mais liberdade e potencial para os seus jardins.”, comenta Wisnik.
As expedições – para o cerrado e para a Amazônia brasileira, por exemplo -, levaram a uma politização muito grande, porque ele percebeu com isso o quanto a floresta brasileira vinha sendo devastada, começou a fazer grandes manifestos nos jornais. Burle Marx entrou em brigas abertas com grandes capitalistas, como a empresa alemã Volkswagen, nos anos 70, que havia comprado uma fazenda no Pará e desmatou/incendiou a mata para executar sua produção automotiva em larga escala.
Serviço
Paisagem construída: São Paulo e Burle Marx
Curadoria: Guilherme Wisnik, Helena Severo e Isabela Ono
Expografia:Álvaro Razuk
Local: Centro Cultural Fiesp – Av. Paulista, 1313, São Paulo – SP
Período expositivo: 19 de outubro até 05 de fevereiro
Horários de visitação: Quarta a domingo, das 10h às 20h
Entrada gratuita